sábado, 7 de novembro de 2009

Dia Mundial da Filosofia 2009 - 19 de novembro

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Dia Mundial da Filosofia no Brasil 2009

Esta é a segunda edição do evento realizado pela UFRJ (IFCS) no País, em parceria com a representação da UNESCO no Brasil e com o patrocínio do Banco do Brasil.

A comemoração ocorre no dia 19 de novembro (quinta-feira), das 10h às 18h, na Casa da Ciência da UFRJ - Rua Lauro Müller 3, Botafogo - Rio de Janeiro - RJ

As atividades contemplam

# a realização do ciclo de diálogos intitulado "Novas perspectivas filosóficas para o Brasil" com a presença de professores e especialistas em Filosofia reconhecidos no cenário nacional,

# e a disponibilização de um espaço multimídia de Filosofia, cujo objetivo principal é ampliar as possibilidades de compreensão da mesma através de diferentes mídias.Neste espaço multimídia, o público poderá assistir a vídeos e experimentar áudios especialmente produzidos para a mostra, com trechos de textos e biografias de vários filósofos, tudo isso a partir de um painel expositivo criado para despertar a curiosidade e estimular a interação.

E mais:

# exposição de cartazes cedidos pela UNESCO,
# montagem de uma linha cronológica da Filosofia
# transmissão ao vivo das atividades do auditório para o salão de exposição da Casa.

Programação

# Auditório - Ciclo de diálogos: “Novas Perspectivas Filosóficas para o Brasil”

# Mesa I – 9h 30min às 12h

Coordenador: Profº André Martins
Mediador: Conrado Cavalcante

Alexandre Mendonça (UFRJ) - Confirmado
Filipe Ceppas (UGF) - Confirmado
Rafael Haddock Lobo (UFRJ) - Confirmado

# Mesa II – 13:30 às 16h

Coordenador e mediador: Gabriel Cid

Guilherme Castelo Branco (UFRJ) – Confirmado
Jorge Vasconcellos (UGF) – Confirmado
Walter Kohan (UERJ) – Confirmado

# Salão de Exposições - Montagem do Espaço Multimídia de Filosofia

Visitação: das 10h às 18h

# Painel expositivo de áudios e vídeos
# Transmissão simultânea dos diálogos ocorridos no auditório
# Transmissão do evento ao vivo pela internet
# Exposição de Cartazes cedidos pela UNESCO
# Montagem de uma linha cronológica da Filosofia com imagens impressas
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Mais Informações


Este evento é idealizado e produzido por alunos de Filosofia, que também atuam na área da produção cultural, sob a curadoria e coordenação acadêmica do Prof. Dr. André Martins (UFRJ).

site: http://www.diamundialdafilosofia.com.br
e-mail: contato@diamundialdafilosofia.com.br

Produção 21-2507-3714
Tiago Gomes - tiago@diamundialdafilosofia.com.br
Djalma Lopes - djalma@diamundialdafilosofia.com.br
Coordenação
Conrado Cavalcante - conrado@diamundialdafilosofia.com.br
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Clique sobre os títulos para saber sobre:

> Algumas celebrações no mundo - link em francês

> Algumas celebrações no mundo - link em inglês

O que pensa a UNESCO sobre a Filosofia. Com a palavra Pierre Sané, Sub-Diretor Geral para as Ciências Sociais e Humanas

> Il n'y a pas d'UNESCO sans philosophie

> Philosophy at UNESCO
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Clique AQUI para saber sobre a instituição do Dia Mundial da Filosofia

Em 2008, 0 Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ se uniu às comemorações mundiais e as atividades reuniram um público diversificado que mostrou grande interesse pela Filosofia.

Veja AQUI como foi o Dia Mundial da Filosofia no mundo, em 2008, e a participação da UFRJ (IFCS) inscrevendo o Brasil no cenário mundial.
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quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Claude Lévi-Strauss morre aos 100 anos

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4/11/2009

Por Fábio de Castro

Agência FAPESP – O antropólogo Claude Lévi-Strauss morreu, aos 100 anos, na madrugada do último domingo (1/11). O anúncio foi feito apenas nesta terça-feira (3/11) pela Escola de Estudos Avançados em Ciências Sociais de Paris (França).

Conhecido como o fundador da antropologia estruturalista, Lévi-Strauss participou, na década de 1930, da missão francesa que organizou alguns dos cursos da Universidade de São Paulo (USP) pouco após sua fundação, em 1934.

De acordo com Fernanda Arêas Peixoto, professora do Departamento de Antropologia da USP, a influência intelectual de Lévi-Strauss – que realizou no Brasil seus primeiros estudos de etnologia entre populações indígenas – transcende a antropologia.

“Ele foi sem dúvida um dos maiores antropólogos da história e, a partir de seus trabalhos ligados ao âmbito do parentesco e dos mitos, influenciou todos os ramos da antropologia. Mas, especialmente a partir de 1962, com a publicação de Pensamento selvagem, sua obra passou a dialogar com a filosofia. Daí em diante, o estruturalismo adquiriu uma importância enorme, com impacto na filosofia, na psicanálise, na crítica literária e nas ciências humanas de modo geral”, disse à Agência FAPESP.

Segundo Fernanda, que em 1991 defendeu na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) a dissertação de mestrado Estrangeiros no Brasil: a missão francesa na USP, o inegável impacto do pensamento de Lévi-Strauss sobre a antropologia brasileira se deu por meio de sua obra posterior à estadia no país.

“Na época da missão francesa, entre 1935 e 1938, ele era um jovem etnógrafo em período de formação. No Brasil, fez suas primeiras pesquisas de campo e trabalhos etnográficos. Publicou aqui seus primeiros trabalhos. Durante a Segunda Guerra Mundial, fixou-se nos Estados Unidos, onde completou sua formação”, contou.

A leitura de Lévi-Strauss feita pelo norte-americano David Mabury-Lewis, na década de 1960, exerceu forte influência na antropologia brasileira, reintroduzindo no país a obra do antropólogo nascido em Bruxelas, de acordo com Fernanda. Segundo ela, Mabury-Lewis participou naquele período do projeto Harvard-Brasil Central, realizado pelo Museu Nacional em parceria com a Universidade de Harvard (Estados Unidos).

Sob orientação de Fernanda, a mestranda Luiza Valentini está atualmente realizando uma pesquisa – com apoio da FAPESP – sobre a interação entre Lévi-Strauss, Dina Dreyfuss (sua esposa na época da missão francesa) e o escritor Mário de Andrade, que na década de 1930 empreendeu um amplo trabalho de campo sobre manifestações da cultura popular brasileira.

O trabalho tem base em documentação inédita da Sociedade de Cultura e Folclore dirigida por Andrade na época. “Mário de Andrade foi muito marcado por essa colaboração”, disse Fernanda.

Tristes trópicos

“Estudou na Universidade de Paris e demonstrou verdadeira paixão pelo Brasil, conforme registrado em sua obra de sucesso Tristes Trópicos, em que conta como sua vocação de antropólogo nasceu durante as viagens ao interior do país. Lévi-Strauss completaria 101 anos no fim deste mês”, divulgou a reitoria da USP em nota oficial.

Trajetória

Em 1927, Lévi-Strauss iniciou seus estudos em filosofia. Começou a lecionar em 1932. Em 1935, levado pelo “desejo da experiência vivida das sociedades indígenas”, como contou, aceitou lecionar na USP durante três anos. Nesse período, empreendeu diversas missões de estudo entre os índios Bororo e Nhambiquara, em companhia de sua esposa. O casal se separou em 1939, ao retornar à França. O antropólogo se casou novamente em 1945 e em 1954.

Banido do ensino em seu país, em decorrência das leis antissemitas da França ocupada do regime de Vichy (1940-1944), partiu para Nova York, onde teve contato com os surrealistas e se aproximou de Roman Jakobson, linguista que teve influência decisiva na construção de sua obra.

O pós-guerra foi um período instável para Lévi-Strauss, que publicou então suas primeiras obras de peso, ainda não reconhecidas. Foi adido cultural em Nova York e participou de missões da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) na Índia e no Paquistão. Em 1950, foi nomeado professor da Escola Prática de Altos Estudos da França.

Em 1955, publicou Tristes trópicos, um relato de suas viagens que se tornou ao mesmo tempo um sucesso literário e uma referência científica. Publicou Antropologia estrutural em 1958 e em 1959 assumiu o Departamento de Antropologia Social do Collège de France, passando a desenvolver atividade intensa como autor e organizador, que lhe valeram crescente reconhecimento internacional. Depois de O Pensamento selvagem (1962) e os quatro volumes de Mitologias, passou a ser reconhecido com um dos grandes autores do século 20.

Em 1973, foi eleito para a Academia Francesa. Em 1985, acompanhou o presidente francês François Mitterrand ao Brasil. Suas coleções de objetos foram expostas no Museu do Homem, em Paris, em 1989. Suas fotografias do Brasil foram editadas em 1994.

Fonte Agencia FAPESP
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terça-feira, 27 de outubro de 2009

105 anos do jornal L´Humanité, França - PCF

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L´HUMANITÉ
Novo look aos 105 anos

Por Leneide Duarte-Plon, de Paris em 27/10/2009

Ele vende em torno de 50 mil exemplares por dia, não é encontrado em todas as bancas de Paris, chega apenas às maiores cidades francesas mas tem um público fiel – comunistas ou simpatizantes, na grande maioria – que garante sua existência cada vez mais ameaçada.

Aos 105 anos, o jornal L´Humanité fez uma reforma gráfica e editorial para continuar brigando por seu lugar nas bancas. A última grande reforma do diário foi em 2003, poucos meses antes das comemorações do centenário, em 2004 [ver, neste Observatório, "L´Humanité: cem anos de engajamento"].

Este ano, o diário fundado por Jean Jaurès, em 18 de abril de 1904, resolveu consultar o leitorado antes de passar por uma reforma para se adaptar às exigências do leitor da era internet. Mas apesar de não ter mais a foice e o martelo no logotipo nem ser mais o "órgão oficial do Partido Comunista Francês", o L´Humanité não pretende ser um jornal neutro.

Na edição de 13 de outubro, quando estreava a nova diagramação, o ex-diretor da Redação Patrick Le Hyaric, eleito este ano deputado para o Parlamento Europeu pelo Partido Comunista, defendeu os partis pris do jornal. Entre eles estão a defesa da causa palestina, dos estrangeiros em situação irregular na França, ameaçados de expulsão, muitos deles para países em guerra (como os afegãos e os iraquianos, entre outros), a denúncia dos favores do governo aos bancos e a ameaça que a ideologia sarkozysta representa para o serviço público francês.

Trunfo maior


Como interatividade é a palavra-chave da comunicação da era da internet, o jornal ouviu os leitores, que responderam a um questionário opinando sobre o que deveria ser mantido e o que deveria mudar. Segundo a direção, essa consulta democrática ao leitorado é inédita entre os jornais diários. Há leitores que manifestaram o desejo de ver o jornal tão eclético e aberto que possa se tornar o jornal de leitores não-comunistas. Alguns pediram que o jornal não sacrifique o espaço concedido à cultura, que fale mais de desenvolvimento sustentável não-capitalista, e que tenha matérias mais curtas, em linguagem tão direta e clara quanto possível, para explicar os eufemismos e as manipulações do poder. E que faça mais matérias investigativas exclusivas.

O L´Huma nunca vendeu a falsa idéia de que faz jornalismo objetivo. Foi o "órgão oficial do Partido Comunista Francês" de 1920 a 1994 e, apesar de continuar sendo próximo do PCF, está aberto a todas as lutas da esquerda francesa, com oposição sistemática ao governo Sarkozy. A diagramação mudou, o jornal tem cores em todas as páginas, mas o espírito combativo do jornalismo de esquerda se manteve inalterado.

Em cada nova mudança, o L´Humanité foi se adaptando aos novos tempos. Em 1994, a menção "órgão central do PCF" foi substituída por "jornal do PCF". Em 1999, esse laço com o partido foi eliminado do jornal. O Partido Comunista continua sendo o editor, mas não dita a linha editorial. E os militantes do PCF vão para as ruas distribuir ou vender o jornal em frequentes campanhas de assinaturas. Outros contribuem financeiramente sempre que a situação financeira do diário é periclitante e que ele resolve lançar um apelo a subscrições.

Essa mobilização militante é o grande trunfo do jornal que tem nos eleitores comunistas o suporte para levar adiante a utopia de Jean Jaurès de um jornal "feito para transformar a sociedade" ou "trabalhar pela realização da humanidade".

Relação singular

No ano passado, o L´Humanité teve que se render aos fatos e colocou à venda a sede histórica do jornal, em Saint-Denis, ao norte de Paris, um belo projeto de Oscar Niemeyer, autor também do projeto da sede do Partido Comunista Francês.

Em maio de 2008, a redação abandonou o prédio de Niemeyer em que se instalara desde 1989 e passou a ocupar um imóvel situado perto do Stade de France.

Colocada à venda por 15 milhões de euros, a sede do jornal ainda não encontrou comprador, o que obrigou o diário a recorrer aos leitores para pagar dívidas, já que o jornal não tem anunciantes e conta como única fonte de renda a venda nas bancas e as doações dos leitores reunidos em uma "associação de amigos do L´Humanité".

Em menos de um mês, o jornal angariou mais de 1 milhão de euros doados por leitores engajados que mantêm com o cotidiano uma relação singular. Ser leitor do L´Huma é antes de tudo um ato militante. E nenhum desses leitores quer ver o jornal desaparecer do cenário da mídia francesa.

Extraído de Observatório da Imprensa - versão para impressão

ou página original da Web do Observatório da Imprensa
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segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Maurice Bazin, pioneiro na divulgação científica

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Morre o físico e educador francês Maurice Bazin, pioneiro na divulgação científica

22/10/2009

O intelectual trabalhou para criar formas de aproximar ciência e a comunidade, por meio de experiências pedagógicas de sucesso. Como consultor do Instituto Socioambiental (ISA), assessorou os povos indígenas do Alto Rio Negro no reencontro de suas etnomatemáticas.

Maurice Jacques Bazin (1934 -2009) nasceu na França e se formou na Escola Politécnica de Paris. Era Ph.D. em física nuclear experimental de altas energias pela Universidade Stanford, nos Estados Unidos; doutor em ciências pela Universidade de Paris; e doutor honorário da Open University, na Inglaterra.

Ele foi consultor do ISA, colaborando com o Programa Rio Negro. Com os Tuyuka, ajudou a produzir o "Guia para Continuar Pesquisando Nossa Maneira de Medir e Contar", na língua indígena, abordando conceitos matemáticos próprios da etnia.

Dono de interesses múltiplos, Bazin interagiu e participou de diversos projetos socioeducativos bem-sucedidos, a partir de iniciativas participativas, que buscam a distribuição do saber científico usando como ponto de partida situações da vida cotidiana, ao ar livre e em lugares públicos.

Até 1975, foi professor das Universidades de Princeton e Rutgers, nos Estados Unidos. Na décade de 1980 foi para o Rio de Janeiro, depois de dois anos como professor em Portugal, e trabalhou no Departamento de Física da Universidade Católica do Rio de Janeiro, dedicando-se à melhoria do sistema de ensino de física básica.

Foi pioneiro na divulgação científica, sendo um dos idealizadores e fundadores do primeiro museu interativo de Ciências do Rio de Janeiro, Espaço Ciência Viva, em 1983. No mesmo ano, em Campinas (SP), ajudou a tornar realidade o Museu História Viva. Membro do Instituto de Politica Linguistica (IPOL) assessorou o programa de Educação de Jovens e Adultos (EJA) do município de Florianópolis (SC).

Faleceu na tarde da última segunda-feira, 19 de outubro, no Rio de Janeiro, em decorrência de complicações de uma cirurgia cardíaca. Deixa três filhos e uma filha adolescente.

Fonte: ISA, Instituto Socioambiental
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quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Da propriedade intelectual à economia do conhecimento

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Caros amigos,

O eixo central de geração de valor desloca-se do conteúdo material para o conteúdo de conhecimento incorporado aos processos produtivos. Com isso criou-se uma batalha ideológica e econômica em torno do direito de acesso ao conhecimento. O acesso livre e praticamente gratuito ao conhecimento e à cultura que as novas tecnologias permitem é uma benção e não uma ameaça. Constituem um vetor fundamental de redução dos desequilíbrios sociais e da generalização das tecnologias necessárias à proteção ambiental do planeta. Tentar travar o avanço deste processo, restringir o acesso a conhecimento e criminalizar os que dele fazem uso não faz o mínimo sentido. Faz sentido sim estudar novas regras do jogo capazes de assegurar um lugar ao sol aos diversos participantes do processo.

Publiquei recentemente no site (16.10), em Artigos Online, um artigo de 30 páginas sobre esse tema, Da propriedade intelectual à economia do conhecimento. O texto constitui antes de tudo uma sistematização dos argumentos, revisando alguns dos principais autores sobre o assunto.

Um abraço,
Ladislau


Recebido do Eminente Professor Economista Ladislau Dowbor* - contatoladislau@gmail.com
Em segunda-feira, 19 de outubro de 2009 09:40


Uma visita ao site do Professor é viagem de lucidez e comprometimento. Axé!

* Economista político graduado na Universidade de Lausanne, Suiça; Doutor em Ciências Econômicas pela Escola Central de Planejamento e Estatística de Varsóvia, Polônia (1976). Atualmente, é professor titular da pós-graduação da PUC-SP e presta consultoria para agências da ONU, governos e instituições.

Clique para ver seus artigos em Le Monde Diplomatique.

Você pode fazer seu cadastro para receber as novas produções do Professor. Envie um e-mail para contatoladislau@gmail.com

O Professor Ladislau Dowbor tem intensa produção editada, mas por questão de princípio disponibiliza tudo "livre para baixar" em seu site http://www.dowbor.org... Quem quiser publicar com ele, já sabe sobre isso, de antemão.

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Desemprego por desalento

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Desalento paulistano

19/10/2009 - Por Fábio de Castro

Agência FAPESP – Pessoas desempregadas há mais de um ano e que nos últimos 30 dias desistiram de procurar trabalho são enquadradas na situação de “desemprego por desalento”. Na Região Metropolitana de São Paulo, por exemplo, cerca de 121 mil indivíduos se encontravam nessa situação em agosto de 2009, segundo dados da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade).

Por que razões esses indivíduos tomam a decisão de interromper a busca pelo emprego? O que significa sociologicamente o desemprego por desalento? O que essa condição acarreta? Essas são questões que a socióloga Fabiana Jardim procura responder no livro Entre desalento e invenção: experiências de desemprego em São Paulo, que acaba de ser lançado.

O livro, que teve apoio da FAPESP na modalidade Auxílio à Pesquisa – Publicações, é resultado do trabalho de mestrado de Fabiana, realizado entre 2002 e 2004 no Departamento de Sociologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP). O estudo, orientado pela professora Heloisa Helena de Souza Martins, foi feito com Bolsa da FAPESP.

De acordo com Fabiana, o estudo, cujo eixo central são entrevistas com pessoas que haviam passado pelo desemprego por desalento, concluiu que o significado sociológico dessa condição está ligado às dificuldades experimentadas para interpretar o significado e o sentido das rápidas mudanças ocorridas no mundo do trabalho nas últimas décadas.

“A pesquisa teve origem em um certo desconcerto com essa categoria. Eu queria compreender como se dá essa interrupção pela busca do emprego. E entender seu significado não apenas do ponto de vista estatístico, em relação ao dinamismo do mercado de trabalho, mas da perspectiva dos efeitos sobre as pessoas e sobre sua adesão aos valores do trabalho”, disse à Agência FAPESP.

Segundo Fabiana, o desemprego por desalento é uma categoria estatística utilizada pela Fundação Seade e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) desde 1984. O objetivo principal de sua adoção era incluir nas estatísticas de desemprego pessoas que, ao interromper a busca por emprego, não eram consideradas desempregadas pelos critérios do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por exemplo.

“Em um mercado de trabalho tão heterogêneo como o nosso, o desemprego aberto é uma categoria que acaba não retratando todas as situações de privação de trabalho. O desemprego por desalento foi, então, uma tentativa de contabilizar formas de desemprego oculto. Assim como as pessoas que estão trabalhando por horas insuficientes e com rendimentos insuficientes passaram a ser classificadas como casos de desemprego oculto por trabalho precário”, explicou.

Fabiana realizou o trabalho de campo entre 2002 e 2004, no Centro de Solidariedade de Osasco (SP), onde entrevistou pessoas que, em algum momento de suas trajetórias, haviam passado pela condição de desemprego oculto pelo desalento.

“Como as informações são sigilosas, não seria possível identificar as pessoas classificadas pelo Seade nessa categoria naquele momento preciso. Fui, então, a esse local de procura de emprego e ali, conversando, pude identificar quem estava desempregado há mais de um ano”, contou.

A categoria de desemprego oculto por desalento, segundo Fabiana, é bastante específica: são desempregados há mais de 12 meses que interromperam a busca no período de referência de 30 dias – mas que procuraram emprego em algum momento do período de um ano.

“Ao todo, fiz a análise de sete histórias de vida: um homem adulto, duas mulheres e quatro jovens, sendo uma mulher e três homens. O desemprego por desalento acaba incluindo nas estatísticas aqueles que estão nas fronteiras da categoria do desemprego – e por isso incide particularmente em mulheres e jovens”, disse.

Desemprego recorrente

Em um dos capítulos, intitulado Uma vida de trabalho, a autora se detém sobre a história de “José”, que, segundo ela, tem características que tornam possível a discussão dos aspectos mais típicos de trajetórias de trabalho iniciadas em meados da década de 1970 e resultaram, no início do século 21, em casos de desalento.

“Como a maior parte dos homens que entrou no mercado de trabalho nos anos 1970, José sempre conseguiu circular no mercado de trabalho formal sem muita dificuldade, mesmo não tendo profissão definida. Mas, desempregado em 2002, ele toma a decisão de desistir de procurar emprego. O motivo é que não consegue entender a nova dinâmica de busca pelo trabalho”, disse a socióloga.

Segundo Fabiana, a história corrobora estudos realizados por autores como Nadya Guimarães – pesquisadora do Centro de Estudos da Metrópole (CEM), um dos Centros de Pesquisa Inovação e Difusão (Cepids) da FAPESP – que revelaram uma mudança de padrões no mundo do trabalho: do emprego recorrente, passa-se para um padrão de desemprego recorrente.

“José não consegue mais entender como procurar emprego. Em décadas anteriores, ele passava pelas fábricas, tinha contato direto com os empregadores e conseguia uma vaga ao mostrar disposição para trabalhar. Mas atualmente o funcionamento desse mercado é diferente. É preciso ir às agências de emprego – o que, para homens desempregados e com mais de 40 anos, é uma grande angústia. Vários entrevistados diziam ir às agências apenas porque era preciso fazer algo. Mas, ao preencher a ficha, já percebiam que estavam fora do perfil do trabalhador ideal”, disse.

No caso de José, segundo Fabiana, o desalento traduz sociologicamente uma dificuldade específica de um momento de transição do mercado de trabalho, da reestruturação produtiva e da emergência das novas formas de intermediação.

“A pessoa acaba desistindo do jogo, porque não conhece suas novas regras. Essa mudança na lógica do trabalho e do emprego ocorreu especialmente em meados da década de 1990, com a proliferação das agências de emprego. Isso de alguma forma também está ligado ao processo de privatização”, disse.

Entre os jovens, segundo Fabiana, o desalento já tem outro significado: alguns desistem por cansaço e revolta. “Eles reclamam que têm escolaridade, têm segundo grau completo, têm cursos de qualificação. Mas manifestam desânimo ou raiva porque, mesmo com essa qualificação, não conseguem trabalho. É como se seguissem à risca as regras do jogo, mas fossem trapaceados por um sistema irracional, aleatório, dependente da sorte”, sugeriu.


Entre desalento e invenção: experiências de desemprego em São Paulo
Autora: Fabiana Jardim / 2009 / R$ 30 ; Páginas.: 238
Mais informações: www.annablume.com

extraído de Agencia FAPESP
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quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Trabalho morto: Marx e Lênin mereceriam Nobel de Economia

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Trabalho morto: Marx e Lênin mereceriam Nobel de Economia

13/10/2009 - Copyleft

Marx previu a miséria crescente dos trabalhadores e Lênin previu a subordinação da produção de bens à acumulação de lucros do capital financeiro com a compra e venda de instrumentos de papel. As suas previsões são de longe superiores aos "modelos de risco" aos quais tem sido atribuído o Prêmio Nobel e estão mais próximos da moeda do que as previsões do presidente do Federal Reserve, de secretários do Tesouro dos EUA e de economistas nobelizados tais como Paul Krugman, o qual acredita que mais crédito e mais dívida são a solução para a crise econômica. A análise é de Paul Craig Roberts.

Paul Craig Roberts (*) - Counterpunch

Data: 13/10/2009

"O capital é trabalho morto, o qual, como um vampiro, vive apenas para sugar o trabalho vivo, e quanto mais sobreviver, mais trabalho sugará". (Karl Marx)

Se Karl Marx e V. I. Lênin hoje estivessem vivos, seriam os principais candidatos ao Prêmio Nobel de Ciência Econômica.

Marx previu a miséria crescente dos trabalhadores e Lênin previu a subordinação da produção de bens à acumulação de lucros do capital financeiro com a compra e venda de instrumentos de papel. As suas previsões são de longe superiores aos "modelos de risco" aos quais tem sido atribuído o Prêmio Nobel e estão mais próximos da moeda do que as previsões do presidente do Federal Reserve, de secretários do Tesouro dos EUA e de economistas nobelizados tais como Paul Krugman, o qual acredita que mais crédito e mais dívida são a solução para a crise econômica.

Na primeira década do século XXI não houve qualquer aumento no rendimento real dos trabalhadores americanos. Houve sim um declínio agudo na sua riqueza. No século XXI os americanos sofreram dois grandes crashes no mercado de acções e a destruição da sua riqueza imobiliária.

Alguns estudos concluíram que os rendimentos reais dos americanos, excepto para a oligarquia financeira dos super ricos, são menores hoje do que na década de 1980 e mesmo da de 1970. Não examinei estes estudos de rendimento familiar para determinar se eles foram enviesados pelo aumento nos divórcios e pela percentagem de famílias monoparentais. Contudo, durante a última década é claro que o salário líquido real declinou.

A causa principal deste declínio é a deslocalização (offshoring) de empregos americanos de alto valor acrescentado. Tanto empregos na manufatura como em serviços profissionais, tais como engenharia de software e trabalho com tecnologia de informação, foram relocalizados em países com forças de trabalho grandes e baratas.

A aniquilação de empregos classe média foi disfarçada pelo crescimento na dívida do consumidor. Quando os rendimentos dos norteamericanos cessaram de crescer, a dívida do consumidor expandiu-se para substituir o crescimento do rendimento e manter a procura do consumir em ascensão. Ao contrário de aumentos nos rendimentos do consumidor devidos ao crescimento da produtividade, há um limite para a expansão do endividamento. Quando aquele limite é atingido, a economia cessa de crescer.

A pauperização dos trabalhadores não resultou do agravamento de crises de super-produção de bens e serviços mas sim do poder do capital financeiro para forçar a relocalização da produção para mercados internos em terras estrangeiras. As pressões da Wall Street, incluindo pressões de tomadas de controle (takeovers), forçaram firmas manufatureiras americanas a "aumentar os rendimentos dos acionistas". Isto foi feito pela substituição de trabalho americano por trabalho barato estrangeiro.

Corporações deslocalizadas ou que passam a encomendar fora a sua produção manufactureira, divorciando portanto os rendimentos dos americanos da produção dos bens que eles consomem. O passo seguinte no processo aproveitou-se da alta velocidade da Internet para mover empregos em serviços profissionais, tais como engenharia, para fora. O terceiro passo foi substituir o resto da força de trabalho interna por estrangeiros trazidos para cá a um terço do salário com o H-1B [1] , L-1 [2] e outros vistos de trabalho.

Este processo pelo qual o capital financeiro destruiu as perspectivas de emprego de norteamericanos foi endossado pelo economistas do "livre mercado", os quais receberam privilégios pela deslocalização de firmas em troca da propaganda de que os americanos beneficiar-se-ia com uma "Nova Economia" baseada em serviços financeiros, e pelos seus sócios no negócio da educação, os quais justificavam vistos de trabalho para estrangeiros com base na mentira de que a América produz poucos engenheiros e cientistas.

Nos dias de Marx, a religião era o ópio das massas. Hoje são os media. Basta ver a informação dos media que facilita a capacidade da oligarquia financeira de iludir o povo.

A oligarquia financeira está a anunciar uma recuperação enquanto o desemprego nos EUA e os arrestos de lares estão em aumento. Este anúncio deve a sua credibilidade às altas posições de onde vêem, aos problemas de informação sobre folhas de pagamento que exageram o emprego e à eliminação para dentro do buraco da memória de qualquer americano desempregado durante mais de um ano.

Em 2 de Outubro o estatístico John William do www.shadowstats.com informou que o Bureau of Labor Statistics havia anunciado uma revisão da sua estimativa preliminar do indicador anual do emprego em 2009. O BLS descobriu que o emprego em 2009 fora super-declarado em cerca de um 1 milhão de postos de trabalho. John Williams acredita que a diferença foi realmente de dois milhões de postos de trabalho. Ele informa que "o modelo nascimento-morte actualmente acrescenta [um ilusório] ganho líquido de cerca de 900 mil empregos por ano à informação sobre emprego".

O número de empregos nas folhas de pagamentos não agrícolas é sempre a manchete da informação. Contudo, Williams acredita que o inquérito às famílias de desempregados é estatisticamente mais correcto do que o inquérito às folhas de pagamento. O BLS nunca foi capaz de reconciliar a diferença nos números nos dois inquéritos ao emprego. Na sexta-feira passada, o número de empregos perdidos apresentado nas manchetes era de 263 mil para o mês de Setembro. Contudo, o número no inquérito às famílias era de 785 mil empregos perdidos no mês de Setembro.

A manchete da taxa de desemprego de 9,8% é uma medida reduzida ao essencial que em grande medida subdeclara o desemprego. As agências de informação do governo sabem disto e relatam outro número de desempregados, conhecido como U-6. Esta medida do desemprego nos EUA fixava-se nos 17% em Setembro de 2009.

Quando os trabalhadores desencorajados pelo desemprego a longo prazo são acrescentados outra vez ao total dos desempregados, a taxa de desemprego em Setembro de 2009 eleva-se a 21,4%.

O desemprego de cidadãos americanos poderia realmente ser ainda mais alto. Quando a Microsoft ou alguma outra firma substitui milhares de trabalhadores americanos por estrangeiros com vistos H-1B, a Microsoft não relata um declínio de empregados na folha de pagamento. No entanto, vários milhares de americanos ficam então sem empregos. Multiplique isto pelo número de firmas dos EUA que estão apoiar-se em companhias estrangeiras fornecedoras de mão-de-obra para tecnologia de informação ("body shops") para substituir a sua força de trabalho americana com trabalho barato estrangeiro ano após ano e o resultado são centenas de milhares de desempregados americanos não relatados.

Obviamente, com mais de um quinto da força de trabalho americana desempregada e os remanescentes enterrados em hipotecas e dívidas de cartões de crédito, a recuperação económica não está no quadro.

O que está acontecendo é que as centenas de milhares de milhões de dólares de dinheiro do TARP dado aos grandes bancos e os milhões de milhões (trillions) de dólares que foram acrescentados ao balanço da Reserva Federal foram despejados no mercado de acções, produzindo uma outra bolha, e na aquisição de bancos mais pequenos por bancos "demasiado grandes para falir". O resultado é mais concentração financeira.

A expansão da dívida subjacente a esta bolha corroeu novamente a credibilidade do dólar como divisa de reserva. Quando o dólar começar a ir, tomadores de decisão em pânico elevarão as taxas de juros a fim de proteger a capacidade de contração de empréstimos do Tesouro. Quando as taxas de juros ascendem, o que resta da economia dos EUA afundará.

Se o governo não pode contrair empréstimos, ele imprimirá dinheiro para pagar as suas contas. A hiper-inflação atingirá a população norteamericana. O desemprego maciço e a inflação maciça infligirão ao povo norteamericano uma miséria que nem mesmo Marx e Lênin poderiam conceber.

Enquanto isso, economistas da América continuam fingindo que estão lidando com uma recessão normal do pós-guerra que requer meramente uma expansão da moeda e do crédito a fim de restaurar o crescimento econômico. 07/Outubro/2009

[1] H-1B: categoria de visto para não imigrantes que permite ao patronato dos EUA procurar ajuda temporária de estrangeiros qualificados que tenham bacharelado.

[2] L-1: documento de visto para entrar nos EUA como não imigrante e válido por períodos de tempo de até três anos. São geralmente concedidos para empregados de companhias internacionais com escritórios nos EUA.

[*] Ex-secretário assistente do Tesouro na administração Reagan, co-autor de The Tyranny of Good Intentions. (PaulCraigRoberts@yahoo.com)

O original encontra-se em http://www.counterpunch.org/roberts10072009.html

Este artigo (em português) encontra-se em http://resistir.info/.

Extraído de Carta Maior - versão impressão

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