sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

“Orfeu”, de Claudio Monteverdi, e o início da aventura humanista na filosofia e na política


Orfeu, de Claudio Monteverdi, 1567 – 1643


Quando esta obra foi estreada em Mantua, em fevereiro de 1607, havia passado poucos anos da realização do Concílio de Trento, em 1563, no qual se confirmava a existência do purgatório da tradição católica do século VI. Mesmo que a idéia já tenha sido usada por Dante, na Divina Comédia, desde finais do século XIII, poetas como Monteverdi se fixavam no modelo da antiguidade clássica grega que concebia apenas a existência do Paraíso e do Inferno. Curioso também é que mesmo o heliocentrismo, acabado de ser defendido por Copérnico, desde a primeira metade do século XVI, não é aceito nos versos de L’Orfeo, onde o sol continua a girar em torno da terra da concepção geocentrista da Igreja.

Se L’Orfeo é o nascimento da ópera na Renascença italiana, é também o início da aventura humanista nos campos da filosofia e da política, não cabendo mais a Deus a determinação do destino humano. E tanto é esta a idéia central do drama que Orfeu se torna o único responsável pela sua desgraça quando desobedece ao deus do Hades e retorna o olhar para trás desconfiando de que Eurídice o seguia no retorno do Inferno para a luz do sol e quebrando com isso o contrato que ele próprio estabelecera. Trata-se aqui de uma fábula sobre o livre arbítrio que faz do cidadão um indivíduo responsável pela seu próprio destino e liberdade. E não mais um servo de quaisquer deuses ou senhores por mais poderosos que sejam.

O próprio fato de Monteverdi intitular sua peça, considerada marco de surgimento do que passará a se chamar simplesmente de ópera, de “Favola in Musica”, nos dá a dimensão de que se trata de um gênero alegórico, referente ao mundo do inverossímil, e não simplesmente de um “drama musicale”, como no gênero que se seguirá com o advento da ópera lírica e do verismo italiano, cujos argumentos

São necessariamente verossímeis. Curioso também é sua escolha do clássico mito de Orfeu, identificado na cultura grega como o arquétipo da música e de seu poder de sedução e encantamento, o que, se o afastava do mundo real da polis, o levava a reconciliar o homem com seu próprio destino.

Vale a pena assistir a esta belíssima montagem do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, com direção de cena de Alberto Renault e direção de orquestra e cravo de Marcelo Fagerlande, esta particularmente brilhante e de nível internacional.

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sábado, 1 de dezembro de 2007

Reflexões sobre o Ensino de Filosofia nos vários Cursos de Graduação




Sergio Tiski [1]

Caras Amigas e Caros Amigos: Espero e desejo que estejam e permaneçam bem!
Estou reenviando o texto Reflexões sobre o ensino de filosofia nos vários cursos de graduação, agora finalizado, para o caso de alguém se interessar. Considero-o finalizado, mas se alguém ainda quiser enviar críticas, sugestões, etc., serão sempre bem-vindas. Vai ser publicado como capítulo de um livro. Agradeço a compreensão! Tudo de bom! Sergio Tiski.


RESUMO: O objetivo deste trabalho é proporcionar algumas reflexões sobre o ensino de filosofia nos vários cursos de graduação (exceto a graduação em Filosofia) e assim contribuir para o seu exercício. As fontes principais são as nossas experiências nesse trabalho. Recolhemos dessas experiências muitos elementos que consideramos importantes para estas reflexões e fazemos derivar delas uma espécie de proposta que pode inspirar nossas idéias, mesmo durante o exercício destas reflexões, mas que também poderá provocar novas iniciativas a serem encaminhadas futuramente.

Palavras-chave: educação, ensino, filosofia, graduação

Introdução

Este trabalho busca delinear, a partir da nossa experiência em algumas instituições de ensino superior, e a partir do trabalho em vários cursos de graduação dessas instituições, uma maneira possível de ensino de filosofia nos vários cursos de graduação, excetuando o curso de graduação em Filosofia. Focalizamos, como exemplos, os cursos de Medicina, Agronomia, Educação Física e Administração de Empresas.

1. O ensino de filosofia nos cursos de graduação

Utilizamos, neste trabalho, a definição etimológica de filosofia: busca da sabedoria, apresentando, no entanto, algumas considerações a esse respeito. Busca contínua, porque até hoje ainda não atingimos a sabedoria completa (desautorizamos, portanto, o dogmatismo). Mas também busca que veio e vem conquistando de mais em mais sabedoria (logo, também não concordamos com o ceticismo). Hoje certamente sabemos mais do que no passado [2]. Além disso, compreendemos a filosofia como uma entre as seis formas de sabedoria ou conhecimento: senso comum, arte, ciência, filosofia, teologia e mito, classificação que retomaremos mais adiante.

Já ensinamos filosofia em cursos de filosofia desde 1979 (IFA = Instituto Filosófico de Apucarana e UEL) e também em vários outros cursos de graduação (na FAC = Faculdade de Administração e Ciências Contábeis de Arapongas – PR, na FAFICLA = Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Arapongas – atualmente incorporadas pela UNOPAR – e na UEL: Administração de Empresas, Ciências Contábeis, Ciências Sociais, Educação Física, Letras, Matemática, Química etc.) desde 1983, a partir de várias subáreas (Introdução à Filosofia, Lógica, História da Filosofia, Filosofia da(s) Ciência(s) etc.). As reflexões aqui desenvolvidas se referem ao ensino de filosofia realizado nesses últimos.

1.1. Parte geral aplicável a todos os cursos

Certamente o ensino de filosofia nesses cursos, com mais ou menos horas-aula, deve ocorrer principalmente graças a uma das mais marcantes características do conhecimento filosófico, a saber, a busca da visão de conjunto [3]. Como geralmente os cursos de graduação tomam frações do conhecimento e da realidade, especializando os futuros profissionais, seus gestores acadêmicos precisam advertir os alunos em relação à necessidade de uma visão mais abrangente. Precisam ao menos chamar a atenção dos estudantes no sentido de que o conjunto do conhecimento é maior do que a parte dele a respeito da qual serão especialistas. E, do mesmo modo, no sentido de que a realidade é maior do que a parte dela a respeito da qual serão especializados.

Nesse sentido, sempre procuramos pautar a participação ou a contribuição da filosofia na direção de cumprir essa intenção. Como a realidade é um inteiro, e como cada especialista toma apenas fração dela, e como, enfim, precisamos enfrentar a realidade inteira, então parece ser sábio assumirmos uma perspectiva interdisciplinar e multiprofissional. E isso só é possível a partir de uma visão de conjunto.

Assim, no primeiro encontro com os alunos explicitamos a coerência entre o nosso programa para a disciplina (conteúdo programático, metodologia, modos de avaliação, cronograma, bibliografia etc.), aprovado pelos gestores acadêmicos do curso, e a ementa proposta para ela pelos próprios gestores. Argumentamos no sentido de convencê-los a respeito da razoabilidade do programa e, conseqüentemente, da sua aceitação, de tal modo que ele acabe sendo “combinado” entre as partes. Nessas “negociações” já ocorreram acréscimos ou supressões; e, em algumas ocasiões, o programa acabou sendo alterado posteriormente, durante a sua aplicação, pela necessidade. Nunca ocorreu impasse suficiente para impedir o trabalho [4].

Como primeiro conteúdo do programa, seguindo essa perspectiva, normalmente temos proposto a reflexão sobre a relação entre realidade, conhecimento e ação [5]. O que é realidade? O que é a realidade? O que é real? O que é o real? Qual é a realidade? Qual é o real? O que é conhecer? Quais são os tipos de conhecimento humanos? Apenas o tipo sensível e o tipo racional? Também o intuitivo? Também outros? Quais são as formas de conhecimento? Por que e como agir? Qual fatia da realidade é objeto de cada curso? Qual problema real (realidade) deve ser estudado (conhecimento) e resolvido (ação) pelo profissional que cada um quer ser? Afinal, um profissional é formado para saber resolver problemas reais.

Obviamente a relação cognoscitiva com a realidade não é a única relação das pessoas com ela. A relação cognoscitiva é intermediária. Antes de conhecer “sofremos” a realidade (“sentir”, no sentido passivo). E o conhecimento ajuda a que nos adaptemos ou a que adaptemos a realidade a nós, isto é, a que reajamos ou ajamos de alguma forma (“sentir”, no sentido ativo, ou seja, tender ou nos movermos com mais ou menos liberdade). O conhecimento se localiza entre a pressão que sofremos da ou na realidade e a reação ou ação que desencadeamos em relação a ela. Conhecer bem, conhecer o máximo possível é a sabedoria necessária para a ação que deve gerar a felicidade.

O segundo tema de discussão se desenvolve no sentido de diferenciar entre formas de conhecimento possíveis. Normalmente apontamos pelo menos seis formas de conhecimento, conforme já indicado acima [6]. O senso comum, a arte e a ciência constituem o trio mais prático, mais próximo do concreto, decrescentemente, enquanto que a filosofia, a teologia e o mito constituem o terno mais teórico, mais abstrato, também decrescentemente.

Do mesmo modo que o graduando deve localizar a sua fração de realidade, assim também deve perceber a sua parte de estudo no conjunto do conhecimento. Geralmente os nossos cursos de graduação são subconjuntos do conhecimento científico, mas há também cursos pertencentes ao conhecimento artístico, ao conhecimento teológico e ao conhecimento filosófico, quando os cursos dessas duas últimas formas de conhecimento não estão incluídos na ciência, isto é, entre os cursos considerados científicos, a teologia como ciência ou ciências da religião e a filosofia como uma das ciências humanas.

Só não existem, evidentemente, cursos de graduação pertencentes ao senso comum e à forma mítica de interpretação ou conhecimento. Mas não nos enganemos: a maior parte das decisões em vista das nossas ações se dá a partir do senso comum, do “bom senso”, da praticidade da vida e da “paixão” mítica. Se somarmos a esses dois moventes a influência religiosa e a influência estética, podemos perguntar e responder que poucas de nossas ações são derivadas diretamente do impulso científico e filosófico, isto é, de acentuação intencional e explicitamente racional (contrapondo essa acentuação intencional e explícita ao fato que o senso comum, o mito, a arte ou a teologia dão respostas principalmente práticas, apaixonadas, estéticas ou a partir da Divindade, respectivamente).

Neste ponto da discussão parece ser este o momento de se pensar também sobre a relação do conhecimento com a ideologia [7]. O que vamos aprender, o que temos aprendido, o que estamos aprendendo é ciência, é filosofia, enfim, é conhecimento ou é ideologia? Há ou haverá o desvelamento, o descobrimento da realidade, o desmascaramento verdadeiro do objeto ou ocorrerá o seu o contrário? Aprenderemos algo, alguma coisa, exatamente para não vermos o resto ou para não compreendermos o todo? Será que o mais importante é exatamente o que não está sendo mostrado? Vemos também nas entrelinhas? Por baixo, por cima, pelos lados, por dentro? Estão nos mostrando, estamos vendo a amplitude e a profundidade do real?

O estudo só é realmente proveitoso se possibilitar, de algum modo, a realização da pessoa. As pessoas são os únicos animais de mundo (amplitude) e de realidade (profundidade). De mundo porque “mundificam”, isto é, fazem mundo, vêem e ou estabelecem relações, como por exemplo: uma folha de árvore na árvore ou no chão, aqui, influencia na China. E vice-versa. Temos que nos perceber localizados em uma região de um estado, de um país, de um continente, de um planeta, de um sistema solar, de uma galáxia, de um universo de galáxias... Mundo percebido espacial e também temporalmente: arrancar a folha da árvore agora ou amanhã provoca conseqüências diferentes no agora, no amanhã e no depois de amanhã. Ao contrário disso, os simples animais não sabem que são, por exemplo, cavalos “árabes” ou vacas “holandesas” (espaço) ou, ainda, que seus ascendentes chegaram ao Brasil no século XVI (tempo). Nunca se ouviu, como outro exemplo, que efetivamente os cavalos de uma determinada região (espaço) tenham convocado os seus pares para uma assembléia a discutir e deliberar sobre a dominação imposta a eles pelo animal humano (tempo).

Somos também animais de realidade: apenas as pessoas perguntam “o que é isto?” E procuramos, descobrimos ou inventamos a resposta (a realidade, o real): Isto, por exemplo, é H2O, é água, é rio, é chuva, é solução para a sede, para o calor, para o nascimento das plantas, para a produção de energia elétrica etc. Eis o real! Ou pelo menos “algum real”... Ao contrário disso, os simples animais, como outro exemplo, apenas têm sede e bebem a água que lhes sacia a sede, mas não perguntam o que é a sede ou o que é isto que sacia a sua sede.

No entanto, mundo e realidade só interessam se forem o lugar e a efetividade da liberdade e da felicidade. Por isso é necessária a distinção entre o conhecimento e a ideologia.

O tema seguinte pode ser apresentado pela pergunta: Como se tem diagnosticado até agora a realidade e, conseqüentemente, que conhecimento já se conseguiu e, mais ainda, qual é, então, o jeito sábio de viver? Afinal não somos os primeiros a buscar a sabedoria. É a hora de vermos a história, mais ou menos lentamente, conforme o número de horas-aula disponíveis. Como as várias filosofias, os vários filósofos interpretaram a realidade? Que sabedoria propuseram ou propõem? Não precisamos reinventar a roda, por exemplo. Muita coisa já foi e está bem diagnosticada. Trata-se de “encarar” e de “acertar a conta” com a tradição. Para essa questão recomendamos alguma das muitas histórias da filosofia e os textos dos próprios filósofos [8].

A seguir podemos perguntar pelos fundamentos lingüísticos, lógicos, epistemológicos e metafísicos (metafísica, no mínimo como marco teórico-metodológico). Desse modo, é possível contribuir muito para a tomada de consciência dos fundamentos de cada ramo de ciência ou conhecimento, e da fração de realidade à qual cada especialização se refere. Quanto a esses fundamentos, temos que recorrer aos textos correspondentes de filosofia da linguagem, lógica, epistemologia e metafísica [9].

O mesmo se pode fazer em relação aos princípios morais das ações vistas ou decididas como necessárias. Qual ação é a mais justa, atinge melhor o bem ou ao menos o bem maior? O que é, qual é o bem? Sobre esse assunto recomendamos os textos de introdução à filosofia moral ou ética [10].

1.2. Parte específica a cada curso

A partir deste ponto podemos afunilar para a especificidade de cada curso. Trata-se de um curso próprio a qual subconjunto de conhecimento? ciências humanas? ciências sociais aplicadas? educação, comunicação e artes? educação física e desportos? ciências exatas? ciências agrárias? tecnologia e urbanismo? ciências biológicas? ciências da saúde?

E também, coerentemente, afunilamos para a especificidade da porção de realidade correspondente a cada curso. Qual é ou quais são os problemas específicos a serem resolvidos por este especialista? Trata-se de um problema humano? social? de educação? de comunicação? de estética? de motricidade humana? de medida? de lazer? agrário? de tecnologia? de organização da cidade? vital? biológico? de saúde?

Depois da discussão do programa (conteúdo programático, metodologia, modos de avaliação, cronograma, bibliografia etc.) e do estudo dos temas da parte geral [11], e a partir desse afunilamento localizador do curso em questão no conjunto do conhecimento e da realidade, podemos escolher temas de interesse específico da área.

Se estivermos no curso de Medicina, por exemplo, poderemos debruçar-nos sobre as questões referentes à vida (o que é, como é, de quem é, quando começa, quando termina ou terminou etc.), à saúde, à doença etc., a partir do (ou de um explicitado) enfoque filosófico. Escrevemos recentemente três artigos que podem ilustrar essa possibilidade de elegermos temas julgados relevantes: Sobre a humanização dos profissionais da saúde, Sobre a relação entre teoria e prática na saúde e Sobre a relação entre teoria e prática na saúde 2, nos quais citamos, principal e respectivamente, Hipócrates (filósofo e médico grego, considerado o Pai da Medicina: +- 460-370 a.C.), Immanuel Kant (filósofo alemão: 1734-1804) e Augusto Comte (filósofo francês, fundador da sociologia científica, fundador da filosofia e da religião positivas, propositor de uma moral científica: 1798-1857). [12]

Como o curso de Medicina da UEL não funciona mais conforme o esquema tradicional de disciplinas, e sim a partir de módulos que congregam várias disciplinas, de vários departamentos, precisamos adaptar o trabalho a essa nova situação. Utilizamos as palestras e os módulos para os quais somos convidados para discutirmos os temas tanto da parte geral quanto os específicos.

Focando um outro curso, o de Agronomia, como um novo exemplo, elegemos, para depois dos três temas iniciais da parte geral, os seguintes temas: aprofundamentos em relação à ciência, à ideologia e à filosofia e uma introdução à filosofia moral ou ética, em vista do Código de ética profissional do Engenheiro Agrônomo. Para essa última introdução utilizamos com suficiente sucesso o texto Conversando sobre ética e sociedade, de Jung Mo Sung e Josué Cândido da Silva, cujo Sumário revela bem o seu conteúdo: Capítulo 1: O porquê da ética; 2: Ética e construção da realidade; 3: Critério ético e posturas morais; 4: Ética e economia; 5: Ética e política; 6: Ética e ecologia; 7: Ética e relações de gênero; e 8: Por uma ética de responsabilidade solidária. [13]

Em outro curso ainda, o de Educação Física, discutimos com os alunos, além dos três temas iniciais da parte geral, os seguintes temas: aprofundamentos em relação ao conhecimento, à ideologia, ao mito, à filosofia e à ciência e uma introdução à antropologia. Para essa última introdução utilizamos também com suficiente sucesso os capítulos I: A dimensão corpórea do homem (homo somaticus) e IX: O jogo e o divertimento (homo ludens), da Primeira parte: Fenomenologia do homem, do livro O homem: quem é ele? Elementos de antropologia filosófica, de Battista Mondin.

Focalizando, enfim, um outro curso, como último exemplo, o de Administração, no qual tivemos o dobro de horas-aula em comparação com os cursos de Agronomia e Educação Física, trabalhamos nele, além dos três temas iniciais da parte geral, os seguintes temas: aprofundamentos sobre a relação entre natureza e cultura, pensamento e linguagem, trabalho e alienação, aprofundamentos sobre o conhecimento, a ideologia, a consciência mítica, a filosofia e a ciência e introduções à filosofia política e à filosofia moral ou ética [14], e, enfim, uma complementação dessa última introdução trabalhando com o texto Conversando sobre ética e sociedade, de Jung Mo Sung e Josué Cândido da Silva, como ao curso de Agronomia, mas agora em vista de preparar a leitura do Código de ética profissional do Administrador.

Trata-se, como podemos perceber, de proporcionar uma introdução à filosofia (apresentando a filosofia de forma contextualizada em relação à realidade e em relação às outras formas de conhecimento) e de propiciar um exercício de filosofia da especialização em foco, ou seja, uma filosofia, por exemplo, da medicina e da correspondente parte da realidade ou de algo constante nelas. O que se pretende conseguir é que o especialista não perca de vista o conjunto do conhecimento e da realidade.

2. Metodologia e modo de avaliação

2.1. Metodologia


Nos últimos anos temos realizado a parte geral mediante aulas expositivas ministradas por nós, e as partes de aprofundamentos e específica por meio de seminários apresentados pelos alunos divididos em equipes.

Tivemos ocasiões nas quais alguns alunos preferiram substituir a participação nos seminários por estudo individual do texto e apresentação oral apenas ao professor (o que, em termos de avaliação, funcionou como prova oral).

No curso de Medicina da UEL, que funciona sob o esquema de módulos ao invés de disciplinas, aproveitamos as palestras e os módulos para os quais somos convidados para discutirmos os temas tanto da parte geral quanto da parte específica.

2.2. Modo de avaliação

Temos acentuado principalmente duas avaliações, atribuindo uma nota de zero a dez ou um conceito sobre as apresentações de seminário, e outra atribuindo uma nota de zero a dez ou um conceito sobre uma prova individual escrita, dissertativa ou objetiva, ou, substituindo essa última pela confecção de uma monografia sobre um tema pertinente escolhido pelo próprio aluno. Ou, ainda, substituindo a prova e ou confecção de monografia pela confecção de redações ou resumos a serem entregues de cada tema após a sua respectiva discussão (o seu conjunto substituindo a prova ou a monografia).

Tivemos ocasiões, conforme dito acima, nas quais alunos preferiram substituir a avaliação da participação e da apresentação de seminário por prova oral sobre o texto trabalhado nos seminários.

Tivemos ocasiões, também, nas quais solicitamos ou permitimos que os próprios alunos se auto-avaliassem, em relação às apresentações de seminários, à prova dissertativa, trabalho individual de estudo de textos ou em relação à participação geral nas aulas.

No curso de Medicina da UEL avaliamos oralmente ao final de cada participação (inquirindo diretamente se houve ou não o aproveitamento necessário) e fornecemos, por escrito, questões objetivas para a coordenação do módulo aplicar, juntamente com as questões formuladas pelos demais professores participantes, na avaliação feita no final do módulo.

Conclusão

Apresentamos sumariamente uma ou algumas experiências de ensino de filosofia em alguns cursos de graduação que podem e devem ser criticadas, e que podem, também, servir de inspiração. O mais importante é que sejam oportunizados o descobrimento e o exercício de mais esta possibilidade cognoscitiva, o filosofar, e a sua contribuição, para os que não se formarão especificamente filósofos ou professores de filosofia. A visão de conjunto possibilita a perspectiva interdisciplinar e multiprofissional de enfrentamento da realidade, válida igualmente para todos.

Referências bibliográficas

ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de filosofia. 3ª edição revista e ampliada. SP: Martins fontes, 1998. Tradução (do italiano) da 1ª edição brasileira coordenada e revista por Alfredo Bosi; tradução dos novos textos incluídos nesta edição por Ivone Castilho Benedetti. 1014 p.
ALVES, Rubem A. Filosofia da ciência: introdução ao jogo e suas regras. 4ª edição. SP: Brasiliense, 1983. 209 p.

ARGOTE, German Marquinez. Metafísica desde latinoamérica. 2ª edição. Bogotá: Usta, 1980. 361 p.

ARRUDA ARANHA, Maria Lúcia de e PIRES MARTINS, Maria Helena. Filosofando: introdução à filosofia. 3ª edição revista. SP: Moderna, 2003. 439 p.

BASTOS, Cleverson Leite e KELLER, Vicente. Aprendendo lógica. 2ª edição revista. Petrópolis: Vozes, 1993. 143 p.

BELTRÃO PERNETTA, Augusto. Filosofia primeira. RJ: Laemmert, 1957. Série estudos de ciência positiva. 1329 p.

BUZZI, Arcângelo Raimundo. Introdução ao pensar: o ser, o conhecimento, a linguagem. 17ª edição. Petrópolis: Vozes, 1988. 260 p.

CARVALHO, Maria Cecília Maringoni de (Org.). Paradigmas filosóficos da atualidade. Campinas: Papirus, 1989. 305 p.

CHARBONNEAU, Paul-Eugène. Curso de filosofia: lógica e metodologia. Tradução (do francês) por Antonio da Silveira Mendonça. SP: Epu, 1986. 159 p.

CHAUI, Marilena. Convite à filosofia. SP: Ática, 1994. 440 p.

CONILL, Jesús. El crepúsculo de la metafísica. Barcelona: Editorial Antrhopos, 1988. Colección Autores, Textos y Temas de Filosofía, nº 15. 348 p.

DUSSEL, Enrique D. Ética da libertação na idade da globalização e da exclusão. Tradução (do espanhol) de Ephraim Ferreira Alves, Jaime A. Clasen e Lúcia M. E. Orth. 2ª edição. Petrópolis: Vozes, 2002. 671 p.

JAPIASSÚ, Hilton e MARCONDES DE SOUZA FILHO, Danilo. Dicionário básico de filosofia. 3ª edição revista e ampliada. RJ: Jorge Zahar Editor, 1996. 296 p.

KUJAWSKI, Gilberto de Mello. Filosofia: a razão a serviço da vida. SP: Companhia Editora Nacional, 1985. Col. portasabertas, vol. 3. 92 p.

MARCONDES FILHO, Ciro. O que todo cidadão precisa saber sobre ideologia. 3ª edição. SP: Global, 1987. Cadernos de educação política: Série sociedade e Estado, nº 2. 95 p.

MONDIN, Battista. O homem: quem é ele? Elementos de antropologia filosófica. Tradução (do italiano) de R. L. Ferreira e M. A. S. Ferrari. 12ª edição. SP: Paulus, 2005. 331 p.

OS PENSADORES, Coleção. 60 volumes. SP: Nova Cultural, 1987-1989.

PIZZI, Jovino. Ética do discurso: a racionalidade ético-comunicativa. Porto Alegre: Edipucrs, 1994. Col. Filosofia, nº 15. 158 p.

RICOEUR, Paul. Interpretação e ideologias; organização, tradução e apresentação de Hilton Japiassú. RJ: Francisco Alves, 1983. 172 p.

SEVERINO, Antônio Joaquim. Filosofia. SP: Cortez, 1993. Col. magistério 2º grau: Série formação geral. 211 p.

SIDEKUM, Antonio (Org.). Ética do discurso e filosofia da libertação, modelos complementares. São Leopoldo: Unisinos, 94. Série Estudos Ibero-Americanos, 2. 264 p.

SUNG, Jung Mo e SILVA, Josué Cândido da. Conversando sobre ética e sociedade. 12ª edição. Petrópolis: Vozes, 2003. 117 p.

TISKI, Sergio. Sobre a humanização dos profissionais da saúde. Londrina: Digitado, 3/2007. 2 p.

_____. Sobre a relação entre teoria e prática na saúde. Maquinações: Idéias para o ensino das ciências, Londrina, 1 (1): 56-57, outubro / dezembro 2007.

_____. Sobre a relação entre teoria e prática na saúde 2. Londrina: Digitado, 5/2007. 2 p.

_____. A questão da moral em Augusto Comte. Tese de doutorado. Unicamp. 2005. 236 p.

VALVERDE, José Maria. História do pensamento. 60 fascículos. Tradução (do espanhol) de Luiz João Gaio. SP: Nova Cultural, 1987. 724 p.

VÁSQUEZ, Adolfo Sánches. Ética. Tradução (do espanhol) de J. Dell’Anna. 7ª ed. RJ: Civilização brasileira, 1984. Col. Perspectivas do homem, nº 46. Série Filosofia. 267 p.
_______________________

[1] Professor do Deptº de Filosofia da UEL. Graduado em filosofia pela PUC de Curitiba e em teologia pela PUG de Roma; especialista em filosofia pela UEL; mestre em filosofia pela PUC de SP; doutor em filosofia pela UNICAMP. E-mail: sertis@uel.br .

[2] “Pitágoras (séc. VI a.C.), um dos filósofos pré-socráticos e também matemático, teria usado pela primeira vez a palavra filosofia (philos-sophia), que significa “amor à sabedoria”. Assim, com o auxílio da etimologia, podemos ver que a filosofia não é puro logos, pura razão: ela é a procura amorosa da verdade.” (Maria Lúcia de ARRUDA ARANHA e Maria Helena PIRES MARTINS. Filosofando: introdução à filosofia, p. 88). Em todo este trabalho, transcrevemos os grifos dos próprios autores sempre em itálico.

[3] A respeito dessa característica, seguimos, como as autoras acima, Dermeval Saviani: “O professor Dermeval Saviani conceitua a filosofia como uma reflexão radical, rigorosa e de conjunto sobre os problemas que a realidade apresenta. (SAVIANI, Dermeval. Educação brasileira: estrutura e sistema. SP: Saraiva, 1973, p. 68-69)” (Ibidem, p. 89).

[4] Normalmente os gestores acadêmicos dos cursos são os colegiados ou departamentos de cursos, constituídos em sua maioria pelos professores do curso (que têm uma ou até mais que uma filosofia, consciente ou inconscientemente). Todas as disciplinas do curso, com suas respectivas ementas, são decididas por esses responsáveis e constam desde o início no currículo a ser desenvolvido com uma turma de alunos. Aos professores dessas disciplinas cabe montar programas que realizem de algum modo as ementas. Esses programas são analisados e aprovados antes do início das disciplinas.

[5] Como bibliografia propomos que os alunos, além de passar a prestar mais atenção em relação à realidade e aos noticiários, leiam esses verbetes em algum dicionário da língua portuguesa e de filosofia. Entre as muitas possibilidades de dicionários de filosofia em português costumamos indicar o de Hilton JAPIASSÚ e Danilo MARCONDES DE SOUZA FILHO (Dicionário básico de filosofia) e o de Nicola ABBAGNANO (Dicionário de filosofia).

[6] Como bibliografia propomos que os alunos leiam sobre cada uma dessas formas de conhecimento em algum dicionário de filosofia e também em algum texto de introdução à filosofia. Quanto às inúmeras introduções à filosofia, além da já citada, de Maria Lúcia de ARRUDA ARANHA e de Maria Helena PIRES MARTINS, já utilizamos, também, as de Arcângelo Raimundo BUZZI (Introdução ao pensar: o ser, o conhecimento, a linguagem), Marilena CHAUÍ (Convite à filosofia), Gilberto de Mello KUJAWSKI (Filosofia: a razão a serviço da vida) e Antônio Joaquim SEVERINO (Filosofia), entre outras.

[7] Para a questão da ideologia, além dos dicionários e das introduções à filosofia, sugerimos também algum texto específico dos muitos existentes, que pode ou não ser trabalhado em sala, conforme o número disponível de horas-aula. Por exemplo: Ciro MARCONDES FILHO (O que todo cidadão precisa saber sobre ideologia) e Paul RICOEUR (Interpretação e ideologias).

[8] Sugerimos, por exemplo, o trabalho de José Maria VALVERDE (História do pensamento), publicado em 60 fascículos, acompanhando a publicação dos 60 volumes da Coleção OS PENSADORES, e esses 60 volumes.

[9] A respeito dessas subáreas propomos, além das introduções à filosofia, das histórias da filosofia e dos textos dos próprios filósofos, os trabalhos, por exemplo, de Cleverson Leite BASTOS e Vicente KELLER (Aprendendo lógica), de Paul-Eugène CHARBONNEAU (Curso de filosofia: lógica e metodologia), Rubem ALVES (Filosofia da ciência: introdução ao jogo e suas regras), Maria Cecília Maringoni de CARVALHO (Paradigmas filosóficos da atualidade), Jesús CONILL (El crepúsculo de la metafísica), German Marquinez ARGOTE (Metafísica desde latinoamérica) e Augusto BELTRÃO PERNETTA (Filosofia primeira), entre outros.

[10] Além das introduções, das histórias da filosofia, dos textos dos próprios filósofos e além do texto de Jung Mo SUNG e Josué Cândido da SILVA (Conversando sobre ética e sociedade), que citaremos adiante, sugerimos também os trabalhos, entre tantos possíveis, de Adolfo Sánches VÁSQUEZ (Ética), Jovino PIZZI (Ética do discurso: a racionalidade ético-comunicativa), Enrique D. DUSSEL (Ética da libertação na idade da globalização e da exclusão), Antonio SIDEKUM (Ética do discurso e filosofia da libertação, modelos complementares) e a nossa tese de doutorado (A questão da moral em Augusto Comte).

[11] No mínimo os três primeiros: a relação entre realidade, conhecimento e agir, as seis formas de conhecimento em geral e a relação entre conhecimento e ideologia. Mas nada impedindo de avançar para a busca da história, dos fundamentos e princípios, desde que haja horas-aula disponíveis...

[12] Podemos enviar cópia digital para quem se interessar, até que versões impressas sejam disponibilizadas.

[13] Cumpre esclarecer que os textos que utilizamos são, também para nós, “pretextos” para iniciar as discussões e não manuais para (as tentativas sempre frustradas de) aprendizado (imposição?) de pretendida verdade ou verdades.

[14] Para essas introduções utilizamos, também com suficiente sucesso, do texto de Maria Lúcia de ARRUDA ARANHA e Maria Helena PIRES MARTINS, já citado, a Unidade IV – POLÍTICA: Capítulo 16. Introdução à política; 17. A política na Antiguidade e na Idade Média; 18. A política como categoria autônoma; 19. O liberalismo político; 20. A crítica ao Estado burguês: as teorias socialistas; 21. Liberalismo e socialismo hoje; 22. Os desvios do poder (p. 213-298) e a Unidade V – ÉTICA: Capítulo 23. Introdução à filosofia moral; 24. A construção da identidade moral; 25. A liberdade; 26. A identidade do sujeito moral; 27. Concepções éticas (p. 299-362).

Política de Publicação

domingo, 11 de novembro de 2007

Dissertações e Teses em acesso livre (05)

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Dissertações de Mestrado

- Fortuna e superstição: um estudo destes temas no Tratado teológico-político de Espinosa
Autor: Rocha, Andre Menezes
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8133/tde-01112007-151604/

- Uma reconstrução racional da concepção utilitarista de Bentham
Autor: Dias, Maria Cristina Longo Cardoso
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Teses de Doutorado

- O valor heurístico das nuvens para o curso de história da educação
Autor: Tsuruda, Maria Amalia Longo
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48134/tde-09112007-102121/

Esta tese visa a mostrar que a comédia As Nuvens de Aristófanes (423 a.C.) possui um valor heurístico para os alunos de graduação de Pedagogia, isto é, que a obra possibilita um trabalho de cotejo de textos para a formação de um quadro complexo da educação ateniense da época. Compõe-se de duas partes, a primeira dedicada ao estudo da peça e de suas possíveis relações com o ensino da filosofia em Atenas e a segunda dedicada ao relato do trabalho com alunos, desenvolvido durante duas experiências com o Curso Experimental. A metodologia utilizada baseia-se em três pilares, a pesquisa bibliográfica, a análise textual e a aplicação experimental em sala de aula. A avaliação final do trabalho mostra que As Nuvens possui um caráter altamente heurístico e que a sua aplicação em sala de aula apresenta resultados altamente satisfatórios.

- Crítica e autonomia em Kant: a forma legislativa entre determinação e reflexão
Autor: Keinert, Mauricio Cardoso
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8133/tde-01112007-153708/

- Nietzsche e o primado da prática: um espírito livre em guerra contra o dogmatismo
Autor: Mattos, Fernando Costa
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8133/tde-01112007-140014/

- Participação política como exercício da cidadania
Autor: Freire, Roberto de Barros
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8133/tde-01112007-154422/
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- A palavra em Paulo Freire e a palavra em Jacques Lacan
Autor: Calixto, Flander de Almeida
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48134/tde-08112007-152104/

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Dissertações e Teses em acesso livre (04)

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Dissertações de Mestrado

- O metafísico no olhar: a pintura na filosofia de Merleau-Ponty
Autor: Furlan, Annie Simões Rozestraten
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/59/59137/tde-30072007-140242/
Disponibilidade: acessível apenas dentro da Universidade de São Paulo

- Hábito - expectativa: uma noção de sujeito a partir de David Hume
Autor: Stival, Monica Loyola
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8133/tde-09102007-141926/


Teses de Doutorado

- Ágora, dêmos e laós: os modos de figuração do povo na assembléia homérica - contradições, ambigüidades e indefinições
Autor: Julien, Alfredo
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8138/tde-05072007-102301/

- Brasil e África do Sul: os paradoxos da democracia. Memória política em democracias com herança autoritária
Autor: Teles, Edson Luis de Almeida
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8133/tde-10102007-150946/

- Transformismo e extinção: de Lamarck a Darwin
Autor: Ferreira, Marcelo Alves
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8133/tde-24102007-150401/

- Contribuição ao estudo do sistema de crédito em \'O Capital\' de Karl Marx
Autor: Mello, Caio Roberto Bourg de
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8137/tde-22102007-113450/

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Bancada do PT debate conjuntura com Marilena Chaui



A bancada do PT na Câmara reuniu-se (em 23 de agosto de 2007) com a filósofa Marilena Chaui. O objetivo foi discutir a conjuntura política e os desafios atuais do partido. O líder da bancada, deputado Luiz Sérgio (RJ), qualificou o encontro como altamente positivo. "A professora Marilena Chaui tem grande capacidade de fazer uma análise apurada de temas atuais e importantes para o PT", disse.

Luiz Sérgio destacou o fato de a filósofa ser uma estudiosa fora do ambiente parlamentar, o que garante a ela uma visão de temas do dia-a-dia que nem sempre são acompanhados tão de perto pelos parlamentares. A bancada vai promover outros encontros para discutir a conjuntura política, econômica, social e legislativa.

Autora de vários livros, Marilena Chaui é professora de Filosofia Política e História da Filosofia Moderna da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP). No encontro com a bancada petista, ela abordou, entre outros temas, o poder da mídia e a democracia, o neoliberalismo, os desafios atuais do PT e o papel dos movimentos sociais.

Ela lembrou a própria história da formação do PT, que rompeu com a tradição da esquerda, em que grupos se colocavam como varguardas de classe. Era uma prática adotada não só no Brasil. "O PT, ao contrário, nasce como esquerda a partir de movimentos sindicais, populares, sociais, grupos e tendências de esquerda", configurando um novo sujeito político e coletivo, disse Marilena Chaui. "O PT é a afirmação da presença política direta das classes populares", completou.

Para o presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), foi uma reflexão importante para a bancada. "Por ser uma intelectual respeitadíssima e conhecida pelo grau de polêmica que sempre assumiu, ela traz uma visão de quem está fora deste cotidiano da política, do dia-a-dia da dinâmica parlamentar e, ao mesmo tempo, faz uma boa avaliação da relação entre o poder político, econômico, da mídia e as questões que envolvem o nosso cotidiano".

O deputado Fernando Ferro (PT-PE) tem a mesma opinião. "Foi muito importante e positivo. Temos que repetir este tipo de debate. A Marilena Chaui é uma intelectual extremamente capaz, competente e que tem o compromisso político muito sério com a luta do PT no Brasil e com a postura da esquerda no Brasil", disse Ferro.

Para a deputada Fátima Bezerra (PT-RN), a reflexão "foi oportuna e necessária" para chamar a atenção sobre os desafios que estão colocados, além de "renovar" a esperança. "O debate foi excelente. Emociona participar de um debate com a professora Marilena Chaui e constatar a sua lucidez política e clareza teórica. Na verdade, ela nos levou a uma reflexão muito oportuna e muito necessária sobre o PT de ontem e de agora. Ou seja, ela nos levou a fazer uma reflexão sobre estes 27 anos e o que tem significado o PT para a construção da democracia do país".

O deputado Tarcísio Zimmermann (PT-RS) afirmou que a bancada saiu fortalecida do debate. "A análise sobre a manipulação que a imprensa faz no nosso país nos ajuda a compreender muito o embate político que estamos vivendo. Acho que a bancada sai fortalecida politicamente desse debate, foi um passo muito importante para retomar a iniciativa do debate político e até mesmo qualificar toda a ação de afirmação no nosso projeto no país", disse.

Para o deputado Carlos Abicalil (PT-MT), é fundamental que a bancada promova novos debates. "Foi importante a análise rigorosa sobre a conjuntura e o que está em disputa no ideário popular no país. É fundamental que a bancada realize outras edições, não apenas para quebrarmos nossa cegueira de procedimentos, como para dar sustentação a uma leitura de ação política que possa ir fazendo com que o PT mantenha a sua ousadia de ser um partido determinado a mudanças", disse.

Na opinião do deputado José Genoino (PT-SP), a bancada precisa "criar o hábito" de realizar debates. "A Marilena fez com a bancada reflexões profundas, atuais; é um instrumento para todo o partido discutir e avaliar aprofundadamente. Acho que a bancada precisa, periodicamente, chamar pessoas para um debate mais estratégico sobre sistemas e o momento", disse. O deputado Odair Cunha (PT-MG) ressaltou "que a iniciativa é importante porque se constitui numa oportunidade para a bancada pensar um pouco sobre os desafios que são colocados para a bancada".

fonte Informes PT - 24/agos/2007 nº3809

Nem pensando muito se consegue responder a isto...

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Escolas de SP não precisam implantar filosofia e sociologia


21/08/2007 - 16h35

Juliana Doretto
Em São Paulo*

As escolas públicas e particulares de São Paulo não precisam implantar as disciplinas de sociologia e filosofia no currículo do ensino médio. O CEESP (Conselho Estadual de Educação de São Paulo) considerou "nula" a norma do MEC (Ministério da Educação) que obriga as escolas a terem aulas específicas nessas duas áreas. A decisão foi publicada no sábado (18) no Diário Oficial do Estado de São Paulo.

Os conselhos e secretarias estaduais de educação do país têm até esta terça (21) para apresentar ao MEC um plano de trabalho para implantação das duas disciplinas no currículo. Ou seja, o ministério não cobra que as aulas comecem já em 2007, mas pede aos sistemas de ensino que digam quando e como vão iniciar as disciplinas.

A obrigatoriedade foi instituída há um ano pelo CNE (Conselho Nacional de Educação), órgão colegiado do ministério, e abrange todas as escolas das redes pública e privada de ensino médio do país que adotam o sistema de disciplinas.

Para o presidente do conselho paulista, Pedro Salomão José Kassab, não há hierarquização que obrigue os conselhos estaduais e municipais a aceitarem as decisões do Conselho Nacional. "Pela Constituição, os sistemas estaduias e municipais de ensino são autônomos. Eles só devem cumprir a Lei, a LDB [Lei de Diretrizes e Bases], que permite que esses conteúdos sejam ministrados de modo transversal, ou seja, distribuídos em outras disciplinas."

O texto do CEESP publicado no Diário Oficial diz que, "a obrigatoriedade de inclusão de disciplinas específicas de filosofia e sociologia fere a autonomia assegurada aos sistemas de ensino, pela LDB e pela Constituição, para a definição de suas próprias grades curriculares". Segundo o documento, "cada escola é autônoma para decidir, dentro das balizas postas pela legislação, o melhor modo de organizar o currículo a ser ministrado aos seus alunos".

A diretora de políticas públicas do ensino médio do Ministério da Educação, professora Lúcia Lodi, diz que o CNE pode, sim, legislar, e o ministro Fernando Haddad já homologou a resolução.

Na rede estadual de ensino paulista, porém, as aulas já são aplicadas, segundo a assessoria de imprensa da Secretaria de Educação. Filosofia é obrigatória a 1ª e 2ª série do ensino nédio e opcional para a 3ª série. Quanto à sociologia, a disciplina é optativa no 3º ano do ensino médio.

O CEESP é formado por 24 membros e tem funções normativas, deliberativas e consultivas em relação à educação paulista pública e privada. É vinculado à Secretario Estadual da Educação.

Sem professores
Kassab afirma ainda que, caso a resolução do MEC fosse aprovada no Estado, São Paulo não teria número suficientes de professores para lecionar as duas disciplinas.

Segundo a Secretaria de Educação de São Paulo, 3.463 professores de filosofia e 944 de sociologia atuam hoje na rede estadual.

Para Lejeune Matogrosso, coordenador da Federação Nacional dos Sociólogos, não faltarão professores de sociologia. "Estimamos que, em três anos, seja necessário contratar 10 mil professores em cada uma das discuplinas. No Brasil, já existe 40 mil formados na área. E, por ano, se formam de 1.500 a 2.000 sociólogos", explica.

Segundo o sociólogo, vários profissionais da área são professores de outras disciplinas, como história e geografia, por falta de aulas específicas de sociologia. Ele diz ainda que, em "caráter excepcional", bacharéis (ou seja, sem formação em licenciatura), podem lecionar.

Para o professor de filosofia da UFPR (Universidade Federal do Paraná) e coordenador do Fórum Sul-Brasileiro de Filosofia e Ensino, Emmanuel Appel, também há filósofos em número suficientes para lecionar. "Temos 190 cursos de filosofia no país, e a disciplina foi suprimida do ensino médio em agosto de 71. Durante 35 anos, esses cursos formaram um considerável número de pessoas. Caso não estejam lecionando, eles podem passar também por reciclagem."

Appel diz ainda que em 17 dos 27 Estados do país a filosofia já vem sendo ensinada nas escolas, e Estados como Minas Gerais e Paraná têm essa disciplina como obrigatória em suas Constituições estaduais.

*Atualizada às 17h24

fonte: http://noticias.uol.com.br/educacao/ultnot/ult105u5689.jhtm