terça-feira, 23 de setembro de 2008

John Locke: O Brasil, o aborto, as mulheres

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por Michelle Amaral da Silva — Última modificação 05/09/2008 15:24

Cassiano Terra Rodrigues*

É lamentável termos de comemorar que só recentemente nossos hospitais públicos começaram, com o Programa de Aborto Legal

Qual é o primeiro direito fundamental de uma pessoa? O direito à vida? À liberdade? À propriedade? Segundo John Locke, nenhum deles. O primeiro direito humano fundamental é o direito de cada indivíduo sobre sua própria pessoa: seu corpo, sua mente, seus nervos e músculos. Muito já se falou sobre os direitos humanos, mas muito mais ainda pode ser falado. Após mais de três séculos de experiência histórica, hoje em dia parece que a acusação de que os direitos humanos são direitos burgueses, conservadores e anti-sociais precisa ser matizada. Hoje em dia, é fundamental lembrar que no contexto de desigualdade social e privatização das relações no mundo globalizado, a defesa dos direitos humanos como direitos públicos é também uma defesa da justiça social.

Esse é um bom mote para falar do documentário O Aborto dos Outros, que estréia comercialmente no próximo dia 05/09. Ganhador de merecida menção honrosa do júri do festival É Tudo Verdade de 2008, o filme recoloca na pauta do dia a discussão sobre o aborto no Brasil; mas não apenas recomeça uma velha e espinhosa discussão, antes, ela é proposta em outros termos, isto é, em termos que nem sempre aparecem de maneira clara ao grande público.

Em primeiro lugar, é lamentável termos de comemorar que só recentemente nossos hospitais públicos começaram, com o Programa de Aborto Legal, a respeitar uma lei que data de 1940: o aborto é direito das mulheres em caso de estupro e risco de vida da gestante, além de judicialmente ser concedido em certos casos de má formação do feto. Todavia, a maioria dos abortos brasileiros ainda acontece na clandestinidade, nas casas ou em clínicas particulares, fazendo com que o aborto no Brasil exista de fato não só para os casos previstos em lei: são mais de 1 milhão de abortos por ano, para quem pode ou não pagar por bom atendimento médico. Contudo, para quem não pode pagar, as conseqüências de um aborto clandestino geralmente são trágicas.

Em segundo lugar, o filme desnaturaliza a idéia da maternidade, inserindo a discussão no contexto social da mulher brasileira. Nunca é demais lembrar que a maternidade não é simples fato natural, mas conseqüência de relações sociais: ninguém engravida simplesmente por ter nascido mulher. Ora, o filme deixa claro que a violência não se dá somente na forma de violência física (portanto, supostamente natural), mas também na forma de privação dos direitos civis: seja pela má-vontade, preconceito ou até mesmo ignorância dos funcionários da burocracia, seja pela condição de pobreza da maior parte da população, seja pelo machismo dominante. Ou por tudo isso junto.

Uma cena é reveladora: ao serem atendidas pela psicóloga num hospital público, mãe e filha vítima de estupro relatam que o escrivão da delegacia que registrou a queixa não lhes informou dos direitos civis (ou seja, garantidos em lei) da filha, mas, ao contrário, disse que "é difícil", que "não sei não", que "isso é complicado", "melhor desistir"... Ou coisa assim. Onde, então, mora a violência – só no bairro pobre onde vivem as duas? Quem é o violentador – só o estuprador?

Voltemos a Locke. A afirmação dos direitos fundamentais do indivíduo implica também um dever: a afirmação dos meus direitos como pessoa imediatamente exige dos outros que reconheçam minha condição humana fundamental, independentemente de crença ou pertença social, política ou religiosa. Lembrando disso, talvez o maior mérito do filme seja deixar as próprias mulheres falarem. Pois, no Brasil, o debate sobre o aborto é demasiadamente pautado pelos pontos de vista da religião, do Estado, ou da sociedade (por mais abstrato que isso seja); raramente a perspectiva das próprias mulheres é considerada, freqüentemente lhes é tolhida a possibilidade de expressar o que sentem, pensam, desejam; outros falam por elas, em vez delas.

Só revertendo nossa situação será possível garantir às mulheres aquilo que lhes pertence de direito, seja ele civil ou natural: o direito de serem ouvidas, tratadas e consideradas como pessoas que são, sujeitas de suas próprias vidas.

Cordiais saudações.

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Nota 1: Mais informações sobre o filme, aborto, legislação, direitos humanos etc. no sítio virtual: http://www.oabortodosoutros.com.br.

*Cassiano Terra Rodrigues é professor de filosofia da PUC-SP

Escultura: imagem recebida de Olívia Santana - BA

Para arqueólogos, Stonehenge era templo de cura

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Para arqueólogos, Stonehenge era um templo de cura

Seg, 22 Set 2008, 01h44

Dois arqueólogos britânicos, Geoffrey Wainwright e Timothy Darvill, afirmaram hoje terem descoberto o principal motivo por trás da construção de um dos mais conhecidos e menos compreendidos monumentos da antiguidade: o Stonehenge. Para os britânicos, as pedras de Stonehenge, um círculo de pedras construído há milhares de anos, seriam uma espécie de "Lourdes primitiva", que atraía peregrinos de todos os cantos da Europa na Pré-História em busca de cura.

"Nós descobrimos diversas razões para acreditar que as pedras foram dispostas como parte de uma crença em um processo de cura", disse Wainwright a jornalistas reunidos em Londres.

Wainwright e Darvill, os primeiros arqueólogos a escavarem o Stonehenge em mais de 40 anos, disseram que a chave para sua teoria é a existência de um duplo círculo de pedra-lípes, uma rocha rara, bem no centro do monumento.

A presença das pedras-lípes na antiguidade ficou mais evidente quando os dois cientistas encontraram uma montanha de detritos dessa rocha durante as escavações. "Pedaços de pedra-lípes também foram encontrados em tumbas no entorno de Stonehenge", acrescentou Wainwright.

Ainda de acordo com ele, a prova não está apenas nas rochas, mas também nos ossos. Esqueletos recuperados do local mostraram sinais de graves doenças ou ferimentos. "As pessoas estavam em um estado de aflição, se é que posso dizer isso assim tão educadamente, quando iam ao monumento de Stonehenge", disse Darvill.

As evidências, prosseguiram eles, apontam para que o local funcionasse como um centro de peregrinação ao qual iam pessoas de todas as partes da Europa em busca de cura. Os cientistas, no entanto, não descartam a possibilidade de o Stonehenge ter outras funções. "Ali poderia ser um templo, assim como um centro de cura. Como Lourdes, por exemplo, é um centro religioso", comparou Darvill.

O Stonehenge é alvo constante de debates e especulações referentes a sua função para os primórdios da Europa. Enquanto alguns consideram o local um templo de devoção ao sol, outros afirmam que o Stonehenge seria um cemitério sagrado. Há ainda quem acredite se tratar de uma calculadora astronômica pré-histórica.

fonte: AE - Agência Estado

extraído de
http://br.noticias.yahoo.com/s/22092008/25/mundo-arqueologos-stonehenge-templo-cura.html

Mais em http://pt.wikipedia.org/wiki/Stonehenge

Stonehenge (do inglês arcaico "stan" = pedra, e "hencg" = eixo) é um monumento megalítico da Idade do Bronze, localiza-se na planície de Salisbury, próximo a Amesbury, no condado de Wiltshire, no Sul da Inglaterra.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Boas escolas

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Artigo - Antoninho Marmo Trevisan - O Globo - 12/9/2008

O primeiro "Mapa de Estudos Superiores na América Latina e no Caribe", elaborado pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), revela que somente 13,8% das escolas de terceiro grau, entre as mais de nove mil instituições do gênero existentes na região, têm avaliação positiva quanto à qualidade. O índice é preocupante para as nações do continente, considerando que a formação acadêmica constitui-se em requisito fundamental à conquista do desenvolvimento. Sob o ponto de vista das carreiras profissionais, o estudo também significa importante alerta: é essencial buscar escolas gabaritadas, pois diplomas e títulos universitários são diferenciais efetivos na luta pelo sucesso somente se forem a garantia e o "selo" de um ensino de excelência.

A seriedade, a credibilidade e a competência da Unesco sugerem ser prudente considerar o conteúdo desse inédito relatório, produzido sobre substantiva base de dados e estatísticas de 28 dos 33 países membros da organização na América Latina e no Caribe. O trabalho evidencia a necessidade de ampliar não só o acesso, mas também a qualidade da educação superior. Cruzando suas conclusões com outros estudos e processos de avaliação realizados no Brasil, como o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), percebe-se que, em nosso país, o principal problema reside na questão da excelência, levando-se em conta a grande expansão do número de faculdades nos últimos anos.

"ensinar" reflete "aprender" (em inglês)


O Brasil tem excelentes instituições de ensino superior, mas em quantidade insuficiente para atender à demanda do mercado por profissionais altamente qualificados. Assim, é importante a ampliação do número de boas escolas, em nível de graduação, pós-graduação e cursos de MBA. Trata-se de algo importante para o país, o universo corporativo e os profissionais. Sob o ponto de vista do mercado, empresas inteligentes são as que recrutam colaboradores devidamente preparados. Afinal, contar com um quadro de profissionais competentes é imperioso; é o requisito que mais valor agrega às empresas, considerando que o talento humano é o fator exponencial de desequilíbrio num cenário em que todos têm acesso a tecnologias semelhantes.

No início do século XX, o genial norte-americano Henry Ford, grande propulsor da indústria moderna, cunhou frase antológica sobre o significado da boa formação: "Se o dinheiro é a sua esperança para independência, você nunca a terá; a única segurança real que um homem pode ter neste mundo é uma reserva de conhecimento." Se tal exigência já era decisiva num mundo que ainda procurava soluções para a simples produção em série de automóveis e outros bens industriais, o que dizer do presente, quando as tecnologias tornam informação, cultura e saber os mais importantes valores de qualquer organização?

A resposta a esse desafio contemporâneo pode ser encontrada numa velha aliada dos indivíduos e povos vencedores: a sala de aula! É aí que experiência, conhecimento do mercado, conteúdo adequado e bons professores mudam o destino de pessoas, empresas e países.

ANTONINHO MARMO TREVISAN é empresário e integrante do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES).

http://clipping.planejamento.gov.br/Noticias.asp?NOTCod=456391
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Neném Prancha e a educação no Brasil


Coluna - Armando Castelar Pinheiro - Valor Econômico - 12/9/2008

São várias as frases famosas do "filósofo da bola", o inesquecível botafoguense Antônio Franco de Oliveira. É de Neném Prancha, como era mais conhecido, a observação de que "pênalti é uma coisa tão importante, que quem devia bater é o presidente do clube". Este artigo faz um argumento parecido: que a educação é tão importante para o futuro do Brasil que deveria ser responsabilidade direta do presidente da República.

É ocioso relembrar os benefícios da educação, do maior potencial de crescimento à menor criminalidade. Mas o Brasil teve historicamente uma atitude ambígua em relação à educação. Ela sempre foi uma preocupação nas famílias de alta renda, desde quando era comum enviar os filhos para estudar no exterior. Isso levou o país a ter algumas excelentes escolas públicas, que, todavia, atendiam a uma pequena parte da população. Para a maioria, a educação ou não era acessível, ou não era uma prioridade. Essa situação, por sua vez, perenizava a má distribuição de renda, já que o capital educacional permanecia concentrado nas mesmas famílias, enquanto a sua escassez lhe garantia uma alta remuneração.

Esse quadro prevaleceu até pouco tempo atrás: por exemplo, de 1960 (dado mais antigo disponível) a 1980, a escolaridade média do brasileiro com 25 anos ou mais de idade estagnou em três anos de estudo, a despeito do forte aumento do PIB per capita desde a década 1930 (e da incansável retórica política em prol da educação). Em 1980, depois de cinco décadas de forte crescimento econômico, só metade dos brasileiros de 15 a 17 anos de idade freqüentava a escola, e só 15% estavam na série adequada de ensino.

O Brasil vem acordando para esse problema. Em particular, houve uma correta preocupação em ampliar a oferta e a demanda de educação básica, com a expansão da rede escolar, a vinculação de recursos a esse nível de ensino e a criação de programas como o Bolsa Escola (agora Bolsa Família), que condicionam transferências compensatórias de renda à freqüência escolar. Os resultados apareceram: a escolaridade média da população (25 anos ou mais) subiu 2,4% ao ano em 1981-2005 e, já em 2000, 96% das crianças (7 a 14 anos) e 83% dos jovens (15 a 17 anos) freqüentavam a escola.

É preciso estabelecer um sistema de premiação monetária condicionado ao desempenho e valorizar o professor para a sociedade

Em que pesem esses avanços, o Brasil ainda progride menos do que precisa e do que faz o resto do mundo. Em 1980, os brasileiros tinham, em média, um ano e meio de estudo a menos que a média de México, Malásia e África do Sul; em 2000, essa diferença dobrara. Comparações internacionais mostram a precária qualidade do aprendizado em nossas escolas: no PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) de 2006, que avaliou 400 mil estudantes de 15 anos de idade em 57 países, o Brasil ficou na 50ª posição em leitura, 53ª em ciências e 54ª em matemática.

Aumentar o gasto com educação pode ajudar a melhorar esse quadro, mas a falta de recursos não é o problema principal. No Brasil, o setor público gasta cerca de 2,9% do PIB com ensino básico, contra uma média de 3,7% na OCDE. Mais importante, portanto, é elevar a eficiência do gasto. Isso passa por gerir melhor os recursos humanos, que respondem por 80% a 90% das despesas com educação nos Estados e municípios, responsáveis por 99,6% da matrícula pública na educação básica. Os problemas são conhecidos: altas taxas de absenteísmo e de professores alocados a atividades não docentes, inclusive fora das secretarias de educação; carga horária inferior à mínima exigida, em especial em matemática e ciências etc. As soluções também são conhecidas, mas esbarram nas regras de pessoal no serviço público, na pressão sindical e no freqüente loteamento político de cargos de direção.

O problema principal é a obrigação de tratar igual os diferentes; em particular, a dificuldade de remunerar melhor quem se esforça mais e/ou leciona disciplinas para as quais o mercado de trabalho oferece boas alternativas em outras carreiras (por exemplo, matemática e ciências). Alguns prefeitos e governadores instituíram programas de bônus por desempenho, mas a dificuldade de limitá-lo aos que se destacam a cada ano é muito grande: é difícil excluir e quase impossível retirar o bônus se o desempenho cai. Há também um problema de auto-estima: usualmente quem decide trabalhar em setores como educação, saúde ou assistência social o faz também por outras motivações que não só o salário. Mas a bem-vinda massificação do ensino foi acompanhada da desvalorização da carreira docente, que precisa ser revertida. Na Finlândia, país em que os alunos obtiveram o melhor resultado no Pisa, a carreira de professor é uma das mais valorizadas socialmente.

Paralelamente, é preciso incentivar a preocupação com o saber. Fomos bem-sucedidos em estimular a demanda e a oferta de matrículas, mas com programas que são ineficazes em termos de promover a qualidade do ensino e a demanda por aprender.

O que o presidente da República pode fazer a respeito? A proposta é que se utilizem as muitas (e boas) avaliações feitas pelo Inep para criar um campeonato brasileiro de escolas, em que ganham as que mais melhorarem seu desempenho de um ano para outro. O presidente entregaria os prêmios aos professores campeões e se responsabilizaria por dar publicidade e valorizar o evento. Vários elementos podem potencializar esse esforço de transformar o Brasil no país da educação - uma avaliação parcial de meio de ano, etapas preliminares em nível estadual envolvendo os governadores, prêmios para diferentes medidas de desempenho, prêmios para os pais etc. Esse programa teria três objetivos: estabelecer um sistema de premiação monetária efetivamente condicionado ao desempenho; valorizar o professor aos olhos da sociedade, dando a todos a chance de tornarem-se "celebridades"; e fomentar a demanda pelo saber nas famílias mais pobres, conscientizando-as de que aprender requer mais do que só ir à escola.

Como diria Neném Prancha, o Brasil tem que ir ao livro e à sala de aula "com a mesma disposição com que vai num prato de comida. Com fome, para estraçalhar". E ninguém menos que o presidente da República deveria liderar essa mudança de percepção sobre a educação.

Armando Castelar Pinheiro analista da Gávea Investimentos e professor do IE - UFRJ. Escreve mensalmente às sextas- feiras.

http://clipping.planejamento.gov.br/Noticias.asp?NOTCod=456471
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segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Educação RJ & SEAF no XIII Encontro Estadual de Professores de Filosofia






Encontro de Professores de Filosofia debaterá a Comunicação e a Cultura

Por Adriana Baffa

A Sociedade de Estudos e Atividades Filosóficos (SEAF), em parceria com a Secretaria de Estado de Educação, realizará o XIII Encontro Estadual de Professores de Filosofia nos próximos dias 25 e 26 de setembro, na UERJ. O encontro é realizado de dois em dois anos e o tema deste ano é “Filosofia, Comunicação e Cultura – contradições e alternativas”. A intenção é debater, além dos temas, a obrigatoriedade do ensino de Filosofia em todas as séries do Ensino Médio.

– Lutamos muito para o retorno desta cadeira às matrizes curriculares e por isso, agora que será obrigatório, queremos antenar os professores e graduandos para que eles estejam sempre se aprimorando – disse Ana Maria Felippe, presidente da SEAF.

Ana Felippe se refere à Lei 11684/08 que altera a Lei de Diretrizes Básicas para incluir Filosofia e Sociologia como disciplinas obrigatórias no currículo do Ensino Médio de todo o Brasil. A partir do ano que vem todas as escolas deverão ter estas aulas em suas matrizes curriculares.

Além do encontro, o SEAF irá realizar oficinas paralelas, ministradas por professores e doutores, dirigidas para graduandos e outros professores que estejam interessados. As oficinas tratarão de temas como Filosofia na Educação Básica, Filosofia na Universidade, O Perfil do Professor de Filosofia, e as intercessões de Filosofia e Cinema, Filosofia e Literatura, Filosofia e Teatro, etc.

– Nossa intenção é fazer com que os professores de Filosofia realizem aprimoramentos tanto do ponto de vista teórico, como do prático. Não que não tenham aprendido na faculdade, mas acreditamos que é preciso conhecer além da teoria da Filosofia para que o conhecimento seja revertido para a vida prática do aluno – explica Ana Maria Felippe, presidente da SEAF.

Segundo ela, as inscrições devem ser feitas até o dia 5 de setembro através do email seaf_filosofia@yahoo.com.br. Para maiores informações basta entrar no site http://br.geocities.com/seaf­­_filosofia/SEAF. As inscrições são limitadas em até 20 alunos por oficina, no entanto, de acordo com Ana Felippe, as vagas podem aumentar caso haja procura.

– A SEAF foi criada em 1976, em pleno período de repressão política, com o objetivo de resgatar uma Filosofia crítica sobre os problemas sociais daquele período e lutar pela volta dessa disciplina ao Ensino Médio. Naquele momento e no momento posterior, a Sociedade se constituiu como entidade de nível nacional, com regionais em vários estados do País – conta Ana Felippe.

Segundo ela, o desafio da SEAF, hoje, consiste em produzir filosofia pertinente com a realidade atual, atuando nas transformações das estruturas sócio-culturais e fomentar as atividades de seus membros tornando-os participantes desses processos.

Além disso, entre os objetivos da Sociedade estão a retomada da iniciativa cultural e filosófica junto aos professores de Ensino Médio, através de simpósios, cursos de especialização em Filosofia e em novos modelos.

fonte:
http://www.educacao.rj.gov.br/index5.aspx?tipo=categ&idcategoria=448&idItem=2931&idsecao=13

O XIII Encontro Estadual de Professores de Filosofia conta com

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Sinal verde para a tortura

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Escrito por Frei Betto*
Seg, 18 de agosto de 2008 14:44

Comemora-se, este ano, o 60o aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Segundo o Guinness, é o documento traduzido em maior número de idiomas, cerca de 330. E também o menos respeitado mundo afora. Em 2009, completam-se 220 anos da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, de 1789, proclamada pela Revolução Francesa.

Entre 1898 e 1994, os EUA, que posam de paladinos da democracia e acusam outros países de não respeitarem os direitos humanos, derrubaram 48 governos latino-americanos, entre os quais o de João Goulart, no Brasil, em 1964. (Sabe por que nunca houve golpe de Estado nos EUA? Porque lá não tem embaixada estadunidense).

Desde o 11 de setembro, o governo Bush autorizou o seqüestro e a aplicação de torturas em suspeitos de terrorismo, transportados em vôos clandestinos desde a Europa até a base naval de Guantánamo, em Cuba, onde são mantidos presos.

A base foi ocupada pelas tropas estadunidenses na guerra de 1898 entre EUA e Cuba. A partir de 1903, foi alugada por pouco mais de US$ 5 mil anuais, mas Havana jamais desconta os cheques enviados por Washington. Um acordo de 1934 reza que a área de 116 km2 só poderá voltar à soberania cubana após negociações entre os dois países, cujas relações diplomáticas estão rompidas desde 1961, quando o governo Kennedy fracassou no intento de derrubar o novo regime revolucionário através do desembarque de dez mil mercenários na Baía dos Porcos.

Até junho deste ano, os prisioneiros de Guantánamo não tinham acesso aos princípios elementares do Direito, como o habeas corpus, instituição que data de 1215. Felizmente, agora a Suprema Corte derrotou Bush, arrancando os presos de Guantánamo do limbo jurídico.

Em 2002, o advogado Jonathan Fredman, assessor da CIA, aconselhou o Pentágono a autorizar a aplicação de torturas nos suspeitos de terrorismo, como a simulação de afogamento, privação de sentidos, nudez forçada e exploração de fobias, o que foi aceito pelo então secretário de Defesa, Donald Rumsfeld.

Questionada no ano seguinte, Janis Karpinski, general comandante da prisão de Abu Ghraib, em Bagdá, admitiu que "Rumsfeld autorizava essas técnicas específicas". Em fevereiro de 2007, Alberto Gonzalez, então secretário de Justiça de Bush, declarou que "talvez a Convenção de Genebra (que proíbe torturas) esteja ultrapassada". E em fevereiro deste ano, convocado a depor no Congresso, Michael Hayden, diretor da CIA, não teve o menor constrangimento ao admitir que "a simulação de afogamento foi usada em apenas três presos".

Embora considerada crime hediondo e inafiançável, a tortura continua a ser praticada no Brasil, sobretudo por policiais civis e militares. Em seus cursos de formação, promovidos pelo poder público, aprendem eles algo sobre direitos humanos? (ADITAL)

Frei Betto é Frei dominicano. Escritor.

Última atualização ( Seg, 18 de agosto de 2008 14:55 )
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figura extraída de http://www.socialismo.org.br/
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quinta-feira, 21 de agosto de 2008

O império do consumo


O império do consumo

Eduardo Galeano*
13 de julho de 2008 19:36

A explosão do consumo no mundo atual faz mais barulho do que todas as guerras e mais algazarra do que todos os carnavais. Como diz um velho provérbio turco, aquele que bebe a conta, fica bêbado em dobro. A gandaia aturde e anuvia o olhar; esta grande bebedeira universal parece não ter limites no tempo nem no espaço. Mas a cultura de consumo faz muito barulho, assim como o tambor, porque está vazia; e na hora da verdade, quando o estrondo cessa e acaba a festa, o bêbado acorda, sozinho, acompanhado pela sua sombra e pelos pratos quebrados que deve pagar. A expansão da demanda se choca com as fronteiras impostas pelo mesmo sistema que a gera. O sistema precisa de mercados cada vez mais abertos e mais amplos tanto quanto os pulmões precisam de ar e, ao mesmo tempo, requer que estejam no chão, como estão, os preços das matérias primas e da força de trabalho humana. O sistema fala em nome de todos, dirige a todos suas imperiosas ordens de consumo, entre todos espalha a febre compradora; mas não tem jeito: para quase todo o mundo esta aventura começa e termina na telinha da TV. A maioria, que contrai dívidas para ter coisas, termina tendo apenas dívidas para pagar suas dívidas que geram novas dívidas, e acaba consumindo fantasias que, às vezes, materializa cometendo delitos. O direito ao desperdício, privilégio de poucos, afirma ser a liberdade de todos.


Dize-me quanto consomes e te direi quanto vales. Esta civilização não deixa as flores dormirem, nem as galinhas, nem as pessoas. Nas estufas, as flores estão expostas à luz contínua, para fazer com que cresçam mais rapidamente. Nas fábricas de ovos, a noite também está proibida para as galinhas. E as pessoas estão condenadas à insônia, pela ansiedade de comprar e pela angústia de pagar. Este modo de vida não é muito bom para as pessoas, mas é muito bom para a indústria farmacêutica. Os EUA consomem metade dos calmantes, ansiolíticos e demais drogas químicas que são vendidas legalmente no mundo; e mais da metade das drogas proibidas que são vendidas ilegalmente, o que não é uma coisinha à-toa quando se leva em conta que os EUA contam com apenas cinco por cento da população mundial.

«Gente infeliz, essa que vive se comparando», lamenta uma mulher no bairro de Buceo, em Montevidéu. A dor de já não ser, que outrora cantava o tango, deu lugar à vergonha de não ter. Um homem pobre é um pobre homem. «Quando não tens nada, pensas que não vales nada», diz um rapaz no bairro Villa Fiorito, em Buenos Aires. E outro confirma, na cidade dominicana de San Francisco de Macorís: «Meus irmãos trabalham para as marcas. Vivem comprando etiquetas, e vivem suando feito loucos para pagar as prestações».

Invisível violência do mercado: a diversidade é inimiga da rentabilidade, e a uniformidade é que manda. A produção em série, em escala gigantesca, impõe em todas partes suas pautas obrigatórias de consumo. Esta ditadura da uniformização obrigatória é mais devastadora do que qualquer ditadura do partido único: impõe, no mundo inteiro, um modo de vida que reproduz seres humanos como fotocópias do consumidor exemplar.

O consumidor exemplar é o homem quieto. Esta civilização, que confunde quantidade com qualidade, confunde gordura com boa alimentação. Segundo a revista científica The Lancet, na última década a «obesidade mórbida» aumentou quase 30% entre a população jovem dos países mais desenvolvidos. Entre as crianças norte-americanas, a obesidade aumentou 40% nos últimos dezesseis anos, segundo pesquisa recente do Centro de Ciências da Saúde da Universidade do Colorado. O país que inventou as comidas e bebidas light, os diet food e os alimentos fat free, tem a maior quantidade de gordos do mundo. O consumidor exemplar desce do carro só para trabalhar e para assistir televisão. Sentado na frente da telinha, passa quatro horas por dia devorando comida plástica.

Vence o lixo fantasiado de comida: essa indústria está conquistando os paladares do mundo e está demolindo as tradições da cozinha local. Os costumes do bom comer, que vêm de longe, contam, em alguns países, milhares de anos de refinamento e diversidade e constituem um patrimônio coletivo que, de algum modo, está nos fogões de todos e não apenas na mesa dos ricos. Essas tradições, esses sinais de identidade cultural, essas festas da vida, estão sendo esmagadas, de modo fulminante, pela imposição do saber químico e único: a globalização do hambúrguer, a ditadura do fast food. A plastificação da comida em escala mundial, obra do McDonald´s, do Burger King e de outras fábricas, viola com sucesso o direito à autodeterminação da cozinha: direito sagrado, porque na boca a alma tem uma das suas portas.

A Copa do Mundo de futebol de 1998 confirmou para nós, entre outras coisas, que o cartão MasterCard tonifica os músculos, que a Coca-Cola proporciona eterna juventude e que o cardápio do McDonald´s não pode faltar na barriga de um bom atleta. O imenso exército do McDonald´s dispara hambúrgueres nas bocas das crianças e dos adultos no planeta inteiro. O duplo arco dessa M serviu como estandarte, durante a recente conquista dos países do Leste Europeu.

As filas na frente do McDonald´s de Moscou, inaugurado em 1990 com bandas e fanfarras, simbolizaram a vitória do Ocidente com tanta eloqüência quanto a queda do Muro de Berlim. Um sinal dos tempos: essa empresa, que encarna as virtudes do mundo livre, nega aos seus empregados a liberdade de filiar-se a qualquer sindicato. O McDonald´s viola, assim, um direito legalmente consagrado nos muitos países onde opera. Em 1997, alguns trabalhadores, membros disso que a empresa chama de Macfamília, tentaram sindicalizar-se em um restaurante de Montreal, no Canadá: o restaurante fechou. Mas, em 98, outros empregados do McDonald´s, em uma pequena cidade próxima a Vancouver, conseguiram essa conquista, digna do Guinness.

As massas consumidoras recebem ordens em um idioma universal: a publicidade conseguiu aquilo que o esperanto quis e não pôde.

Qualquer um entende, em qualquer lugar, as mensagens que a televisão transmite. No último quarto de século, os gastos em propaganda dobraram no mundo todo. Graças a isso, as crianças pobres bebem cada vez mais Coca-Cola e cada vez menos leite e o tempo de lazer vai se tornando tempo de consumo obrigatório. Tempo livre, tempo prisioneiro: as casas muito pobres não têm cama, mas têm televisão, e a televisão está com a palavra. Comprado em prestações, esse animalzinho é uma prova da vocação democrática do progresso: não escuta ninguém, mas fala para todos.

Pobres e ricos conhecem, assim, as qualidades dos automóveis do último modelo, e pobres e ricos ficam sabendo das vantajosas taxas de juros que tal ou qual banco oferece. Os especialistas sabem transformar as mercadorias em mágicos conjuntos contra a solidão. As coisas possuem atributos humanos: acariciam, fazem companhia, compreendem, ajudam, o perfume te beija e o carro é o amigo que nunca falha. A cultura do consumo fez da solidão o mais lucrativo dos mercados.

Os buracos no peito são preenchidos enchendo-os de coisas, ou sonhando com fazer isso. E as coisas não só podem abraçar: elas também podem ser símbolos de ascensão social, salvo-condutos para atravessar as alfândegas da sociedade de classes, chaves que abrem as portas proibidas. Quanto mais exclusivas, melhor: as coisas escolhem você e salvam você do anonimato das multidões. A publicidade não informa sobre o produto que vende, ou faz isso muito raramente. Isso é o que menos importa. Sua função primordial consiste em compensar frustrações e alimentar fantasias. Comprando este creme de barbear, você quer se transformar em quem?

O criminologista Anthony Platt observou que os delitos das ruas não são fruto somente da extrema pobreza. Também são fruto da ética individualista. A obsessão social pelo sucesso, diz Platt, incide decisivamente sobre a apropriação ilegal das coisas. Eu sempre ouvi dizer que o dinheiro não trás felicidade; mas qualquer pobre que assista televisão tem motivos de sobra para acreditar que o dinheiro trás algo tão parecido que a diferença é assunto para especialistas.

Segundo o historiador Eric Hobsbawm, o século XX marcou o fim de sete mil anos de vida humana centrada na agricultura, desde que apareceram os primeiros cultivos, no final do paleolítico. A população mundial torna-se urbana, os camponeses tornam-se cidadãos. Na América Latina temos campos sem ninguém e enormes formigueiros urbanos: as maiores cidades do mundo, e as mais injustas. Expulsos pela agricultura moderna de exportação e pela erosão das suas terras, os camponeses invadem os subúrbios. Eles acreditam que Deus está em todas partes, mas por experiência própria sabem que atende nos grandes centros urbanos.

As cidades prometem trabalho, prosperidade, um futuro para os filhos. Nos campos, os esperadores olham a vida passar, e morrem bocejando; nas cidades, a vida acontece e chama. Amontoados em cortiços, a primeira coisa que os recém chegados descobrem é que o trabalho falta e os braços sobram, que nada é de graça e que os artigos de luxo mais caros são o ar e o silêncio.

Enquanto o século XIV nascia, o padre Giordano da Rivalto pronunciou, em Florença, um elogio das cidades. Disse que as cidades cresciam «porque as pessoas sentem gosto em juntar-se». Juntar-se, encontrar-se. Mas, quem encontra com quem? A esperança encontra-se com a realidade? O desejo, encontra-se com o mundo? E as pessoas, encontram-se com as pessoas?Se as relações humanas foram reduzidas a relações entre coisas, quanta gente encontra-se com as coisas?

O mundo inteiro tende a transformar-se em uma grande tela de televisão, na qual as coisas se olham mas não se tocam. As mercadorias em oferta invadem e privatizam os espaços públicos.

Os terminais de ônibus e as estações de trens, que até pouco tempo atrás eram espaços de encontro entre pessoas, estão se transformando, agora, em espaços de exibição comercial. O shopping center, o centro comercial, vitrine de todas as vitrines, impõe sua presença esmagadora. As multidões concorrem, em peregrinação, a esse templo maior das missas do consumo. A maioria dos devotos contempla, em êxtase, as coisas que seus bolsos não podem pagar, enquanto a minoria compradora é submetida ao bombardeio da oferta incessante e extenuante. A multidão, que sobe e desce pelas escadas mecânicas, viaja pelo mundo: os manequins vestem como em Milão ou Paris e as máquinas soam como em Chicago; e para ver e ouvir não é preciso pagar passagem. Os turistas vindos das cidades do interior, ou das cidades que ainda não mereceram estas benesses da felicidade moderna, posam para a foto, aos pés das marcas internacionais mais famosas, tal e como antes posavam aos pés da estátua do prócer na praça.

Beatriz Solano observou que os habitantes dos bairros suburbanos vão ao center, ao shopping center, como antes iam até o centro. O tradicional passeio do fim-de-semana até o centro da cidade tende a ser substituído pela excursão até esses centros urbanos. De banho tomado, arrumados e penteados, vestidos com suas melhores galas, os visitantes vêm para uma festa à qual não foram convidados, mas podem olhar tudo. Famílias inteiras empreendem a viagem na cápsula espacial que percorre o universo do consumo, onde a estética do mercado desenhou uma paisagem alucinante de modelos, marcas e etiquetas.

A cultura do consumo, cultura do efêmero, condena tudo à descartabilidade midiática. Tudo muda no ritmo vertiginoso da moda, colocada à serviço da necessidade de vender. As coisas envelhecem num piscar de olhos, para serem substituídas por outras coisas de vida fugaz. Hoje, quando o único que permanece é a insegurança, as mercadorias, fabricadas para não durar, são tão voláteis quanto o capital que as financia e o trabalho que as gera. O dinheiro voa na velocidade da luz: ontem estava lá, hoje está aqui, amanhã quem sabe onde, e todo trabalhador é um desempregado em potencial.

Paradoxalmente, os shoppings centers, reinos da fugacidade, oferecem a mais bem-sucedida ilusão de segurança. Eles resistem fora do tempo, sem idade e sem raiz, sem noite e sem dia e sem memória, e existem fora do espaço, além das turbulências da perigosa realidade do mundo.

Os donos do mundo usam o mundo como se fosse descartável: uma mercadoria de vida efêmera, que se esgota assim como se esgotam, pouco depois de nascer, as imagens disparadas pela metralhadora da televisão e as modas e os ídolos que a publicidade lança, sem pausa, no mercado. Mas, para qual outro mundo vamos nos mudar? Estamos todos obrigados a acreditar na historinha de que Deus vendeu o planeta para umas poucas empresas porque, estando de mau humor, decidiu privatizar o universo? A sociedade de consumo é uma armadilha para pegar bobos.

Aqueles que comandam o jogo fazem de conta que não sabem disso, mas qualquer um que tenha olhos na cara pode ver que a grande maioria das pessoas consome pouco, pouquinho e nada, necessariamente, para garantir a existência da pouca natureza que nos resta. A injustiça social não é um erro por corrigir, nem um defeito por superar: é uma necessidade essencial. Não existe natureza capaz de alimentar um shopping center do tamanho do planeta.

* Eduardo Galeano é escritor uruguaio, autor de As veias abertas da América Latina..

Tradução: Verso Tradutores
Fonte: Agência Carta Maior

extraído de
http://www.socialismo.org.br/portal/questoes-ideologicas/83-artigo/469-o-imperio-do-consumo-