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quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Brasil aumenta o número de mestres e doutores

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Brasil apresenta aumento no número de mestres e doutores

O número de mestres e doutores titulados no Brasil dobrou nos últimos dez anos. De 2001 a 2010, a quantidade de pesquisadores formados por ano no país passou de 26 mil para cerca de 53 mil, segundo a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

De acordo com o órgão, só em 2010, 12 mil receberam o título de doutor e 41 mil o de mestre. Esses dados constam do balanço final do Plano de Ação em Ciência, Tecnologia e Inovação divulgado pelo governo federal no fim do ano passado.

Os dados, na avaliação da deputada Fátima Bezerra (PT-RN), refletem o empenho do governo do ex-presidente Lula na expansão do ensino superior no Brasil. O aumento de recursos para o setor, na avaliação da petista, também foi fundamental para a expansão. "Em 2002, os recursos para a educação superior no país eram da ordem de R$ 19 bilhões. Em 2010, este montante saltou para cerca de R$ 60 bilhões, ou seja, três vezes mais do que recebemos. Sem isso, não seria possível formar tantos mestres e doutores", explicou.

O desafio agora, segundo Fátima Bezerra, é dar continuidade a essa política de expansão. A petista espera que o tema seja amplamente debatido durante a apreciação do novo Plano Nacional de Educação (PNE), em análise no Congresso Nacional. "Esse debate é estratégico para a qualidade da educação brasileira, pois representa passos significativos na formação do magistério brasileiro. Temos que aproveitar a discussão do PNE, que prevê metas para a educação superior, para ousarmos mais nesta área", disse Fátima, que será relatora do PNE na Comissão de Educação da Câmara.

Dados - O documento compila informações de vários órgãos ligados à pesquisa no país e avalia o resultado de um plano de investimento lançado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia em 2007. Segundo o documento, só em 2009, 161 mil estudantes estavam matriculados em programas de mestrado e doutorado de universidades brasileiras. O número equivale a 90% da soma dos mestres e doutores titulados no país de 2003 até 2009.

Fonte: Informes PT nº 4641

segunda-feira, 28 de junho de 2010

USP lidera ranking de publicações ibero-americanas

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USP lidera ranking de publicações ibero-americanas
21/6/2010

Por Fabio Reynol

Agência FAPESP – A Universidade de São Paulo é a instituição de ensino superior que mais publicou artigos científicos no período de 2003 a 2008 entre os países ibero-americanos, segundo ranking recém-divulgado.

A instituição paulista produziu 37.952 artigos no período, de acordo com o SCImago Institutions Rankings (SIR) 2010, produzido por um grupo de pesquisa sediado na universidade espanhola de Granada e que reúne pesquisadores de instituições na Espanha, Portugal, Argentina e Chile.

A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) ocupa o terceiro lugar, com 14.913 artigos, depois da Universidade Nacional Autônoma do México, com 17.395, e à frente da Universidade de Barcelona (14.742).

Entre os dez primeiros da lista ainda figuram duas outras instituições de ensino superior brasileiras, a Universidade Estadual Paulista (Unesp), em sexto lugar, com 12.270 artigos publicados, e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em sétimo, com 12.133.

Completam a lista das dez mais a Universidade Complutense de Madri (em 5º, com 12.315 artigos), a Universidade Autônoma de Barcelona (8º, com 10.911), a Universidade de Valência (9º, com 10.107) e a Universidade Autônoma de Madri (em 10º, com 9.755).

Essa classificação é apenas uma maneira de apresentar os resultados, não quer dizer que uma universidade seja melhor do que a outra porque produziu mais papers”, ressaltou Borja González, diretor de comunicação do SCImago, à Agência FAPESP.

O ranking tem como base os registros da Scopus, produzida pela editora holandesa Elsevier e considerada uma das maiores bases de dados científicos do mundo, englobando mais de 20 mil periódicos especializados.

Foram contabilizadas apenas as produções científicas oriundas de instituições de ensino superior e que publicaram pelo menos um artigo durante o ano de 2008.

O Brasil apresentou o maior número de universidades avaliadas (109 do total de 607), seguido por Colômbia (89) e Espanha (85). Juntos, os três países englobam quase a metade das instituições no ranking, que incluiu 28 nações.

No caso da Colômbia, González explica que o país tem um grande número de pequenas instituições de ensino superior, o que explicaria a quantidade de entidades do país na lista.

“Mas as universidades mais produtivas se concentram na Espanha e no Brasil. O primeiro tem 43 entre os 100 primeiros colocados do ranking e é seguido pelo Brasil com 27”, disse.

Ao se considerar apenas os países da América Latina e do Caribe, o Brasil tem mais três universidades entre as dez primeiras: as federais do Rio Grande do Sul (com 8.971 artigos), de Minas Gerais (8.107) e de São Paulo (com 7.148 artigos na Scopus no período analisado).

Para Vahan Agopyan, pró-reitor de Pós-Graduação da USP e membro do Conselho Superior da FAPESP, o primeiro lugar é resultado de um trabalho de longo prazo no sentido de priorizar a produção de conhecimento e defender a ideia de que a USP é uma universidade de pesquisa. “Temos um posicionamento bem claro no sentido de não apenas divulgar o conhecimento, mas também desenvolvê-lo”, disse à USP On-line.

Marco Antonio Zago, pró-reitor de Pesquisa da USP, atribui o destaque alcançado pela universidade a um sistema de fomento forte e competitivo que vem sendo aplicado no Estado de São Paulo desde a década de 1970.

A Pró-Reitoria de Pesquisa da USP, segundo Zago, está envolvida em estimular e dar apoio aos docentes que solicitem financiamento de agências, em especial da FAPESP.

“Na FAPESP, os projetos são submetidos a um processo de revisão por pares bastante exigente e competitivo, uma garantia de qualidade. Estamos oferecendo um estímulo de R$ 10 mil a todos os docentes admitidos na USP desde o início de 2008, desde que submetam um pedido de auxílio à pesquisa à FAPESP”, disse Zago.

Desequilíbrio

Juntos, Brasil, Espanha, Portugal, México, Argentina e Chile respondem por cerca de 90% da produção científica ibero-americana de 2003 a 2008, de acordo com o SCImago Institutions Rankings.

Além da produção científica, o grupo de pesquisa espanhol também avaliou outros aspectos, como o grau de colaboração internacional de cada pesquisa. Para isso, os avaliadores contabilizaram quantos trabalhos foram assinados por autores de diferentes nacionalidades.

Nesse quesito, Espanha e Portugal ficaram com as melhores médias. Na análise apresentada com o ranking, os investigadores justificaram o quesito ao indicar que o grau de internacionalização contribui para melhorar a visibilidade e o impacto científico das instituições.

Segundo Agopyan, a USP tem incentivado relações de seus pesquisadores com outros países. “Temos promovido cada vez mais a internacionalização e tomado medidas mais pró-ativas junto aos programas, ajudando-os a apoiar a mobilidade de professores e alunos”, disse.

O SCImago também calculou a quantidade de citações que os trabalhos científicos tiveram nas bases da Scopus para formar o indicador de qualidade científica CCP. Trata-se de índice comparativo com a média mundial de citações. Um CCP de 1,2, por exemplo, significa que a instituição é citada 20% mais vezes que a média mundial; se o índice é de 0,6, os trabalhos receberam 40% menos citações que a média mundial.

Esse número varia de acordo com a área do conhecimento, pois, de acordo com o diretor do SCImago, as diferentes áreas não apresentam a mesma quantidade média de citações.

“Em biomedicina, um artigo pode receber dez citações e outro de ciências sociais, apenas cinco. Porém, se a média mundial de citações em biomedicina for dez e a de ciências sociais for duas, esta última terá um CCP maior”, exemplificou González.

Nesse indicador, as universidades espanholas e portuguesas também saíram na frente. A média do CCP das universidades brasileiras com maior produção científica foi de 0,80.

“As universidades brasileiras podem ter menos visibilidade internacional do que as espanholas ou portuguesas, mas é importante notar que a pesquisa científica no Brasil tem crescido de maneira extraordinária até nas pequenas universidades”, disse González.
Outro indicador avaliado, chamado “primeiro quarto”, retrata o porcentual dos trabalhos que foram publicados no grupo formado por 25% das publicações mais bem avaliadas pelo ranking.

González contou que as análises dos rankings anteriores apontaram que, quanto mais uma instituição publica nas melhores revistas, mais cresce também o seu número total de publicações.

“Isso pode parecer trivial, mas não é. É esse número que auxilia os gestores das universidades na hora de decidir sobre os sistemas de incentivo e de recompensa aos pesquisadores, caso o aumento da visibilidade da instituição seja uma prioridade”, disse.

Esse sistema de aprimoramento contínuo da qualidade das pesquisas é uma das prioridades da USP, segundo Zago. “Essa excelente classificação se refere apenas ao número de publicações, o que de certa forma é influenciado pelo tamanho da USP. Estamos tomando medidas para manter essa produção elevada, mas também dedicando muita atenção à necessidade de melhorar nossa qualidade”, disse.

Mesmo estando atrás de Espanha e Portugal em alguns quesitos, o Brasil tem apresentado um crescimento em sua pesquisa científica acima da média mundial, segundo o diretor de comunicação do SCImago.

“O Brasil é um caso fascinante na ciência mundial. O crescimento científico brasileiro é fantástico e está criando uma boa estrutura de pesquisa em todo o país. Isso é notório nas grandes e nas pequenas universidades, que também crescem mais rápido do que as pequenas de outros países”, disse González. Segundo ele, a tendência é que as diferenças entre grandes e pequenas instituições de pesquisa no país se tornem cada vez menores.

Mais informações e o ranking completo: www.scimagoir.com

Extraído de Agência FAPESP

quinta-feira, 11 de março de 2010

Livros digitais da Unesp

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Livros digitais da Unesp

Por Fábio de Castro
11/3/2010

Agência FAPESP – A Universidade Estadual Paulista (Unesp) encontrou uma solução inovadora para oferecer acesso universal ao conhecimento produzido em sua pós-graduação: o Programa de Publicações Digitais, que lança nesta quinta-feira (11/3) sua primeira coleção, com 44 títulos inéditos.

O programa, decorrente de uma parceria entre a Fundação Editora Unesp (FEU) e a Pró-Reitoria de Pós-Graduação (PROPG) da universidade, publica em formato digital livros exclusivamente produzidos para esse fim, com foco nas áreas de ciências humanas, ciências sociais e aplicadas e linguística, letras e artes.

De acordo com o assessor da PROPG, Cláudio José de França e Silva, os títulos iniciais foram selecionados pelos Conselhos de Programas de Pós-Graduação da universidade.

“No mesmo momento em que estamos lançando esses títulos, publicamos a chamada para a edição 2010 do programa, que editará mais 58 livros. O objetivo do programa, lançado em 2009, é editar 600 livros digitais em dez anos”, disse França e Silva à Agência FAPESP.

Segundo ele, cada programa de pós-graduação da Unesp pode indicar até dois livros para publicação no âmbito do Programa de Publicações Digitais. “É uma maneira inovadora para dar vazão à grande produção acadêmica da Unesp nessas áreas do conhecimento. Todos os livros editados são derivados de pesquisas realizadas em nossos programas de pós-graduação, incluindo muitas teses e dissertações, além de trabalhos de docentes e egressos da universidade na última década”, explicou.

O objetivo principal é universalizar o conhecimento produzido pelos pesquisadores da Unesp em grande escala. “Boa parte da pesquisa fica restrita ao público acadêmico. Por outro lado, a publicação em papel de um volume tão grande de obras levaria anos e teria grandes custos. Com o programa, encontramos uma maneira viável para que esse conhecimento possa atingir um público amplo”, disse.

Como as obras passaram pelo crivo dos conselhos, o conjunto de 44 títulos é um reflexo dos próprios programas de pós-graduação da Unesp. “A seleção das obras leva de três a quatro meses para ser feita. No total, contando com todo o processo de edição e revisão, levamos cerca de um ano entre o início da seleção e a publicação dos livros”, disse França e Silva.

Segundo o assessor, existem outras iniciativas, em outras instituições, de disponibilização de conteúdos de livros na internet. Mas, pela primeira vez, uma universidade realiza um programa que publica obras projetadas, em sua origem, para o lançamento em formato digital.

“Esse é o caráter pioneiro do programa. A proposta é que esses livros permaneçam disponíveis em formato exclusivamente digital, sem qualquer custo para o leitor, democratizando a produção acadêmica da universidade”, afirmou.

As diretrizes do programa vetam a produção de obras derivadas a partir dos livros digitais lançados, a fim de garantir a integridade das obras. Também não é permitida a comercialização.

“Os livros têm um conceito muito bem claro, com um padrão de capas e de editoração definidos. Com isso, bastaria imprimi-los, da maneira que estão apresentados na internet, para termos essas obras em papel. Mas a ideia é que sejam mantidos como livros digitais apenas”, afirmou.

Para baixar os livros, segundo França e Silva, o leitor deve apenas preencher um cadastro sumário no site da Editora da Unesp e gerar uma senha que dá acesso às obras.

“O projeto é de grande importância para os autores. Suas obras, com a chancela da Unesp, serão acessadas por um público universal, que nunca seria atingido se a publicação fosse em papel. Iremos, ainda, ter o controle da quantidade e localidade dos downloads, o que nos permitirá aperfeiçoar as estratégias de publicação no futuro”, afirmou.

Para França e Silva, o público não deverá oferecer resistência ao novo formato. “Quando se começou a digitalizar os periódicos houve uma resistência inicial, mas hoje a maior parte das publicações é feita nesse formato. No entanto, não acreditamos que o livro de papel esteja desaparecendo. Trata-se apenas de uma nova forma de divulgar a ciência”, disse.

Segundo ele, os livros digitais serão cada vez mais importantes, em particular para as áreas de humanidades e artes – por isso o programa tem foco nessas áreas.

“Em geral, os pesquisadores das áreas de exatas e biológicas querem encaminhar suas pesquisas para periódicos o mais rápido possível. Mas nas áreas de humanas o livro tem um peso todo especial”, disse.

Mais informações: www.culturaacademica.com.br

Estraído de Agência FAPESP
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quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Ceticismo bem brasileiro


Ceticismo bem brasileiro

Por Fábio de Castro
27/1/2010


Agência FAPESP – A importância do ceticismo para a história da filosofia é cada vez mais evidenciada por especialistas em todo o mundo. Mas, no Brasil, um grupo de pesquisadores foi além da exploração da dimensão histórica dessa corrente filosófica, colocando em pauta a discussão contemporânea sobre o tema e dando uma contribuição original para a teoria filosófica.

Durante quatro anos, o Projeto Temático “O significado filosófico do ceticismo”, apoiado pela FAPESP, articulou as reflexões contemporâneas sobre o tema, que ganharam corpo a partir de 1997, com a publicação do artigo O Ceticismo pirrônico e os problemas filosóficos, do filósofo Oswaldo Porchat – professor emérito da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo e fundador do Departamento de Filosofia da Universidade Estadual de Campinas –, que é considerado o marco fundador de uma vertente autenticamente brasileira do pensamento: o neopirronismo.

De acordo com o coordenador do projeto, Plínio Junqueira Smith, professor do Departamento de Filosofia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em Guarulhos (SP), além da publicação de diversos artigos e da realização de encontros periódicos – que consolidaram uma rede de estudiosos do ceticismo no país –, uma das maiores conquistas do Temático foi a inserção internacional conseguida pelo grupo.

“Em filosofia, a escrita e a argumentação teórica são aspectos fundamentais da produção acadêmica e, por isso, a língua é uma barreira importante para atingir projeção internacional. Mesmo assim, fomos capazes de estabelecer um diálogo com a comunidade de filósofos de outros países”, disse Smith à Agência FAPESP.

Essa interação internacional foi possível, segundo ele, porque o grupo é bastante moderno do ponto de vista da pesquisa. “Nosso grupo, montado pelo professor Porchat, foi o primeiro no Brasil a ter uma pesquisa de ponta organizada, coletiva, com a organização de encontros sistemáticos. Foi uma iniciativa pioneira e hoje há vários grupos de alto nível no Brasil na área”, disse.

Smith, que teve sua tese de doutorado “O Ceticismo de Hume” defendida em 1991, sob orientação de Porchat, explicou que o Temático consolidou o grupo ao propor estudos em duas vertentes: a dimensão histórica e a discussão contemporânea sobre o ceticismo.

“Diferentemente das ciências, a filosofia trabalha muito com a história, alimentando-se dela. Mesmo as reflexões contemporâneas são herdeiras dos problemas trabalhados nessa perspectiva. A dimensão histórica do ceticismo vem se expandindo de maneira impressionante nos últimos 50 anos, com os estudos se multiplicando em todo o mundo. Por isso, uma das vertentes destacou esse aspecto”, explicou.

Por outro lado, o movimento iniciado com a contribuição original de Porchat – que atualizou o ceticismo tradicional à luz da filosofia analítica e da filosofia da ciência – proporcionou que os pesquisadores fossem além dos aspectos históricos.

“A filosofia não é só história e grande parte da discussão no Projeto Temático girou em torno das propostas originais de Porchat relacionadas ao neopirronismo. Essa vertente capitalizou o interesse de gente que não tinha, a princípio, interesse no ceticismo, mas estava disposta a desenvolver reflexões próprias e se aproximou do grupo ao ver que não estávamos fazendo apenas história”, disse Smith.

O neopirronismo, fundado por Porchat, é uma conciliação teórica entre o ceticismo e a filosofia analítica britânica. Isto é, trata-se de um pensamento capaz de trazer para a filosofia contemporânea as intuições básicas do antigo ceticismo pirrônico, aplicando o olhar cético sobre a cultura do mundo atual – em especial no que diz respeito a temas como a ciência moderna.

Com o neopirronismo, Porchat defende uma filosofia que acrescente algo à vida cotidiana, sob pena de se tornar um mero jogo de palavras. Essa releitura do pirronismo permite uma filosofia que, ligada ao discurso comum, permite o consenso objetivo em relação aos fenômenos. Assim, Porchat restitui à razão uma aplicação não-dogmática no domínio da experiência humana.

Descrentes por definição

O ceticismo é uma corrente filosófica que teve início com Pirro de Élis (360-275 a.C.), contemporâneo de Aristóteles (384-322 a.C.). Seu último grande representante foi Sexto Empírico, que viveu entre os séculos 2 e 3 da era cristã.

“Foi uma corrente importante e duradoura, que depois ressurgiria com força no Renascimento. Desde então, tornou-se uma preocupação constante para boa parte dos grandes filósofos”, disse Smith, mencionando os exemplos de Michel de Montaigne (1533-1592), René Descartes (1596-1650), Blaise Pascal (1623-1662), David Hume (1711-1776), Immanuel Kant (1724-1804) e Johann Fichte (1762-1814).

“Também para a chamada filosofia analítica – corrente basicamente de língua inglesa que se desenvolveu ao longo do século 20 – o ceticismo acabou sendo central. Em especial para a filosofia do conhecimento”, explicou.

Originalmente de cunho filosófico, o termo “ceticismo” caiu, mais tarde, no senso comum, com uma acepção que se contrapõe à religião. Embora essa acepção não esteja completamente fora da realidade, ela não dá conta do que é realmente o ceticismo em termos filosóficos.

“A ideia de ceticismo se relaciona, de fato, a uma forma de agnosticismo. Mas a relação entre ceticismo e religião não é muito clara e esse é justamente um dos nossos campos de investigação. Mesmo porque no século 17 alguns filósofos tentaram usar o ceticismo em defesa da religião, no que chamavam de ‘fideísmo cético’. No século 18, a aproximação com o agnosticismo e o ateísmo é muito mais forte”, disse.

A posição cética, segundo Smith, corresponde a uma descrença, mas não propriamente ao ateísmo. “Na caracterização mais geral, o cético é aquele que suspende o juízo e não acredita em nada a priori nas questões filosóficas. Ele examina os dois lados da questão criticamente e não opta por nenhum deles. Essa posição tem consequências religiosas, já que não afirma a existência ou inexistência de Deus”, apontou.

O ceticismo, então, critica a capacidade da razão humana em estabelecer provas filosóficas. Ele se opõe, portanto, não à religião, mas ao dogmatismo. “Dogma, em grego, significa ‘acreditar’. Caracterizar alguém como dogmático não tem nenhum sentido pejorativo, mas apenas descritivo: dogmático é aquele que aceita uma doutrina filosófica qualquer”, disse Smith.

Pensadores como o britânico Richard Dawkins, que defende o ateísmo em seus livros, não são considerados céticos, de acordo com Smith. “Dawkins se caracteriza como dogmático ao defender a tese de que Deus não existe. O cético não admite essa doutrina, já que não são apresentadas provas da inexistência de Deus”, afirmou.

Um dos aspectos trabalhados pelo Temático consistiu em mostrar que o ceticismo é uma forma de empirismo. “Nem todo empirista é cético, pois o cético não crê na verdade das coisas. Mas em relação a teorias científicas, ele pode aceitar uma explicação científica como mais adequada que outras, no aspecto empírico. Isto é, ele não sabe se Deus existe. Mas admite que as explicações da física para a origem da matéria são muito mais plausíveis que os argumentos religiosos”, disse.

A relação entre o ceticismo e a teoria do conhecimento é uma das discussões contemporâneas abordadas pelo grupo. “O papel do ceticismo no contexto da produção científica foi uma das discussões mais interessantes. A compreensão da própria natureza do conhecimento científico hoje passa pela questão de ceticismo. Questões como o grau de liberdade do cientista foram tratadas a fundo. O ceticismo como perspectiva para avaliar o papel da ciência também foi discutido: nos perguntamos até que ponto a verdade é um valor fundamental, destacou o professor da Unifesp.

Houve ainda outros eixos de discussões atuais sobre o ceticismo: sua relação com a moral e a política, por exemplo. “Publicamos artigos nessa direção, que é muito pouco explorada historicamente. É relevante, atualmente, discutir que tipo de posição política o cético adota em relação à cidadania, ou às várias formas de governo e posições no espectro político”, disse.

Agencia FAPESP
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quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Da propriedade intelectual à economia do conhecimento

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Caros amigos,

O eixo central de geração de valor desloca-se do conteúdo material para o conteúdo de conhecimento incorporado aos processos produtivos. Com isso criou-se uma batalha ideológica e econômica em torno do direito de acesso ao conhecimento. O acesso livre e praticamente gratuito ao conhecimento e à cultura que as novas tecnologias permitem é uma benção e não uma ameaça. Constituem um vetor fundamental de redução dos desequilíbrios sociais e da generalização das tecnologias necessárias à proteção ambiental do planeta. Tentar travar o avanço deste processo, restringir o acesso a conhecimento e criminalizar os que dele fazem uso não faz o mínimo sentido. Faz sentido sim estudar novas regras do jogo capazes de assegurar um lugar ao sol aos diversos participantes do processo.

Publiquei recentemente no site (16.10), em Artigos Online, um artigo de 30 páginas sobre esse tema, Da propriedade intelectual à economia do conhecimento. O texto constitui antes de tudo uma sistematização dos argumentos, revisando alguns dos principais autores sobre o assunto.

Um abraço,
Ladislau


Recebido do Eminente Professor Economista Ladislau Dowbor* - contatoladislau@gmail.com
Em segunda-feira, 19 de outubro de 2009 09:40


Uma visita ao site do Professor é viagem de lucidez e comprometimento. Axé!

* Economista político graduado na Universidade de Lausanne, Suiça; Doutor em Ciências Econômicas pela Escola Central de Planejamento e Estatística de Varsóvia, Polônia (1976). Atualmente, é professor titular da pós-graduação da PUC-SP e presta consultoria para agências da ONU, governos e instituições.

Clique para ver seus artigos em Le Monde Diplomatique.

Você pode fazer seu cadastro para receber as novas produções do Professor. Envie um e-mail para contatoladislau@gmail.com

O Professor Ladislau Dowbor tem intensa produção editada, mas por questão de princípio disponibiliza tudo "livre para baixar" em seu site http://www.dowbor.org... Quem quiser publicar com ele, já sabe sobre isso, de antemão.

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quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Unicamp totalmente digital

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Unicamp 100% digital

14/10/2009

Agência FAPESP – Com o total de 30.871 teses e dissertações em sua Biblioteca Digital, a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) se tornou a primeira universidade brasileira a ter 100% dessa produção em formato eletrônico e com acesso livre pela internet.

Desde 2004, quem quiser baixar uma cópia dos trabalhos precisa se cadastrar, o que tem permitido um controle detalhado dos acessos.

“Até o momento foram 4,3 milhões de downloads. A maior média é da área de humanidades e artes, com 1,6 milhão de downloads e 7.705 teses, média de 217 cópias por pesquisa. A média geral, considerando todas as áreas, é de 143 downloads por tese”, disse Luiz Atílio Vicentini, coordenador da Biblioteca Central Cesar Lattes e do Sistema de Bibliotecas da Unicamp.

A Biblioteca Digital da Unicamp passou dos 20 milhões de visitas, com um grande salto ocorrido a partir de 2005, quando o acervo foi indexado ao Google. “De 1 milhão naquele ano, a quantidade de visitas foi para mais de 3 milhões em 2006; em 2008 foram 6,5 milhões de acessos e, este ano, já temos mais de 5 milhões. Registramos picos de 30 mil visitas por dia”, disse Vicentini ao portal da universidade.

De acordo com o coordenador, há mais de 800 mil usuários cadastrados. O último levantamento apontou quase 24 mil downloads por usuários de 73 países, com destaque para Espanha e Portugal.

O estudo mais acessado, intitulado O conhecimento matemático e o uso de jogos na sala de aula, foi apresentado por Regina Célia Grando na Faculdade de Educação e teve até o dia 13 de outubro 8.485 downloads e 43.784 visitas.

Mais informações: http://libdigi.unicamp.br

Estraído de Agencia FAPESP
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sábado, 28 de fevereiro de 2009

Biblioteca Digital da UNICAMP

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Sistema Nou-Rau: Biblioteca Digital da UNICAMP
http://libdigi.unicamp.br/document/list.php




Arquivo Sérgio Buarque de Holanda - Arquivo Central UNICAMP
Catálogo Referencial e Fotográfico do Arquivo Sérgio Buarque de Holanda

Congressos e Seminários
Trabalhos Apresentados em Eventos

Dissertações e Teses
Produção Científica da UNICAMP

Hemeroteca - CMU - Campinas
Acervo Digital

Partituras
Centro de Documentação de Música Contemporânea - CDMC-Brasil/UNICAMP; Instituto de Artes - IA

Periódicos Eletrônicos UNICAMP
Periódicos Publicados pela UNICAMP em Formato Eletrônico

Produção Técnico-Científica Digital
Faculdade de Educação
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domingo, 16 de março de 2008

Dissertações e Teses em acesso livre (06)

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Dissertações de Mestrado

- Michel Foucault e a constituição do corpo e da alma do sujeito moderno
Autor: Silveira, Fernando de Almeida
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/59/59137/tde-17052004-120350/

- A unidade da verdade em Erasmo
Autor: Nassaro, Silvio Lucio Franco
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8133/tde-13112006-142531/

- O que é resiliência humana? Uma contribuição para a construção do conceito
Autor: Barlach, Lisete
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47134/tde-19062006-101545/

- Do indivíduo à cultura: um estudo sobre Freud
Autor: Soria, Ana Carolina Soliva
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8133/tde-29052006-201930/

- Um Acerto de Contas com o Futuro. A anistia e suas conseqüências - um estudo do caso brasileiro
Autor: Mezarobba, Glenda Lorena
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8131/tde-06112006-162534/

Teses de Doutorado

- Corpos sonhados - vividos: A questão do corpo em Foucault e Merleau-Ponty
Autor: Silveira, Fernando de Almeida
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/59/59137/tde-09062006-162253/

- Ciência e teologia nos caminhos de Pascal
Autor: Parraz, Ivonil
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8133/tde-05062006-113525/

domingo, 11 de novembro de 2007

Dissertações e Teses em acesso livre (05)

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Dissertações de Mestrado

- Fortuna e superstição: um estudo destes temas no Tratado teológico-político de Espinosa
Autor: Rocha, Andre Menezes
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8133/tde-01112007-151604/

- Uma reconstrução racional da concepção utilitarista de Bentham
Autor: Dias, Maria Cristina Longo Cardoso
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Teses de Doutorado

- O valor heurístico das nuvens para o curso de história da educação
Autor: Tsuruda, Maria Amalia Longo
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48134/tde-09112007-102121/

Esta tese visa a mostrar que a comédia As Nuvens de Aristófanes (423 a.C.) possui um valor heurístico para os alunos de graduação de Pedagogia, isto é, que a obra possibilita um trabalho de cotejo de textos para a formação de um quadro complexo da educação ateniense da época. Compõe-se de duas partes, a primeira dedicada ao estudo da peça e de suas possíveis relações com o ensino da filosofia em Atenas e a segunda dedicada ao relato do trabalho com alunos, desenvolvido durante duas experiências com o Curso Experimental. A metodologia utilizada baseia-se em três pilares, a pesquisa bibliográfica, a análise textual e a aplicação experimental em sala de aula. A avaliação final do trabalho mostra que As Nuvens possui um caráter altamente heurístico e que a sua aplicação em sala de aula apresenta resultados altamente satisfatórios.

- Crítica e autonomia em Kant: a forma legislativa entre determinação e reflexão
Autor: Keinert, Mauricio Cardoso
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8133/tde-01112007-153708/

- Nietzsche e o primado da prática: um espírito livre em guerra contra o dogmatismo
Autor: Mattos, Fernando Costa
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8133/tde-01112007-140014/

- Participação política como exercício da cidadania
Autor: Freire, Roberto de Barros
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8133/tde-01112007-154422/
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- A palavra em Paulo Freire e a palavra em Jacques Lacan
Autor: Calixto, Flander de Almeida
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48134/tde-08112007-152104/

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Dissertações e Teses em acesso livre (04)

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Dissertações de Mestrado

- O metafísico no olhar: a pintura na filosofia de Merleau-Ponty
Autor: Furlan, Annie Simões Rozestraten
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/59/59137/tde-30072007-140242/
Disponibilidade: acessível apenas dentro da Universidade de São Paulo

- Hábito - expectativa: uma noção de sujeito a partir de David Hume
Autor: Stival, Monica Loyola
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8133/tde-09102007-141926/


Teses de Doutorado

- Ágora, dêmos e laós: os modos de figuração do povo na assembléia homérica - contradições, ambigüidades e indefinições
Autor: Julien, Alfredo
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8138/tde-05072007-102301/

- Brasil e África do Sul: os paradoxos da democracia. Memória política em democracias com herança autoritária
Autor: Teles, Edson Luis de Almeida
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8133/tde-10102007-150946/

- Transformismo e extinção: de Lamarck a Darwin
Autor: Ferreira, Marcelo Alves
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8133/tde-24102007-150401/

- Contribuição ao estudo do sistema de crédito em \'O Capital\' de Karl Marx
Autor: Mello, Caio Roberto Bourg de
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8137/tde-22102007-113450/

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Dissertações e Teses em acesso livre (03)

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Dissertação de Mestrado
- História, política e revolução em Eric Hobsbawm e François Furet
Autor: Correa, Priscila Gomes
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8138/tde-06072007-120331/

Tese de Doutorado
- Idéias para uma pedagogia da desconstrução: desdobramentos da ontologia de Martin Heidegger
Autor: Colpo, Marcos Oreste
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48134/tde-25072007-160352/

sábado, 30 de junho de 2007

Dissertações e Teses em acesso livre (01)

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Dissertação de Mestrado
- Hannah Arendt e a separação entre política e educação
Autor: Ferreira, Manuela Chaves Simões
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48134/tde-25062007-112716/

Tese de Doutorado
- Entre a educação e o plano de pensamento de Deleuze & Guattari: uma vida...
Autor: Benedetti, Sandra Cristina Gorni
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48134/tde-26062007-090606/