quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Ensinar a Condição Humana, com Edgar Morin

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Ensinar a Condição Humana


A educação do futuro deverá ser o ensino primeiro e universal, centrado na condição humana. Estamos na era planetária; uma aventura comum conduz os seres humanos, onde quer que se encontrem. Estes devem reconhecer-se em sua humanidade comum e ao mesmo tempo reconhecer a diversidade cultural inerente a tudo que é humano.

Conhecer o humano é, antes de mais nada, situá-lo no universo, e não separá-lo dele. Todo conhecimento deve contextualizar seu objeto, para ser pertinente. “Quem somos?” é inseparável de “Onde estamos?”, “De onde viemos?”, “Para onde vamos?

Interrogar nossa condição humana implica questionar primeiro nossa posição no mundo. O fluxo de conhecimentos, no final do século XX, traz nova luz sobre a situação do ser humano no universo. Os progressos concomitantes da cosmologia, das ciências da Terra, da ecologia, da biologia, da pré-história, nos anos 1960-1970, modificaram as idéias sobre o Universo, a Terra, a Vida e sobre o próprio Homem. Mas estas contribuições permanecem ainda desunidas. O humano continua esquartejado, partido como pedaços de um quebra-cabeça ao qual falta uma peça.

Aqui se apresenta um problema epistemológico: é impossível conceber a unidade complexa do ser humano pelo pensamento disjuntivo, que concebe nossa humanidade de maneira insular, fora do cosmos que a rodeia, da matéria física e do espírito do qual somos constituídos, bem como pelo pensamento redutor, que restringe a unidade humana a um substrato puramente bioanatômico.

As ciências humanas são elas próprias fragmentadas e compartimentadas. Assim, a complexidade humana torna-se invisível e o homem desvanece “como um rastro na areia”. Além disso, o novo saber, por não ter sido religado, não é assimilado nem integrado. Paradoxalmente assiste-se ao agravamento da ignorância do todo, enquanto avança o conhecimento das partes.

Disso decorre que, para a educação do futuro, é necessário promover grande remembramento dos conhecimentos oriundos das ciências naturais, a fim de situar a condição humana no mundo, dos conhecimentos derivados das ciências humanas para colocar em evidência a multidimensionalidade e a complexidade humanas, bem como integrar (na educação do futuro) a contribuição inestimável das humanidades, não somente a filosofia e a história, mas também a literatura, a poesia, as artes...


Enraizamento / Desenraizamento do Ser Humano

Devemos reconhecer nosso duplo enraizamento no cosmos físico e na esfera viva e, ao mesmo tempo, nosso desenraizamento propriamente humano. Estamos simultaneamente dentro e fora da natureza.


A condição cósmica

Abandonamos recentemente a idéia do Universo ordenado, perfeito, eterno pelo universo nascido da irradiação, em devenir disperso, onde atuam, de modo complementar, concorrente e antagônico, a ordem, a desordem e a organização.

Encontramo-nos no gigantesco cosmos em expansão, constituído de bilhões de galáxias e de bilhões e bilhões de estrelas.

Aprendemos que nossa Terra era um minúsculo pião que gira em torno de um astro errante na periferia de pequena galáxia de subúrbio. As partículas de nossos organismos teriam aparecido desde os primeiros segundos de existência de nosso cosmo há (talvez?) quinze bilhões de anos; nossos átomos de carbono formaram- se em um ou vários sóis anteriores ao nosso; nossas moléculas agruparam-se nos primeiros tempos convulsivos da Terra; estas macromoléculas associaram-se em turbilhões dos quais um, cada vez mais rico em diversidade molecular, se metamorfoseou em organização de novo tipo, em relação à organização estritamente química: uma auto-organização viva.

A epopéia cósmica da organização, continuamente sujeita às forças da desorganização e da dispersão, é também a epopéia da religação que, sozinha, impediu que o cosmos se dispersasse ou se desvanecesse ao nascer. No seio da aventura cósmica, no ápice do desenvolvimento prodigioso de um ramo singular da auto-organização viva, prosseguimos a aventura à nossa maneira.


A condição física

Uma porção de substância física organizou-se de maneira termodinâmica sobre a Terra; por meio de imersão marinha, de banhos químicos, de descargas elétricas, adquiriu Vida. A vida é solar: todos os seus elementos foram forjados em um sol e reunidos em um planeta cuspido pelo Sol: ela é a transformação de uma torrente fotônica resultante de resplandecentes turbilhões solares. Nós, os seres vivos, somos um elemento da diáspora cósmica, algumas migalhas da existência solar, um diminuto broto da existência terrena.


A condição terrestre

Pertencemos ao destino cósmico, porém estamos marginalizados: nossa Terra é o terceiro satélite de um sol destronado de seu posto central, convertido em astro pigmeu errante entre bilhões de estrelas em uma galáxia periférica de um universo em expansão...

Nosso planeta agregou-se há cinco bilhões de anos, a partir, provavelmente, de detritos cósmicos resultantes da explosão de um sol anterior, e há quatro bilhões de anos a organização viva emergiu de um turbilhão macromolecular em meio a tormentas e convulsões telúricas. A Terra autoproduziu-se e auto-organizou-se na dependência do Sol; constituiu-se em complexo biofísico a partir do momento em que se desenvolveu a biosfera. Somos a um só tempo seres cósmicos e terrestres. A vida nasceu de convulsões telúricas, e sua aventura correu perigo de extinção ao menos por duas vezes (no fim da era primária e durante a secundária). Desenvolveu-se não apenas em diversas espécies, mas também em ecossistemas em que as predações e devorações constituíram a cadeia trófica de dupla face: a da vida e a da morte. Nosso planeta erra no cosmo. Devemos assumir as conseqüências da situação marginal, periférica que é a nossa.

Como seres vivos deste planeta, dependemos vitalmente da biosfera terrestre; devemos reconhecer nossa identidade terrena física e biológica.


1.4 A condição humana

A importância da hominização é primordial à educação voltada para a condição humana, porque nos mostra como a animalidade e a humanidade constituem, juntas, nossa condição humana.

A antropologia pré-histórica mostra-nos como a hominização é uma aventura de milhões de anos, ao mesmo tempo descontínua — surgimento de novas espécies: habilis, erectus, neanderthal, sapiens, e desaparecimento das precedentes, aparecimento da linguagem e da cultura — e contínua, no sentido de que prossegue em um processo de bipedização, manualização, erguimento do corpo, cerebralização, juvenescimento (o adulto que conserva os caracteres não-especializados do embrião e os caracteres psicológicos da juventude), de complexificação social, processo durante o qual aparece a linguagem propriamente humana, ao mesmo tempo que se constitui a cultura, capital adquirido de saberes, de fazeres, de crenças e mitos transmitidos de geração em geração...

A hominização conduz a novo início. O hominídeo humaniza-se. Doravante, o conceito de homem tem duplo princípio; um princípio biofísico e um psico-sócio-cultural, um remetendo ao outro. Somos originários do cosmos, da natureza, da vida, mas, devido à própria humanidade, à nossa cultura, à nossa mente, à nossa consciência, tornamo-nos estranhos a este cosmos, que nos parece secretamente íntimo. Nosso pensamento e nossa consciência fazem-nos conhecer o mundo físico e distanciam-nos dele. O próprio fato de considerar racional e cientificamente o universo separa-nos dele. Desenvolvemo-nos além do mundo físico e vivo. É neste “além” que tem lugar a plenitude da humanidade. À maneira de ponto do holograma, trazemos no seio de nossa singularidade não somente toda a humanidade e toda a vida, mas também quase todo o cosmos, incluindo seu mistério que, sem dúvida, jaz no fundo da natureza humana. Mas não somos seres que poderiam ser conhecidos e compreendidos unicamente a partir da cosmologia, da física, da biologia, da psicologia...


in Os Sete Saberes necessários à Educação do Futuro
Edgar Morin



Tema de reflexão do Café Filosófico de novembro de 2009, da Regional SEAF Sul-Fluminense

Jerônimo da Silva - UBM








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SC: é proibido discriminar EAD

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Discriminação contra cidadãos com formação no ensino a distância será punida

Foi aprovado o Projeto de Lei nº 122/09, do deputado Professor Sérgio Grando (PPS), que tem como propósito punir qualquer empresa, órgão ou entidade que discrimine cidadãos que disponham de formação superior ou vida acadêmica nas modalidades de Ensino a Distância.

Mais de 20 mil cidadãos residentes no Estado estudam atualmente nestas modalidades de ensino superior.

Juntamente com a matéria, os parlamentares aprovaram duas emendas modificativas de autoria do deputado Pedro Uczai (PT). Elas estabelecem que compete ao poder público estadual o recebimento e análise das reclamações quanto à discriminação de pessoas com formação superior ou vida acadêmica nas modalidades de ensino a distância, que deverão ser encaminhadas aos órgãos competentes para que tomem as medidas cabíveis.

Rubens Vargas/Divulgação Alesc

Fonte: Assembléia Legislativa de SC

Para ler o Projeto de lei na íntegra.

recebido de Annye Tessaro - Florianópolis/SC




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60 anos de "O Segundo Sexo", de Simone de Beauvoir

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O Feminismo e as ligações França-Brasil - Os 60 anos de O Segundo Sexo, de Simone de Beauvoirmesa de debate com

  1. Nilcéa Freire - ministra, Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres
  2. Maria Betânia Ávila – socióloga, feminista e diretora do SOS Corpo - Instituto Feminista para a Democracia
  3. Maria Luiza Heilborn - antropóloga, feminista e diretora do Centro Latino-Americano em Sexualidade e Direitos Humanos (CLAM)
  4. Brigitte Lhomond – socióloga, pesquisadora do Centro Nacional de Pesquisa Científica, Laboratório Triangle (École Normale Supérieure Lettres et Sciences Humaines, Universités de Lyon, CNRS)
do evento:
Seminário Nacional A Mulher e a Mídia 6

Realização:
  1. Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM)
  2. Instituto Patrícia Galvão – Comunicação e Mídia
  3. Fundo das Nações Unidas para o Desenvolvimento da Mulher (UNIFEM)
  4. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD)

Frases

  1. “Precisamos pensar em como alargar as fronteiras do feminismo, estabelecer alianças e projetos em comum” - Brigitte Lhomond
  2. “Simone não se interessava por saber do Brasil do carnaval. Queria saber da condição da mulher no Brasil” - Maria Betânia Ávila
  3. “Precisamos nos opor à Simone sombreada, divulgada apenas como ensaísta e não como a verdadeira filósofa que foi, com um importante papel de transformação social” - Maria Luiza Heilborn
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Quais serão as lutas das novas gerações de jovens feministas?
O jogo está ganho?
A provocação é da socióloga francesa Brigitte Lhomond,
pesquisadora do Centro Nacional de Pesquisa Científica, em Lyon,
e convidada para o evento especial
“O Feminismo e as ligações França-Brasil -
Os 60 anos de O Segundo Sexo, de Simone de Beauvoir”,
realizado na abertura do 6º Seminário A Mulher e a Mídia.
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Brigitte estuda a trajetória dos movimentos de liberação das mulheres e a influência do pensamento de Simone de Beauvoir na luta feminista. Nesta perspectiva, ela acredita que o feminismo continua sendo um importante instrumento de luta, mas com a missão de repensar e discutir de maneira contínua temas como aborto, participação política, prostituição e religiosidade.

Para enfrentar os novos desafios, Brigitte retoma a trajetória das diversas correntes feministas, que começaram a ter visibilidade a partir do final da década de 60, como uma continuação das mobilizações de maio de 68. Ela considera a abundância de grupos, os encontros e enfrentamentos dessas correntes como fundamentais para a construção do feminismo transformador da sociedade.

“A perspectiva do feminismo radical é muito importante. Resultou em uma série de publicações e movimentos. Entre eles o movimento pró-aborto, que se reunia em vários estados para apoiar as mulheres na realização de abortos, e a mobilização de combate à violência contra a mulher, a partir da década de 70”, lembra a pesquisadora francesa.

Em 2010, a legalização do aborto na França completa 35 anos, mas segue desafiando o movimento de mulheres francesas. Segundo Brigitte, ainda é preciso lutar para que a lei seja aplicada até o prazo limite – 12 semanas de gestação. A resistência dos médicos, que recorrem à cláusula de consciência da profissão, e a falta de estrutura nos hospitais públicos franceses atrasam o atendimento das mulheres e muitas vezes fazem com que o prazo limite seja vencido, impossibilitando a interrupção legal da gestação.

A luta pelo direito ao aborto, no entanto, não causa tantas divergências entre as feministas européias quanto temas como paridade política, prostituição e porte de véu pelas mulheres mulçumanas. Existem grupos, como As panteras rosas, que exigem a indiferenciação dos sexos. Elas avaliam que a lei de paridade política, que tem como objetivo uma melhor representação das mulheres, aprofundaria essa diferenciação, contrária ao naturalismo e universalismo, que caracterizam a França.

“Uma análise que divide as feministas na França hoje é a análise da prostituição. Para alguns grupos, trata-se de uma forma de exploração da mulher. Para outros, é uma atividade profissional livre. Apesar dessa divergência, há consenso de que esse tema exige política pública”, ressalta a socióloga do Centro Nacional de Pesquisa Científica da França.

Segundo ela, outro tema que causa discordância entre as feministas é a lei do véu. Sob a justificativa do Estado laico, a França proibiu que as estudantes mulçumanas utilizem véu nas escolas. Algumas correntes feministas consideram que a as jovens mulçumanas estão sendo discriminadas.

Foi aberta uma CPI sobre o porte do véu integral, cada vez mais presente nas ruas francesas por conta da migração. Nestes debates, o feminismo como vontade de igualdade e de transformação acaba sendo instrumentalizado por correntes que antes não lutavam contra a dominação masculina.

“O movimento de liberação das mulheres provocou verdadeiras mudanças na sociedade, mas com o custo de uma certa pausterização desse movimento, com o custo da perda do radicalismo”, destaca a socióloga, que tem se dedicado a pesquisas sobre sexualidade.

“As jovens feministas precisam dar novas respostas a novos desafios. A realidade não é simples e as lutas das antecessoras não foram tão bem sucedidas. Precisamos pensar em como alargar as fronteiras do feminismo, estabelecer alianças e projetos em comum.”


Atualidade de Beauvoir

Para a socióloga e diretora do SOS Corpo - Instituto Feminista para a Democracia, Maria Betânia Ávila, novas questões surgiram, mas o pensamento de Simone de Beauvoir permanece com referência e inspiração.

“Não é um mito, mas é a referência para a construção de um pensamento e uma análise crítica, materialista e histórica, como uma pessoa que foi posicionada politicamente no mundo”, ressalta Betânia. “Simone não se interessava por saber do Brasil de carnaval. Queria saber da condição da mulher no Brasil.”

A socióloga conta que Simone de Beauvoir entrou na militância feminista com mais de 60 anos, quando passou a participar ativamente de atos e a testemunhar em defesa do direito da mulher ao corpo, declarando publicamente já ter abortado.

“Ela ainda tinha crença no socialismo como possibilidade de superar as desigualdades entre homens e mulheres. Suas formulações ainda são atuais, apesar das críticas à abordagem sobre lesbiandade, subestimação e distanciamento dessas questões.”

Lançado em 1949, o livro O Segundo Sexo só foi publicado em 1963 em português. O título chegou a constar no índex da Igreja Católica como leitura proibida. A antropóloga e diretora do Centro Latino-Americano em Sexualidade e Direitos Humanos (CLAM), Maria Luiza Heilborn, lembra que ele derrubou o mito do cuidar como virtude e destino feminino.

“O Segundo Sexo reúne duas frases fundamentais para o pensamento feminista: Não se nasce mulher, torna-se mulher e A biologia não é um destino. A leitura é atual e necessária. Precisamos nos opor à Simone sombreada, considerada apenas como ensaísta e não com a verdadeira filósofa que foi, com um importante papel de transformação social."

extraído de Instituto Patricia Galvão
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sábado, 14 de novembro de 2009

Helene Stöcker, primeira alemã doutora em Filosofia

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1869: Nasce a primeira filósofa alemã

No dia 13 de novembro de 1869, nasceu a feminista Helene Stöcker, primeira alemã a se doutorar em Filosofia. Mais tarde, ela defendeu o direito das mulheres ao voto e destacou-se como pacifista.


Depois que Helene Stöcker apresentou em 1897 uma palestra sobre Nietzsche e as mulheres num seminário na Universidade Frederico Guilherme (agora Universidade Humboldt) em Berlim, o professor Wilhelm Diltey a contratou como sua assistente. Possibilitou-lhe assim começar um estudo de Filosofia na universidade, o que até então não era permitido às mulheres.

A pioneira foi em frente, tornando-se em 1901 a primeira alemã a obter o título de doutorado, em Berna, na Suíça. Em seguida, ela foi trabalhar como docente na Escola Superior Lessing, uma faculdade particular em Berlim, na qual até Albert Einstein lecionou.

Ao mesmo tempo, ajudou a fundar várias organizações, entre as quais a Associação para o Direito de Voto da Mulher e a União para a Proteção da Maternidade e a Reforma da Sexualidade. Esta última entidade foi criada por ela com outras sufragistas em 1905, com o objetivo de diminuir o preconceito contra as mães solteiras e seus filhos.

Em 1903, Stöcker assumiu a responsabilidade pela revista Frauenrundschau, que tratava de questões relativas às mulheres. Segunda a feminista alemã, a base legítima da relação sexual não era o casamento, e sim o amor. Na revista Proteção da Maternidade, lançada pela União, a filósofa divulgava a sua ideia de uma "nova ética", com direitos de voto extensivos às mulheres.

Stöcker se torna pacifista

Em palestra pronunciada num congresso realizado em Haia, na Holanda, em 1910, Stöcker defendeu o direito da mulher às práticas contraceptivas. Durante a Primeira Guerra Mundial, ela se tornou pacifista radical. Outra vez em Haia, em 1915, participou do Congresso Internacional da Mulher para a Paz Permanente e, em 1921, fundou com outros a Internacional dos Adversários do Serviço Militar. Nos anos seguintes, entrou para diversas organizações pacifistas e publicou seu único romance, Liebe (Amor, 1922).

A reformadora da sexualidade nunca se casou, por convicção, mesmo namorando o advogado Bruno Springer desde 1905 até a morte deste, em 1931. Com a ascensão dos nazistas ao poder, Helene Stöcker emigrou, passando várias temporadas em Zurique, na Suécia e na Rússia e indo finalmente para Nova York, onde morreu em 23 de fevereiro de 1943.

Segundo instituto berlinense, Stöcker seria racista

A atuação da filósofa é, contudo, controversa. Segundo Peter Kratz, do Instituto Berlinense de Pesquisa do Fascismo e de Ação Antifascista, ela teria se tornado nacionalista radical e trabalhado na Sociedade para a Higiene das Raças, fundada pelo antissemita e fanático ariano Alfred Ploetz. Stöcker teria ainda fundado a União para a Proteção da Maternidade juntamente com Ploetz e outros alemães ligados ao partido nazista NSDAP.

Além disso, ela teria se juntado ao médico Magnus Hirschfeld, a quem se atribuem castrações e experimentos com homossexuais. Kratz afirma que Stöcker queria reservar a emancipação da sexualidade para a elite, evitando que surgisse uma nova geração medíocre.

Martin Helbich

Fonte www.dw-world.de - Deutsche Welle

agradecimento a Vilma Piedade, pelo envio da notícia
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sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Segundo Sexo fez 60 anos, em 2009

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O Segundo Sexo, de Simone de Beauvoir

O Segundo Sexo é um clássico publicado por Simone de Beauvoir em 1949. São dois livros sobre a situação da mulher. O primeiro volume recebeu o subtítulo de “Fatos e Mitos”, e o segundo volume foi denominado “A experiência vivida”. Como outros clássicos feministas, encontra-se esgotado no Brasil.

Para fazer o download, em formato PDF, você pode acessar Mídia Independente:
link no midia independente para o volume 1: Fatos e Mitos
link no midia independente para o volume 2: a experiência vivida

Índice dos livros:

O Segundo Sexo, vol.1: Fatos e Mitos

Primeira Parte
Capítulo I — Os dados da biologia
Capítulo II — O ponto de vista psicanalítico
Capítulo III — O ponto de vista do materialismo histórico

Segunda Parte
História
I
II
III
IV
V

Terceira Parte
Os Mitos
Capítulo I
Capítulo II
I — Montherlant ou o pão do nojo
II — D. H. Lawrence ou o orgulho fálico
I I I — Claudel e a serva do Senhor
IV — Breton ou a poesia
V — Stendhal ou o romanesco do verdadeiro
VI —
Capítulo III

O Segundo Sexo, vol.2: A Experiência vivida

Introdução

Primeira Parte
Formação
Capítulo I — Infância
Capítulo II — A Moça
Capítulo III — A Iniciação Sexual
Capítulo IV — A Lésbica

Segunda Parte
Situação
Capítulo I — A Mulher Casada
Capítulo II — A Mãe
Capítulo III — A Vida Social
Capítulo IV — Prostitutas e Hetairas
Capítulo V — Da Maturidade à Velhice
Capítulo VI — Situação e Caráter da Mulher

Terceira Parte
Justificações
Capítulo I — A Narcisista
Capítulo II — A Amorosa
Capítulo III — A Mística

Quarta Parte
A Caminho da Libertação
Capítulo Único — A Mulher Independente

Conclusão


Foto de Simone de Beauvoir extraída de The Avant Guardian
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sábado, 7 de novembro de 2009

Dia Mundial da Filosofia 2009 - 19 de novembro

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Dia Mundial da Filosofia no Brasil 2009

Esta é a segunda edição do evento realizado pela UFRJ (IFCS) no País, em parceria com a representação da UNESCO no Brasil e com o patrocínio do Banco do Brasil.

A comemoração ocorre no dia 19 de novembro (quinta-feira), das 10h às 18h, na Casa da Ciência da UFRJ - Rua Lauro Müller 3, Botafogo - Rio de Janeiro - RJ

As atividades contemplam

# a realização do ciclo de diálogos intitulado "Novas perspectivas filosóficas para o Brasil" com a presença de professores e especialistas em Filosofia reconhecidos no cenário nacional,

# e a disponibilização de um espaço multimídia de Filosofia, cujo objetivo principal é ampliar as possibilidades de compreensão da mesma através de diferentes mídias.Neste espaço multimídia, o público poderá assistir a vídeos e experimentar áudios especialmente produzidos para a mostra, com trechos de textos e biografias de vários filósofos, tudo isso a partir de um painel expositivo criado para despertar a curiosidade e estimular a interação.

E mais:

# exposição de cartazes cedidos pela UNESCO,
# montagem de uma linha cronológica da Filosofia
# transmissão ao vivo das atividades do auditório para o salão de exposição da Casa.

Programação

# Auditório - Ciclo de diálogos: “Novas Perspectivas Filosóficas para o Brasil”

# Mesa I – 9h 30min às 12h

Coordenador: Profº André Martins
Mediador: Conrado Cavalcante

Alexandre Mendonça (UFRJ) - Confirmado
Filipe Ceppas (UGF) - Confirmado
Rafael Haddock Lobo (UFRJ) - Confirmado

# Mesa II – 13:30 às 16h

Coordenador e mediador: Gabriel Cid

Guilherme Castelo Branco (UFRJ) – Confirmado
Jorge Vasconcellos (UGF) – Confirmado
Walter Kohan (UERJ) – Confirmado

# Salão de Exposições - Montagem do Espaço Multimídia de Filosofia

Visitação: das 10h às 18h

# Painel expositivo de áudios e vídeos
# Transmissão simultânea dos diálogos ocorridos no auditório
# Transmissão do evento ao vivo pela internet
# Exposição de Cartazes cedidos pela UNESCO
# Montagem de uma linha cronológica da Filosofia com imagens impressas
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Mais Informações


Este evento é idealizado e produzido por alunos de Filosofia, que também atuam na área da produção cultural, sob a curadoria e coordenação acadêmica do Prof. Dr. André Martins (UFRJ).

site: http://www.diamundialdafilosofia.com.br
e-mail: contato@diamundialdafilosofia.com.br

Produção 21-2507-3714
Tiago Gomes - tiago@diamundialdafilosofia.com.br
Djalma Lopes - djalma@diamundialdafilosofia.com.br
Coordenação
Conrado Cavalcante - conrado@diamundialdafilosofia.com.br
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Clique sobre os títulos para saber sobre:

> Algumas celebrações no mundo - link em francês

> Algumas celebrações no mundo - link em inglês

O que pensa a UNESCO sobre a Filosofia. Com a palavra Pierre Sané, Sub-Diretor Geral para as Ciências Sociais e Humanas

> Il n'y a pas d'UNESCO sans philosophie

> Philosophy at UNESCO
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Clique AQUI para saber sobre a instituição do Dia Mundial da Filosofia

Em 2008, 0 Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ se uniu às comemorações mundiais e as atividades reuniram um público diversificado que mostrou grande interesse pela Filosofia.

Veja AQUI como foi o Dia Mundial da Filosofia no mundo, em 2008, e a participação da UFRJ (IFCS) inscrevendo o Brasil no cenário mundial.
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quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Claude Lévi-Strauss morre aos 100 anos

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4/11/2009

Por Fábio de Castro

Agência FAPESP – O antropólogo Claude Lévi-Strauss morreu, aos 100 anos, na madrugada do último domingo (1/11). O anúncio foi feito apenas nesta terça-feira (3/11) pela Escola de Estudos Avançados em Ciências Sociais de Paris (França).

Conhecido como o fundador da antropologia estruturalista, Lévi-Strauss participou, na década de 1930, da missão francesa que organizou alguns dos cursos da Universidade de São Paulo (USP) pouco após sua fundação, em 1934.

De acordo com Fernanda Arêas Peixoto, professora do Departamento de Antropologia da USP, a influência intelectual de Lévi-Strauss – que realizou no Brasil seus primeiros estudos de etnologia entre populações indígenas – transcende a antropologia.

“Ele foi sem dúvida um dos maiores antropólogos da história e, a partir de seus trabalhos ligados ao âmbito do parentesco e dos mitos, influenciou todos os ramos da antropologia. Mas, especialmente a partir de 1962, com a publicação de Pensamento selvagem, sua obra passou a dialogar com a filosofia. Daí em diante, o estruturalismo adquiriu uma importância enorme, com impacto na filosofia, na psicanálise, na crítica literária e nas ciências humanas de modo geral”, disse à Agência FAPESP.

Segundo Fernanda, que em 1991 defendeu na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) a dissertação de mestrado Estrangeiros no Brasil: a missão francesa na USP, o inegável impacto do pensamento de Lévi-Strauss sobre a antropologia brasileira se deu por meio de sua obra posterior à estadia no país.

“Na época da missão francesa, entre 1935 e 1938, ele era um jovem etnógrafo em período de formação. No Brasil, fez suas primeiras pesquisas de campo e trabalhos etnográficos. Publicou aqui seus primeiros trabalhos. Durante a Segunda Guerra Mundial, fixou-se nos Estados Unidos, onde completou sua formação”, contou.

A leitura de Lévi-Strauss feita pelo norte-americano David Mabury-Lewis, na década de 1960, exerceu forte influência na antropologia brasileira, reintroduzindo no país a obra do antropólogo nascido em Bruxelas, de acordo com Fernanda. Segundo ela, Mabury-Lewis participou naquele período do projeto Harvard-Brasil Central, realizado pelo Museu Nacional em parceria com a Universidade de Harvard (Estados Unidos).

Sob orientação de Fernanda, a mestranda Luiza Valentini está atualmente realizando uma pesquisa – com apoio da FAPESP – sobre a interação entre Lévi-Strauss, Dina Dreyfuss (sua esposa na época da missão francesa) e o escritor Mário de Andrade, que na década de 1930 empreendeu um amplo trabalho de campo sobre manifestações da cultura popular brasileira.

O trabalho tem base em documentação inédita da Sociedade de Cultura e Folclore dirigida por Andrade na época. “Mário de Andrade foi muito marcado por essa colaboração”, disse Fernanda.

Tristes trópicos

“Estudou na Universidade de Paris e demonstrou verdadeira paixão pelo Brasil, conforme registrado em sua obra de sucesso Tristes Trópicos, em que conta como sua vocação de antropólogo nasceu durante as viagens ao interior do país. Lévi-Strauss completaria 101 anos no fim deste mês”, divulgou a reitoria da USP em nota oficial.

Trajetória

Em 1927, Lévi-Strauss iniciou seus estudos em filosofia. Começou a lecionar em 1932. Em 1935, levado pelo “desejo da experiência vivida das sociedades indígenas”, como contou, aceitou lecionar na USP durante três anos. Nesse período, empreendeu diversas missões de estudo entre os índios Bororo e Nhambiquara, em companhia de sua esposa. O casal se separou em 1939, ao retornar à França. O antropólogo se casou novamente em 1945 e em 1954.

Banido do ensino em seu país, em decorrência das leis antissemitas da França ocupada do regime de Vichy (1940-1944), partiu para Nova York, onde teve contato com os surrealistas e se aproximou de Roman Jakobson, linguista que teve influência decisiva na construção de sua obra.

O pós-guerra foi um período instável para Lévi-Strauss, que publicou então suas primeiras obras de peso, ainda não reconhecidas. Foi adido cultural em Nova York e participou de missões da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) na Índia e no Paquistão. Em 1950, foi nomeado professor da Escola Prática de Altos Estudos da França.

Em 1955, publicou Tristes trópicos, um relato de suas viagens que se tornou ao mesmo tempo um sucesso literário e uma referência científica. Publicou Antropologia estrutural em 1958 e em 1959 assumiu o Departamento de Antropologia Social do Collège de France, passando a desenvolver atividade intensa como autor e organizador, que lhe valeram crescente reconhecimento internacional. Depois de O Pensamento selvagem (1962) e os quatro volumes de Mitologias, passou a ser reconhecido com um dos grandes autores do século 20.

Em 1973, foi eleito para a Academia Francesa. Em 1985, acompanhou o presidente francês François Mitterrand ao Brasil. Suas coleções de objetos foram expostas no Museu do Homem, em Paris, em 1989. Suas fotografias do Brasil foram editadas em 1994.

Fonte Agencia FAPESP
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