domingo, 1 de março de 2009

Chomsky: Capitalismo só existe no terceiro mundo


Entrevista
Noam Chomsky

"Capitalismo só existe no terceiro mundo"

Intelectual americano critica protecionismo dos EUA e diz que o poder do capital é imposto à força nos países pobres

por Maíra Magro

Cético Autor de mais de 70 livros,
Chomski diz que Obama não será muito diferente de Bush
e que o Brasil está no caminho certo



Ele foi considerado o intelectual mais importante do mundo pelo jornal The New York Times. Em 2005, ficou no topo da lista dos principais acadêmicos do planeta, segundo pesquisa feita pelas influentes revistas Foreign Policy, dos Estados Unidos, e Prospect, da Inglaterra. Aos 80 anos, Noam Chomsky, americano descendente de judeus russos, é reconhecido também como o papa da linguística moderna, por ter revolucionado a área com suas pesquisas sobre aquisição de linguagem. Professor do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) há mais de meio século, Chomsky é também filósofo e comentarista político. A decisão de nadar contra o pensamento político dominante veio com a guerra do Vietnã, nos anos 60. Publicou mais de 70 livros e mil artigos. Em geral, obras de repercussão mundial sobre atentados terroristas, neoliberalismo e política internacional. Um dos maiores críticos da política internacional americana, Chomsky está lançando no Brasil Estados fracassados: o abuso do poder e o ataque à democracia (Bertrand, 349 págs., R$ 45), no qual argumenta que os Estados Unidos assumiram as características de um Estado fracassado e padecem de um déficit democrático. Nesta entrevista concedida à ISTOÉ, o intelectual diz que não vê perspectivas de mudanças com o presidente Barack Obama, mas deposita um mar de esperanças na América do Sul: "Neste momento, é a região mais interessante do mundo."

ISTOÉ - Barack Obama pode mudar o que o sr. chama de "Estado fracassado"?

Noam Chomsky - Possibilidades sempre existem, mas não há nada que aponte para isso. As nomeações têm sido basicamente do lado dos falcões (defensores da guerra), e as ações também. Obama intensificou a guerra no Afeganistão, aumentou os ataques ao Paquistão e rejeitou os apelos dos presidentes desses países para eliminar os bombardeios que atingem alvos civis.

Quanto à questão de Israel e da Palestina, ele já deixou bem claro que não tem a intenção de buscar um acordo. Em sua primeira declaração sobre política internacional, afirmou que a responsabilidade primária dos Estados Unidos é proteger a segurança de Israel, e não a dos palestinos, que são os que precisam de proteção.

ISTOÉ - O sr. está dizendo que Obama é igual a George W. Bush?

Chomsky - Para começar, há uma distinção entre o primeiro e o segundo mandato de Bush. O primeiro foi muito arrogante e agressivo, desconsiderou as leis internacionais e foi tão abusivo que se distanciou de países aliados. O segundo mandato amaciou a retórica e as ações, que estavam causando danos demais aos interesses dos Estados Unidos. É possível que Obama dê continuidade às políticas do segundo mandato. Em alguns aspectos, Obama ainda é mais agressivo, como no Paquistão e no Afeganistão, que, pelo que vejo, são suas principais preocupações internacionais.

ISTOÉ - Os Estados Unidos são uma democracia fracassada?

Chomsky - Se você comparar as eleições de 2008 com as de um dos países mais pobres do hemisfério, a Bolívia, o processo é radicalmente diferente. Você pode gostar ou não das políticas do presidente Evo Morales, mas elas vêm da população. Ele foi escolhido por um eleitorado popular que traçou suas próprias políticas. As questões são muito significativas: controle dos recursos naturais, direitos culturais... A população não se envolveu apenas no dia das eleições, essas lutas estão ocorrendo há anos. Isso é uma democracia. Os Estados Unidos são exatamente o oposto. O melhor comentário sobre as eleições foi feito pela indústria da publicidade, que deu à campanha de Obama o prêmio de melhor campanha de marketing do ano.

ISTOÉ - Alguns presidentes sul-americanos são chamados de populistas.

Chomsky - Populista quer dizer alguém atento à opinião popular.

ISTOÉ - Mesmo quando a distribuição de recursos não é sustentável?

Chomsky - Distribuição de recursos tem a ver com política econômica. Nos Estados Unidos, o país mais rico do mundo, a política econômica é definida por instituições financeiras, por pessoas que levaram o país à ruína e estão levando boa parte do mundo à ruína. Isso não é populismo, é política econômica destinada a enriquecer um setor bem pequeno. Você pode até discutir se a forma que Evo Morales distribui recursos é correta, mas chamar isso de populismo é usar palavras feias para políticas que desagradam aos ricos.

ISTOÉ - O presidente Hugo Chávez acaba de passar por um referendo que permite sua reeleição ilimitada. Isso é aceitável em uma democracia?

Chomsky - Você acha que os Estados Unidos foram um Estado fascista até 1945, quando tínhamos a mesma regra?

O presidente (Franklin) Roosevelt foi eleito quatro vezes seguidas. Eu, pessoalmente, não aprovo, mas não posso dizer que isso seja incompatível com a democracia, a não ser que você diga que os Estados Unidos nunca foram uma democracia. Isso é uma hipocrisia total. Isso vale também para outras democracias parlamentaristas, em que o primeiro-ministro pode ser reeleito de forma indefinida.

ISTOÉ - O sr. avalia o governo Chávez positivamente?

Chomsky - A pergunta que importa é: o que os venezuelanos pensam do governo? Em pesquisas feitas pelo Latinobarômetro, uma organização chilena muito respeitada, desde a eleição de Chávez, a Venezuela fica no topo ou perto do topo de uma lista de países quanto ao apoio popular ao governo e à democracia.

ISTOÉ - O sr. acha que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva representou alguma mudança para o Brasil?

Chomsky - De forma geral, suas políticas têm sido bastante construtivas. A disposição inicial de aceitar a disciplina das instituições financeiras internacionais foi questionável. Até havia justificativa para isso, mas ele poderia ter escolhido políticas alternativas que teriam estimulado mais a economia. Acho também que as políticas poderiam dar mais apoio a organizações como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Mas, em geral, o País parece estar andando na direção certa. A disposição de lidar com os problemas internos de desigualdade extrema, da fuga de capital, entre outros, está pelo menos na agenda. Além disso, há a tendência de integração regional e independência. A União de Nações Sul- Americanas (Unasul) é um exemplo, mas existem muitos outros, e a integração é um pré-requisito para a independência. De maneira geral, isso torna a América do Sul, do meu ponto de vista, o lugar mais interessante do mundo atualmente.

ISTOÉ - E qual o papel do Brasil?

Chomsky - O Brasil tem um papel central na integração regional, pois é o país mais rico e poderoso da região. O presidente Lula tem tomado uma posição muito boa, garantindo que países que os EUA tentam arruinar, principalmente a Bolívia e a Venezuela, estejam integrados ao sistema. O Brasil também está aumentando as relações com outros países do Sul. Mas a dependência das exportações agrícolas é uma forma questionável de desenvolvimento. Deveria haver tentativas de desenvolvimento que não dependessem tanto de exportações, como a da soja.

ISTOÉ - Como o sr. vê o ressurgimento de medidas protecionistas nos Estados Unidos e na União Européia?

Chomsky - Antes de falar sobre isso, temos que eliminar uma grande quantidade de mitologia. Os Estados Unidos, o país mais rico do mundo, sempre foram altamente protecionistas. Sua economia avançada depende crucialmente do setor estatal. Se você pensa em computadores, internet, tecnologia da informação, laser, tudo isso foi financiado pelo Estado. Você não pode falar em livre mercado porque eles não acreditam nisso.

ISTOÉ - O capitalismo está entrando em colapso com a crise?

Chomsky - O único lugar onde o capitalismo existe é nos países do Terceiro Mundo, onde ele é imposto à força.

ISTOÉ - Os anticapitalistas têm algum modelo para oferecer?

Chomsky - Existem diversas pessoas propondo coisas interessantes, basta ver o encontro em Belém (Fórum Social Mundial). Elas não são totalmente novas, vêm dos movimentos dos trabalhadores no século XIX. São propostas de se democratizar a sociedade inteira. Isso significa o controle democrático da manufatura, das finanças, dos sistemas de informação, e por aí em diante.

ISTOÉ - Vê algo de positivo no papel dos Estados Unidos atualmente?

Chomsky - Sim. Mas não se deve esperar que os países mais poderosos sejam agentes da moralidade. Não faz sentido ficar elogiando esses países pelas coisas decentes que fazem. Os Estados Unidos deveriam, por exemplo, ter um papel fundamental na reconstrução de Gaza depois das terríveis agressões feitas junto com Israel - foi um ataque em conjunto, pois eles estavam usando armas dos EUA, é claro. A estrangulação de Gaza pelos Estados Unidos e Israel, apoiada pela União Européia, começou imediatamente após as eleições, que foram reconhecidas como livres e justas, mas os Estados Unidos não gostaram do resultado e punem as pessoas. É uma boa indicação da aversão extrema que as elites ocidentais nutrem pela democracia.

ISTOÉ - O sr. concorda que os intelectuais de hoje são menos engajados que nos anos 60 e 70, por exemplo?

Chomsky - Não concordo com isso. É uma ilusão pensar que intelectuais eram diferentes no passado. De modo geral, os intelectuais são altamente subordinados ao poder. Isso também era verdade nos anos 60. Veja, por exemplo, a guerra do Vietnã, que era uma questão importantíssima na época. Se você olhar o The New York Times ou outro jornal importante nos quais intelectuais se expressavam, a crítica mais forte que poderá encontrar da guerra é - bem, estou citando a crítica mais extrema - de que a guerra começou com esforços de fazer o bem, mas se transformou em um desastre com custos muito altos para nós mesmos.

ISTOÉ - O sr. dedicou a vida a pensar as questões mais importantes do mundo. Como se sente hoje?

Chomsky - Há passos em direção a um mundo mais livre, justo e democrático. Isso não cai do céu como um presente, vem da luta popular engajada. E, sim, ela tem sido muito bemsucedida. Então, na medida em que sou parte dela, eu me sinto feliz. Os movimentos populares que se desenvolveram a partir dos anos 60 tiveram um impacto muito significativo no mundo, de diversas formas. Veja um exemplo óbvio, das últimas eleições nos Estados Unidos: o Partido Democrata tinha dois candidatos, uma mulher e um afro-americano. Isso seria inconcebível 20 anos atrás.

fonte: http://www.terra.com.br/istoe/edicoes/2051/imprime127063.htm

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"Os Caminhos do Poder - Reflexões Sobre a Natureza Humana e a Ordem Social. 1998.
Noam Chomsky - pronto para "baixar":

http://www.scribd.com/doc/6945603/Os-Caminhos-Do-Poder-Noam-Chomsky e em

http://www.4shared.com/file/29291220/4f91d228/OS_CAMINHOS_DO_PODER_-_Noam_Chomsky.html

Muitas obras mais, para "baixar", em PDF

http://www.4shared.com/network/search.jsp?searchName=noam+chomsky&searchExtention=&searchmode=2

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O novo anti-semitismo

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O novo anti-semitismo

Umberto Eco

Do The New York Times
Sábado, 28 de fevereiro de 2009, 09h44



No mês passado, em resposta à guerra em Gaza entre Israel e o Hamas, o pianista Daniel Barenboim pediu que intelectuais ao redor do mundo assinassem um manifesto divulgando uma nova iniciativa para resolver o conflito (publicado recentemente pelo The New York Review of Books). A princípio, a intenção é quase ridiculamente óbvia: O objetivo principal é juntar todos os recursos possíveis para propor uma mediação vigorosa. Mas o mais significativo é que um grande artista israelense é o responsável pela iniciativa.

É um sinal de que as mentes mais lúcidas e os pensadores mais profundos de Israel estão pedindo que as pessoas parem de se perguntar que lado é o certo ou o errado e trabalhem para a coexistência dos dois povos. Sendo assim, os protestos contra o governo israelense são compreensíveis, não fosse pelo fato de que estes protestos possuem normalmente um tom anti-semita.

Se os protestantes não demonstram uma postura anti-semita explícita, a imprensa o está fazendo nos dias de hoje. Já vi artigos que mencionam - como se fosse a coisa mais óbvia do mundo - "protestos anti-semitas em Amsterdam" e coisas do gênero. É algo que já ficou tão banalizado que o anormal agora é pensar que seja algo anormal. Mas vamos refletir se seria correto definir um protesto contra a administração Markel na Alemanha como antiariano, ou um protesto contra Berlusconi na Itália como antilatino.

Neste curto espaço é impossível resumir os problemas centenários do anti-semitismo, suas ressurgências ocasionais, suas várias raízes. Quando uma postura sobrevive por 2.000 anos, já está impregnada de fé religiosa - de crenças fundamentalistas. O anti-semitismo pode ser definido como uma das muitas formas de fanatismo que envenenaram o mundo através dos tempos. Se muitas pessoas acreditam na existência de um diabo que conspira para nos levar à ruína, por que não poderiam acreditar também numa conspiração judaica para dominar o mundo?

O anti-semitismo, como qualquer atitude irracional orientada pela fé cega, é cheio de contradições; seus adeptos não as percebem, mas as repetem sem qualquer constrangimento. Por exemplo, nas ocorrências clássicas do anti-semitismo no século XIX, dois lugares comuns eram utilizados sempre que a ocasião assim pedisse. Um era que os judeus, que viviam em lugares apertados e escuros, eram mais suscetíveis do que os cristãos a infecções e doenças (e, portanto, eram perigosos). Por razões misteriosas, o segundo argumento era justamente que os judeus eram mais resistentes a pragas e epidemias, além de serem sensuais e assustadoramente fecundos, o que fazia deles invasores em potencial do mundo cristão.

Outro lugar comum foi amplamente utilizado tanto pela esquerda quando pela direita, e para exemplificar, eu cito um clássico do anti-semitismo socialista (Alphonse Toussenel, "Les Juifs, Rois de l'Epoque," 1847) e um clássico do anti-semitismo católico legitimista (Henri Gougenot des Mousseaux, "Le Juif, le Judaisme et la Judaisation des Peoples Chretiens," 1869). As duas obras sustentam o argumento de que os judeus não praticavam a agricultura e, portanto, eram distantes da vida produtiva dos países em que residiam. Por outro lado, eles eram também completamente dedicados às finanças, ou seja, a posse do ouro. Portanto, sendo nômades por natureza, e impulsionados por suas esperanças messiânicas, eles poderiam prontamente abandonar os estados que os acolheram e facilmente levar toda a riqueza com eles. Não vou comentar o fato de que outra ocorrência anti-semita daquele período, incluindo o notório "Os Protocolos dos Sábios de Sião", acusava os judeus de tentar se apoderar de propriedades para tomar seus campos. Como já foi dito, o anti-semitismo é cheio de contradições.

Uma característica proeminente dos israelenses é que eles utilizaram métodos ultramodernos para cultivar a terra, criando fazendas modelo e afins. Então, se eles lutassem, seria precisamente para defender o território em que eles se estabeleceram de forma estável. Este, acima de todos os argumentos, é o que os árabes anti-semitas usam contra eles, sendo que na realidade o objetivo principal deste tipo de árabe é destruir o Estado de Israel.

Em suma, os anti-semitas não gostam quando os judeus vivem em um país que não seja Israel. Mas, se um judeu decide morar em Israel, os anti-semitas também não gostam. Claro, eu sei muito bem da objeção de que o território onde hoje é Israel foi um dia palestino. Mesmo assim, ele não foi conquistado com violência aviltante ou com nativos dizimados, como no caso da América do Norte, ou mesmo pela destruição de estados governados por seus monarcas de direito, como na América do Sul, mas através migrações graduais e assentamentos que foram inicialmente aceitos.

De qualquer forma, enquanto algumas pessoas ficam irritadas quando aqueles que criticam as políticas de Israel são chamados de anti-semitas, aqueles que traduzem imediatamente qualquer criticismo às políticas israelenses com termos anti-semitas me deixam ainda mais preocupado.


Umberto Eco é filósofo e escritor. É autor de "A Misteriosa Chama Da Rainha Loana", "Baudolino", "O Nome da Rosa" e "O Pêndulo de Foucault". Artigo distribuído pelo The New York Times Sybdicate


http://noticias.terra.com.br/imprime/0,,OI3603669-EI12929,00.html

http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI3603669-EI12929,00.html
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Mulher e a dominação do capital produtivo

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A mulher na ótica de dominação do capital produtivo

O que o capital faz é se apropriar destas diferenças como potencial de seu poder de transformar a diversidade em diferença comercial, mercantil.

As diferenças se transformam em classificações e potencializam negócios para aqueles que se apropriam privadamente delas. É assim como a divisão entre o trabalho feminino e o masculino; e atrelado a ela, o ser homem e o ser mulher, ganha, no capitalismo mais avançado, dimensões importantes tanto para a valorização do capital na produção (com remunerações cada vez menores do trabalho feminino e uma informalidade maior para a mulher), quanto no consumo (políticas de marketing e venda para grupos diferenciados).


Roberta Traspadini


Em meio à comemoração das conquistas manifestas pelo dia internacional da mulher, oito de março, o debate a ser aprofundado é sobre a particular funcionalidade da diferenciação entre homem e mulher no modo de acumulação capitalista.

Algumas perguntas serão sugeridas como forma dialógica sobre o tema.

Qual o sentido do trabalho para o capital?

O trabalho para o capital é a fonte geradora de parte expressiva de sua riqueza. É por meio do trabalho, mais bem, da apropriação privada do trabalho alheio que o capital avança, se reproduz, ao longo de seu desenvolvimento histórico.

Assim, o trabalho em todas as suas dimensões é quem gera o valor daqueles, que no capitalismo, possuem suas riquezas materiais.

Sem produção apropriada não há capitalismo. Sua fonte então é a de ao se apropriar do trabalho alheio, consumir parte crescente do tempo cotidiano do trabalhador.

E esse é um elemento central. Ao longo do desenvolvimento das forças produtivas, o trabalho vai ser moldado, em cada época histórica, para ampliar sua produtividade, sem que com isso melhore, todo o contrário, a situação de sobrevivência de grande parte dos trabalhadores mundiais.

É o capital quem cria as diferenças de gênero, raça-etnia e idade?

Não. Estas diferenciações são anteriores a esse modo de produção e também fazem parte dos processos históricos de cunho diferente do capitalista, como as sociedades latinas anteriores à colonização, bem como as sociedades orientais.

O que o capital faz é se apropriar destas diferenças como potencial de seu poder de transformar a diversidade em diferença comercial, mercantil. Isto significa dizer que o oportunismo do capital, provoca, para o trabalho, distinções que gerarão conflitos na compreensão de classe trabalhadora, tamanhas as diferenças de remuneração, ocupação dos postos de trabalho, e projeção entre trabalho intelectual e manual.

Com a apropriação destas diferenças, transformadas em negócios, o que o capital provoca é a produção de um poder ainda maior na sua construção ideológico-cultural, frente aos sujeitos que possuem somente sua força de trabalho como condição de sobrevivência.

As diferenças se transformam em classificações e potencializam negócios para aqueles que se apropriam privadamente delas. É assim como a divisão entre o trabalho feminino e o masculino; e atrelado a ela, o ser homem e o ser mulher, ganha, no capitalismo mais avançado, dimensões importantes tanto para a valorização do capital na produção (com remunerações cada vez menores do trabalho feminino e uma informalidade maior para a mulher), quanto no consumo (políticas de marketing e venda para grupos diferenciados).

Para o consumo, a distinção é essencial para caracterizar grupos, segmentos, indivíduos com a produção de necessidade comportamental de consumir para ser. Isto é muito importante: na sociedade capitalista de produção individualizada, fragmentada, só é cidadão aquele que, mais do que posse, tenha o desejo de consumir.

É a consolidação diabólica de transformar em desejo aquilo que não é realmente necessário. Aí entram em cena, ao invés das classes e de suas lutas, grupos sociais reduzidos a grupos consumidores, com formas específicas de consumo, com base em diferenciações étnico-raciais, de gênero e idade.

Essas diferenciações têm como função concreta, dispor de uma sociedade que, ao estar escravizada em uma ponta (produção), não pode estar livre na outra (consumo).

Por isso para o capital, o ser mulher, implica e não implica diferenças. Implica diferenças que, ao precarizar ainda mais o mundo do trabalho, pressionam para agudizarmos o conflito na luta de classes, com o objetivo de superá-lo. E, não implica diferenças na produção de valor desse modo particular de acumulação, que, com isto, requer que estejamos na luta, como classe organizada, homens e mulheres.

Mas isto significa que a luta da mulher é menos importante?

Não. Todo o contrário. Ao se aproveitar de forma oportunista de diversidade, transformando-a em diferenciação, concorrência, mercadoria, o que o capital faz é transformar o mundo do trabalho em grupos fragmentados que disputarão entre si posições a partir daquilo que, aparentemente, estão dispostos a receber. Aqui entra em cena o tema do trabalho assalariado “livre” para parte da sociedade. Outra parte, mais numerosa, classificada como desqualificada para o trabalho formal, é o que no mundo do trabalho fica caracterizado, pelo capital, como trabalhadores informais. Estes estão fora dos direitos e deveres da ordem burguesa, logo, necessitam ser vigiados e castigados.

Por isso e muito mais, a luta da mulher, como classe que vive do trabalho é imprescindível. É a partir da forma como somos encaradas, pelo capital, como mercadoria ainda mais precária que a mercadoria trabalho em geral, que a potencialização da nossa luta ganha dimensões ainda mais expressivas.

Em outras palavras, a particular forma de opressão e exploração vivida por nós mulheres, tanto no mercado de trabalho (formal e informal), quanto no processo de produção de valores politico-culturais, traz para a classe organizada, elementos substantivos de, ao compreender os mecanismos gerados pelo capital contra o trabalho, lutar organizada e coletivamente por sua superação.

Nossa histórica tarefa revolucionária é a de trabalhar por uma estratégia que supere esse modo de morte em vida, ora protagonizado por nossa classe, sob o domínio do capital. Nossa tática, como mulheres pertencentes à classe trabalhadora, se vincula à estratégia de, ao frear a extração de valor, lutar por um outro projeto de socialização da produção e das relações sociais que a dão vida.

(*) Economista, educadora popular e integrante da Consulta Popular/ES.
26/02/09


extraído de:
http://www.radioagencianp.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=6319&Itemid=43font

para ouvir o texto, na voz da autora - (6'10'' / 1,44 Mb):
http://www.radioagencianp.com.br/images/stories/notplan/mp3/2009/fevereiro/260209amulher.mp3

fonte da imagem:
http://4.bp.blogspot.com/_9EWM2CP5_HE/SIPGpClmEQI/AAAAAAAAAG0/2ysewbK-yyk/s320/03%2B%C3%BAtero.jpg
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Mulher na Filosofia

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fonte da foto
http://bijumanias.files.wordpress.com/2008/06/cancro-do-utero2.jpg
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Rede Internacional de Mulheres Filósofas

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Rede Internacional de Mulheres Filósofas

A UNESCO tem o prazer de anunciar a criação do Website da Rede Internacional de Mulheres Filósofas, um portal de informação mundial disponível para mulheres filósofas e outros amigos da filosofia.

O que é a Rede?

A Rede visa encorajar e a favorecer a solidariedade entre as mulheres filósofas e lhes oferecer reconhecimento e visibilidade. Para mais: inglês, francês

Diretório da Rede

Um dos principais objetivos da Rede é fornecer aos visitantes do website com um diretório de mulheres filósofas do mundo todo. Para mais: inglês, francês

Parcipantes do Brasil - 2008 (pdf - 2 p.)

Como ser membro da Rede

Toda mulher que trabalha no campo da filosofia ou que se relaciona com o mundo da filosofia, mesmo por intermédio de outra disciplina, pode integrar à Rede Internacional de Mulheres Filósofas. Para mais: inglês, francês

A Rede no mundo

A UNESCO encoraja que as próprias mulheres filósofas determinem o estabelecimento da Rede, suas estruturas independentes e suas nomeações de comissões nacionais e regionais de diversos países e regiões.

Estruturas independentes: inglês, francês

Áreas de interesses comuns: inglês, francês

Boletin de Informação da Rede

Um Boletim Eletrônico de Informação publicado periodicamente será disponível no Website da Rede estruturado para servir como um laço genuíno para ligar as mulheres filósofas das diversas partes do mundo. Para mais: inglês, francês

Website da Rede: Línguas: inglês, francês

fonte
http://www.brasilia.unesco.org/areas/dsocial/areastematicas/filosofia/redemulheresfilosofas

Rede Internacional de Mulheres Filósofas no Brasil
http://www3.unesco.org.br/comunidades/comunespec/dsocial/RedeInternacionalMulheresFilosofasBrasil.pdf

Página em Inglês:
http://portal.unesco.org/shs/en/ev.php-URL_ID=11637&URL_DO=DO_TOPIC&URL_SECTION=201.html

Página em Francês:
http://portal.unesco.org/shs/fr/ev.php-URL_ID=11637&URL_DO=DO_TOPIC&URL_SECTION=201.html


Diretório completo com todas as associadas no mundo
Em Inglês
http://portal.unesco.org/shs/en/ev.php-URL_ID=11749&URL_DO=DO_TOPIC&URL_SECTION=201.html

em Francês
http://portal.unesco.org/shs/fr/ev.php-URL_ID=11749&URL_DO=DO_TOPIC&URL_SECTION=201.html

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Esboço de da Vinci pode ser auto-retrato

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Esboço oculto pode ser auto-retrato de Leonardo da Vinci

27 de fevereiro de 2009 • 17h17
atualizado em 28 de fevereiro de 2009 às 19h43


Um esboço que durante cinco séculos ficou oculto sob um texto manuscrito em um dos cadernos de Leonardo da Vinci pode ser um auto-retrato dele na juventude, de acordo com especialistas italianos que "envelheceram" o desenho para compará-lo com auto-retratos do artista mais velho.

Escondido sob camadas de manuscrito numa página do "Códice sobre o Vôo dos Pássaros", o desenho foi identificado pelo jornalista científico italiano Piero Angela, que vai apresentar imagens de sua descoberta na televisão estatal italiana RAI no sábado.

Estudando um facsímile de alta qualidade do códice, Angela primeiro detectou o esboço leve de um nariz sob o texto preto espesso da décima página do códice, disse ele em entrevista coletiva nesta sexta-feira. O estudioso convocou a ajuda de historiadores da arte, especialistas forenses policiais e do departamento gráfico da RAI para converter em branco o texto preto que recobria o esboço, e então deixá-lo da mesma cor que o papel.

Ao longo de meses de trabalho com micropixels, o designer gráfico Giovanni Stillitano pouco a pouco "removeu" o texto e revelou o desenho que há por baixo. O que emergiu foi o rosto de um homem entre jovem e de meia-idade, com cabelos longos, barba curta e olhar penetrante.

Primeiramente, os traços foram comparados a todos os retratos e esboços conhecidos de homens jovens feitos por Leonardo, mas não foi encontrada nenhuma correspondência. Então, tendo notado semelhanças com o famoso auto-retrato de Leonardo em idade avançada, pintado por volta de 1512 - um trabalho de giz vermelho sobre papel, abrigado na Biblioteca Reale de Turim -, Angela se perguntou se o desenho poderia ser um auto-retrato de Leonardo mais jovem.

Técnicas de investigação criminal foram usadas para correlacionar digitalmente o desenho com o retrato conhecido do artista e "envelhecê-lo" com tecnologia de reconfiguração facial, afundando os ossos molares e os olhos e enrugando a fronte. A polícia considerou as duas imagens compatíveis "a tal ponto que podemos considerar razoável a hipótese de que as duas imagens retratam a mesma pessoa".

Os resultados foram validados por um cirurgião plástico, Giuseppe Leopizzi, e verificados novamente por meio digital, quando o auto-retrato de Leonardo mais velho foi "rejuvenescido" digitalmente. Com as rugas removidas e os olhos mais brilhantes, a versão mais jovem do auto-retrato mais velho foi superposta ao desenho recém-descoberto, e descobriu-se que era quase idêntica.

"Encontrar um novo desenho de Leonardo já é algo espantoso por si só", disse Angela. "Quando tentei envelhecer o rosto, colocando nele o cabelo e a barba do auto-retrato famoso, um arrepio percorreu minha espinha. Parecia um irmão gêmeo de Leonardo".

O especialista em Leonardo da Vinci Carlo Pedretti, da Universidade da Califórnia, descreveu o desenho como "uma das conquistas mais importantes no estudo de Leonardo, no estudo de sua imagem e também no estudo de seu pensamento".

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http://noticias.terra.com.br/ciencia/interna/0,,OI3603884-EI238,00.html
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Nos 445 anos de Galileu, astronomia avança

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Luneta utilizada por Galileu entre 1609 e 1610
foi exposta em museu de Florença

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Nos 445 anos de Galileu, astronomia avança

15 de fevereiro de 2009 • 15h58 • atualizado às 22h49

O famoso astrônomo italiano Galileu Galilei (1564-1642), cujos 445 anos de nascimento são comemorados neste domingo, impressiona os especialistas até hoje por ter formulado novas teorias sobre o universo, que contrariavam o que se conhecia até a época, tendo à disposição apenas equipamentos limitados e de pouca qualidade. Com uma simples luneta refratora (de lente principal objetiva), o cientista coletou dados que revolucionaram a astronomia, deixando marcas que atravessam séculos.

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e a União Astronômica Internacional (UAI) aproveitaram a data e decretaram em 2009 o Ano Internacional da Astronomia. Com participação de mais de 100 países, a iniciativa marca os 400 anos da primeira observação astronômica feita pelo cientista.

"Galileu tinha grandes limitações em seu trabalho e utilizava equipamentos de qualidade óptica sofríveis", afirmou o geógrafo Gilberto Klar Renner, do Planetário de Porto Alegre, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que estuda astronomia. Para superar estes problemas, explicou Renner, "ele fez novas medições e adaptações que lhe permitiram desenvolver novas lunetas e qualificar suas observações".

Atualmente, os astrônomos não enfrentam tantas dificuldades quanto Galileu. A tecnologia chegou a um estágio tão avançado que em muitas pesquisas o profissional não vai mais ao observatório para concluir um estudo, avaliou Renner. "Nos grandes observatórios, os equipamentos coletam todas as informações (raios infravermelhos e ultravioleta), deixando as medições para o computador. O cientista só precisa pegar os dados e analisá-los", disse.

Os telescópios modernos, associados a detectores de carga acoplada (CCD, Charged Coupled Devise), podem ser milhões de vezes mais eficientes e muito mais precisos do que a antiga luneta de Galileu, mas os princípios ópticos são essencialmente os mesmos, pois captam mais luz do que o olho humano. Quem garante isto é o físico Horacio Dottori, professor do Departamento de Astronomia da UFRGS e pesquisador do CNPq.

Para o especialista, captar mais luz dos alvos astronômicos significa poder enxergar objetos mais fracos ou observar objetos extensos com maior resolução angular. "O olho humano, ao focar um carro, observa o veículo reduzir-se cada vez mais de tamanho, enquanto a pessoa se distancia. Sabemos que, na verdade, o carro ainda tem o tamanho real, mas o que muda com a distância é o ângulo sob o qual o olho observa aquele carro. Um binóculo, por exemplo, nada mais é do que dois pequenos telescópios lado a lado, que, além de aumentar o tamanho angular do objeto, permite prolongar a visão estereoscópica (tridimensional) do olho humano.

O pesquisador lembrou também que a qualidade da observação e o alcance do instrumento dependem do diâmetro da objetiva que coleta a luz do astro no equipamento. "Quanto maior a lente, maior a entrada de luz e melhor a nitidez do foco", completou.

Gênio controvertido

O astrônomo, físico e matemático Galileu Galilei nasceu em 15 de fevereiro de 1564 em Florença, na Itália. Foi o responsável por melhorar significativamente o telescópio refrator, além de fazer importantes descobertas como as manchas solares, as montanhas da Lua, as fases de Vênus, os quatro grandes satélites de Júpiter, os anéis de Saturno e aglomerações de estrelas da Via Láctea.

Mesmo pioneiro em observações astronômicas, o pesquisador não teve uma vida fácil. Foi condenado por heresia pelo Tribunal da Inquisição, da Igreja Católica, por aderir à teoria do heliocentrismo, proposta por Copérnico. Ele também acreditava que o Sol era o centro do universo e não a Terra. Morreu em 8 de janeiro de 1642 e foi enterrado na Basílica de Santa Croce, em Florença.

Problemas de visão

Cientistas do Museu de Florença, na Itália, querem abrir o túmulo de Galileu para analisar seu DNA, a fim de entender se o pesquisador sofria de alguma doença degenerativa nos olhos, que teria lhe causado uma cegueira. Com o DNA, os especialistas europeus afirmam que podem compreender como a enfermidade teria distorcido sua visão para compreender alguns erros cometidos por Galileu, como descrever que o planeta Saturno tinha 'orelhas laterais', em vez dos anéis.

Gilberto Klar Renner acredita que o equívoco de Saturno não deve ser atribuído à cegueira porque "a qualidade óptica do seu equipamento não permitia identificar os anéis com clareza". Segundo ele, "os anéis foram vistos de frente, e não de lado, devido a uma posição diferente que o planeta se encontrava". "Alguns meses mais tarde, Galileu conseguiu corrigir o erro, prevendo que a posição do ponto observado iria mudar", destacou.

Para Horacio Dottori, o possível problema de visão de Galileu pode ter sido provocado pelo Sol. "Olhar diretamente para o Sol pode queimar a retina. Galileu não se deu conta disso e acabou se prejudicando", considerou. O especialista alertou que o efeito se torna ainda pior no caso do uso de um telescópio, já que o instrumento foi feito para captar bastante luz.

Redação Terra

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