Morre Eric Hobsbawm, um dos
maiores historiadores do século 20
Atualizado em 1 de outubro, 2012 - 10:23 (Brasília)
13:23 GMT
Historiador Eric Hobsbawm morreu aos 95 anos em
Londres.
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Foto do Outono de 2009, em Barcelona |
Um dos mais influentes historiadores do século
20, o britânico Eric Hobsbawm morreu nesta segunda-feira em Londres aos 95
anos, confirmaram familiares.
Em entrevista à imprensa, a filha de Hobsbawn,
Julia, disse que seu pai morreu no início da manhã no Royal Free Hospital, onde
ele se tratava de uma pneumonia.
"Sua ausência será imensamente sentida não
só por sua esposa de mais de 50 anos, Marlene, por seus três filhos, sete netos
e bisnetos, mas também por muitos leitores e estudantes ao redor do
mundo", informou um comunicado da família.
A reputação do historiador deve-se,
principalmente, a quatro obras escritas por ele, entre elas "Era dos
Extremos: o Breve Século 20: 1914 - 1991", livro que foi traduzido em 40
línguas.
De família judia, Hobsbawm nasceu na cidade de
Alexandria, no Egito, em 1917, o mesmo ano da Revolução Russa, que representou
a derrocada do czarismo e o início do comunismo no país.
Não por coincidência, a vida do historiador e
seus trabalhos foram moldados dentro de um compromisso duradouro com o
socialismo radical.
O pai de Hobsbawm, o britânico Leopold Percy, e
sua mãe, a austríaca Nelly Grün, mudaram-se para Viena, na Áustria, quando o
historiador tinha dois anos e, logo depois, para Berlim, na Alemanha.
Hobsbawm aderiu ao Partido Comunista aos 14
anos, após a morte precoce de seus pais. Na ocasião, ele foi morar com seu tio.
Em 1933, com o início da ascensão de Hitler na
Alemanha, ele e seu tio mudaram-se para Londres, na Inglaterra. Após obter um
PhD da Universidade de Cambridge, tornou-se professor no Birkbeck College em
1947 e, um ano depois, publicou o primeiro de seus mais de 30 livros.
Hobsbawm foi casado duas vezes e teve três
filhos, Julia, Andy e Joshua.
Na década de 80, Hobsbawm comentou sobre sua
fuga da Alemanha. "Qualquer um que viu a ascensão de Hitler em primeira
mão não poderia ter sido ajudado, mas moldado por isso, politicamente. Esse
garoto ainda está aqui dentro em algum lugar - e sempre estará".
Obra
Entre as obras mais conhecidas de Hobsbawm,
estão os três volumes sobre a história do século 19 e "Era dos
Extremos", que cobriu oito décadas da Segunda Guerra Mundial ao colapso da
União Soviética.
Já como presidente do Birkbeck College, ele
publicou seu último livro, "Como mudar o mundo - Marx e o marxismo
1840-2011", no ano passado.
O historiador afirmou que ele tinha vivido
"no século mais extraordinário e terrível da história humana".
Marxista inveterado, ele reconheceu a derrocada
do comunismo no século 20, mas afirmou não ter desistido de seus ideais
esquerdistas.
Em abril deste ano, Hobsbawm disse ao colega
historiador Simon Schama que ele gostaria de ser lembrado como "alguém que
não apenas manteve a bandeira tremulando, mas quem mostrou que ao balançá-la
pode alcançar alguma coisa, ao menos por meio de bons livros".
Extraído de BBC