segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Adeus ao escritor e filósofo Benedito Nunes

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Escritor e filósofo Benedito Nunes morre aos 81 anos


Fabrício Bini - de São Paulo

O escritor e filósofo paraense Benedito Nunes, 81, morreu na manhã deste domingo (27 de fevereiro de 2011). Ele estava internado havia dez dias no Hospital Beneficência Portuguesa de Belém (PA). Às 20h de sábado (26), foi transferido ao CTI (Centro de Terapia Intensiva), após sofrer hemorragia no estômago, mas não resistiu.

O corpo está sendo velado na igreja Santo Alexandre. Amanhã, às 9h será realizada uma missa de homenagem ao escritor e logo após, às 11h, o corpo será cremado no cemitério Max Domini, localizado no município de Marituba (20km de Belém).


Vida e Obra

Nascido em Belém em 21 de novembro de 1929, Benedito José Viana da Costa Nunes foi um dos fundadores da Faculdade de Filosofia do Pará, posteriormente incorporada à Faculdade Federal do Pará.

Por "Clave do Póetico", Nunes recebeu o prêmio Jabuti na categoria crítica literária, em 2010. No mesmo ano, ganhou o prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto da obra.

Em 1989, publicou "O Drama da Linguagem - Uma Leitura de Clarice Lispector", um ensaio literário sobre a escritora.


Depoimentos

Aldrin Figueiredo, escritor e amigo de Nunes, conta que teve o privilégio de ter escrito um texto em parceira com ele, e que fez o prefácio de uma de suas obras, "Luzes e Sombras do Iluminismo no Pará", escrito em 2004, com Milton Hatoum.

Nunes era crítico literário e de arte, e sua primeira análise foi sobre as obras da escritora Clarisse Lispector. "Desse estudo foram criados dois livros, 'O Mundo de Clarisse Lispector' e o 'Drama da Linguagem', onde se observa uma análise fenomenológica e existencialista", explica Aldrin.

Ele conta que as obras foram elogiadas por Clarisse que se tornou amiga do autor.

Amarilis Tupiassu, professora de Letras da Universidade Federal do Pará e da Universidade da Amazônia, afirma que Nunes estava sempre de bom humor, e uma de suas últimas brincadeiras foi dizer que, quando saísse do hospital, a primeira coisa que iria fazer seria comer um pastel.

"Benê sempre foi brincalhão até nessa situação ele fez piada." Ela lembra que quando ele recebeu o título de Doutor Honoris Causa, homenagem feita aos professores eméritos, ela fez a saudação.


Recebido de Bertelli, a quem agradecemos.

Fonte: Folha de SP



quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

A empregabilidade do licenciado em filosofia em Portugal

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A empregabilidade do licenciado em filosofia em Portugal

António Paulo Costa

O ensino tem sido a saída profissional — agora praticamente esgotada — daqueles que, por vocação, por curiosidade ou por falta de alternativas (por distracção, também) fizeram uma licenciatura em Filosofia em Portugal. Mas, no ensino superior, o recrutamento de docentes tem sido insignificante; e, no ensino secundário, a quebra demográfica da população portuguesa e uma política educativa que impede a criação de turmas mais pequenas (com o consequente aumento do número destas e, logo, do número de professores necessários), faz com que a contratação de novos docentes tenha estagnado nos últimos anos. Parece evidente que ambas as carreiras estão relacionadas: como no secundário não há necessidade de recrutamento de mais pessoal docente, as licenciaturas em Filosofia deixam, progressivamente, de se tornar atractivas, quer para aqueles para quem ser professor de Filosofia seria uma vocação, quer para aqueles que veriam a docência como um mal menor. Assim, o número de licenciandos em Filosofia tem tido uma tendência genérica para estagnar. Consequentemente, quase não há necessidade de contratação de novos assistentes para as faculdades, cujo quadro actual, sob a ditadura da ratio, parece poder assegurar todo o serviço lectivo. Daqui decorre ainda outro problema: os recém licenciados questionam-se sobre as vantagens de cursarem as pós-graduações, posto que, se as faculdades não recrutam, parece também não haver saídas profissionais para os que optam por complementar a sua formação básica com um investimento na via científica. O quadro actual da empregabilidade do licenciado em Filosofia em Portugal é, grosso modo, este. E é muito mau, quer consideremos apenas o ensino, quer consideremos também outras saídas profissionais.

Porém, é ilusório pensar que um tal quadro se deve apenas a contingências demográficas ou políticas. Portugal é um país ainda atrasado, apesar de os portugueses terem visto melhorar consideravelmente o seu nível de vida material nas últimas décadas. Contudo, é difícil defender que o nível de vida intelectual e cultural tenha acompanhado o nível de vida material: a mais desatenta comparação entre nós e as nações civilizadas mostra, iniludivelmente, a dimensão do nosso atraso, visível nas taxas de analfabetismo, de abandono e de insucesso escolar, nos índices de leitura e de literacia, no número de licenciados, mestres e doutores, entre outros. Defendo que a empregabilidade dos licenciados em Filosofia (e, em geral, dos licenciados em cursos artísticos e humanísticos) é, também, um bom sintoma do estado de desenvolvimento intelectual e cultural do país. Em proporção directa: quanto maior fosse este, maior seria aquela. E assim se percebe que o drama da empregabilidade dos licenciados em Filosofia é um drama de países terceiro-mundistas.

Apenas em países onde a grande questão posta pela sociedade, sobre a Filosofia, é a de saber para que serve (e as correlativas "por que existe a disciplina no secundário?", "por que é que o erário público paga milhares em ordenados aos professores e investigadores em Filosofia?", etc.) é que a empregabilidade se torna um drama para o licenciado em Filosofia. Tal não acontece em sociedades desenvolvidas, em que a actividade filosófica está viva, em que as competências dos filósofos são reconhecidas (porque são úteis de alguma maneira) e em que os graduados em Filosofia são recrutados para os mais variados lugares no mundo empresarial, político e social, para além do ensino. Para isto concorrem dois factores: a maturidade civilizacional e a qualidade do trabalho filosófico. Ora, em Portugal isto não é o caso: nem atingimos uma tal maturidade civilizacional, nem existe uma comunidade filosófica cujo trabalho seja reconhecido como sendo de qualidade (e ainda menos como sendo útil). Evidentemente, o rumo das mudanças em Portugal, nos últimos anos, criou um quadro altamente desfavorável e desincentivador da prática e da intervenção filosóficas. A consciência crítica, quando existe, aparece como sendo algo desconfortável à mentalidade colectiva do "politicamente correcto" e os filósofos portugueses, dependentes que estão deste tecido social e das instâncias decisoras, parecem preferir o conforto de um silêncio cúmplice do que assumirem uma tradição pró-socrática de denúncia da ignorância, da incompetência e da mediocridade. Mas, com um tal silêncio bem comportado, não admira que o problema da empregabilidade se ponha. Vejamos porquê.

Um dos sinais mais claros do desequilíbrio entre a vida material e a vida espiritual portuguesa é dado pela defesa generalizada da falácia de que não há outra alternativa, numa sociedade moderna, senão a de assentar as relações sociais no paradigma económico neoliberal, que as reduz às trocas comerciais, ao mercantilismo, ao monetarismo. A Filosofia, obviamente, parece não encaixar neste paradigma: "Que se ganha com a Filosofia?" — eis a questão ouvida nos cafés (se alguém se lembrasse disso!), nos lares novos-ricos, nas salas de aula. Em grande parte, têm razão em perguntar aqueles que as colocam: têm razão em perguntar "para que serve a Filosofia à sociedade moderna?" porque o modo de vida estupidamente materialista, economicista e individualista que adoptámos é um terreno que alimenta bem a persistência de tal pergunta; têm razão porque a filosofia praticada ao longo de anos e anos nas salas de aula tem sido, quase sempre, algo sem sentido para os estudantes (e pergunto-me se mesmo os professores sabem o que estão a ensinar), uma arte lexical de exibir palavras rebuscadas, um exercício de memorização acrítica ou uma catequese filosófica maniqueista ("a filosofia ou as trevas..."). Numa palavra, um caldo de incompetência e de impreparação a que, recentemente, um novo ingrediente se lhe juntou: um "estado terminal de apatia" (para parafrasear um conhecido colunista do Diário de Notícias); têm razão em perguntar porque não se vê a participação positiva dos filósofos na vida intelectual, cultural, moral e política da sociedade portuguesa (e excluo peremptoriamente as intervenções públicas do Conselho de Ética para as Ciências da Vida, o qual obviamente não faz Filosofia, mas sim catequese cristã em sede errada; ou as de um ou outro filósofo mais mediatizado por motivos estranhos à Filosofia); têm razão em perguntar, finalmente, porque não há filósofos que liderem uma voz contra o estado de coisas português — um estado sem projecto, sem utopia, sem estratégia, sem autocrítica. Em suma, a demissão dos filósofos está em todo o lado.

Não espanta, pois, que perante o falso dilema entre a matéria e o espírito, e face à falência da vida intelectual, os portugueses julguem haver uma única opção. Poderiam os filósofos portugueses acusar, com alguma justiça, os sectores responsáveis pelas políticas educativas de pactuarem com o actual estado de coisas. Há dados objectivos que tornam esta crítica fundada: a revisão curricular no secundário, em curso, não tem sido um modelo de diálogo entre tais sectores e os profissionais de Filosofia, apesar das aparências. Percebe-se que há certos interesses comerciais, atendidos pela tutela da Educação, que pretendem que esta revisão seja meramente cosmética, mais do que uma reforma profunda do ensino da Filosofia, de modo a que não haja lugar aos novos investimentos que a devem acompanhar. E até um órgão consultivo, mas com peso nas decisões governamentais para a Educação, defendeu recentemente o afastamento da Filosofia dos currículos liceais (vide "Parecer n.º2/2000" do CNE, Diário da República, II Série, n.º121). Se o dilema entre uma vida materialista e uma vida espiritual já era falso, a acção dos sectores com responsabilidades torna a opção impossível.

Porém, é na inacreditável reacção da comunidade filosófica a tudo o que seja mudança que quero centrar a atenção. E a reacção é de inércia. E será esta inércia, esta apatia, esta indiferença, aquilo que contribui para que a Filosofia praticada seja como é — má — e as reformas essenciais não se façam. Aparentemente, desde que esteja garantido um subsídio à investigação, ou desde que o ordenado de cada um esteja assegurado, parece que isso é suficiente. Uma má consciência, havendo alguma consciência, faz-se sentir: quando interpelados acidamente por cidadãos, por pais, por vizinhos, por alunos, sobre a utilidade da filosofia ou que andam realmente a fazer, os filósofos nacionais coram e balbuciam uma resposta tímida, sem convicção e cheia de sentimentos de culpa. Pudera! Como esperamos que alguém compreenda o que se pode ganhar com a Filosofia, se a reacção dos pretensos protagonistas é esta? Como podemos esperar que alguém reconheça o valor dos filósofos e os empregue, se é evidente a incapacidade de demonstrarmos inequivocamente que a Filosofia é algo indispensável em qualquer quadrante da vida pública de um país civilizado? Não é difícil perceber como tudo isto está implicado na questão da empregabilidade. A fraquíssima empregabilidade dos filósofos portugueses é causada, em primeira instância, por esses mesmos filósofos, cuja atitude demissionária ou cuja incompetência filosófica alimenta a mentalidade dominante. Os sectores responsáveis e as contingências sociais apenas a catalisam.

Há muito que se enraizou a ideia de que o ensino é a única saída profissional. Mas terá de ser assim? Estarão os licenciados em Filosofia portugueses condenados ao desemprego e à esmola familiar? De facto, se se toma o ensino como sendo a única saída, e porque tal saída se esgotou, parece ser este o quadro a esperar. Paradoxalmente, as faculdades continuam a proporcionar formação para o ensino, como se algum daqueles licenciados pudesse vir a exercer funções docentes nos anos mais próximos (e longínquos?). E aqui chegamos ao meu ponto neste artigo. Poucas instituições universitárias tomam como sua a responsabilidade de garantir emprego aos seus licenciados. Muitos dirão que talvez essa não seja uma obrigação das universidades: a estas cabe formar, ao Estado e ao mercado cabe criar as condições de emprego. Quero defender que ambas as coisas não podem ser desligadas. A empregabilidade está certamente dependente das contingências do mercado de trabalho e das intervenções reguladoras do Estado (aliás, o próprio Estado é empregador). Mas a empregabilidade depende, igualmente, da qualidade das universidades e dos cursos aí facultados. Ainda que a falta de saídas profissionais se faça sentir numa dada área — e é o caso de Filosofia e do ensino —, uma formação deficiente apenas estreitará as perspectivas laborais dos licenciados, enquanto que uma formação de qualidade tornaria muito mais amplas as suas possibilidades de emprego. E, se essas possibilidades fossem boas, a falta de empregos no ensino teria uma dimensão menos trágica para os licenciados em Filosofia do que actualmente tem. Cabe, assim, às universidades garantir, pela sua qualidade, a empregabilidade dos seus licenciados. A garantia não tem de ser formal, isto é, não se pretende que o caloiro possa exigir um contrato de trabalho no dia em que ingressa num curso. A garantia a que me refiro é criada pela qualidade do ensino e da investigação. E o mercado empregador, especialmente o privado, percebe o que é uma licenciatura de qualidade. Assim, penso que a par com outros indicadores, as universidades deveriam ser avaliadas pela sua capacidade de inserir os seus (ex-)estudantes no mercado de trabalho. Daqui não se segue que eu defenda um cariz profissionalizante para os cursos aí ministrados; nem se segue a defesa do absurdo de garantir formalmente contratos de trabalho a todos os estudantes. Segue-se, apenas, que as coisas não podem ficar como estão, especialmente no caso de Filosofia.

Se o problema já tivesse sido pensado seriamente por quem oferece e por quem procura cursos de Filosofia, o estado de coisas seria diferente: desde logo, porque o modo reinante de praticar a Filosofia, tradicionalmente verborreico, mimético e cinzento, teria de ser banido para dar lugar a uma prática rigorosa, argumentativa, crítica e fecunda, sem a qual a Filosofia continuará a ser "inútil", um mundo de papel bolorento e de filósofos mortos venerados ad nauseum. Quem sabe pensar crítica e rigorosamente, quem sabe disputar pontos de vista argumentativamente, quem tem visão estratégica, utopia e projecto para o mundo que o rodeia não tem problemas de emprego. Mas o licenciado em Filosofia está longe de ter esta formação. Aprende a comentar, a interpretar, a palavrear. Cita autores, faz notas de rodapé, copia bibliografias, parafraseia comentadores. Não discute, nem quer discutir. Não argumenta, nem sabe argumentar. É incapaz de reconhecer um argumento falacioso ou duas teses inconsistentes. E isto torná-lo-á sempre inútil, quer num mundo onde só o dinheiro parece interessar, quer no almejado melhor dos mundos possíveis, onde a Filosofia teria a dignidade perdida. Não é apenas a vida intelectual portuguesa que é pobre: também é a pobreza filosófica em que temos vindo a ser (de)formados, e de que somos cúmplices, que é a nossa desgraça. Há que rebentar com esta apatia, com a comiseração, com o hábito de não sermos (os) melhores. A Filosofia pode ser praticada de outra maneira e essa maneira é seguramente útil à sociedade. Se assim for, o reconhecimento social advirá naturalmente e os licenciados em Filosofia serão certamente recrutados para empresas e instituições e para onde quer que seja necessário alguém munido de um espírito crítico, rigoroso, persuasivo e produtivo.

A nova formação advogada não consiste em substituir apenas umas disciplinas por outras nos currículos escolares, universitários ou do secundário: consiste fundamentalmente em mudar o tipo de trabalho feito em torno dos problemas, das teorias e dos argumentos tradicionais em Filosofia; consiste em nos apropriarmos dos instrumentos críticos adequados para enfrentar esses problemas, teorias e argumentos. Tais instrumentos são entendidos, perversamente, como constituindo a matéria de mais uma disciplina filosófica ao lado de outras — a Lógica. A Lógica não é uma disciplina de símbolos vazios, uma formalização desligada do discurso natural, uma moda anglo-saxónica. Não é apenas mais uma disciplina filosófica cultivada por alguns excêntricos com espírito geométrico e redutor. Ela é a ciência da inferência rigorosa. Mas não é a única: existe, na Filosofia praticada nos países desenvolvidos, uma área praticamente desconhecida da tradição portuguesa e que é designada por "critical thinking". A par com o estudo aturado das várias disciplinas filosóficas, fornece uma formação indispensável para que possa ser feito um trabalho consequente diante dos autores, dos seus livros, das suas teorias e dos seus argumentos. Se houvesse uma formação tendencialmente crítica como a que estou a advogar, ao invés de uma tradição exegética e ensaística, os licenciados em Filosofia saberiam como formular rigorosamente os problemas filosóficos, conheceriam quais as teorias disponíveis, compreenderiam os argumentários existentes e correlativas objecções — numa palavra, saberiam usar a sua razão para debater consequente e vivamente as matérias filosóficas, desenterrando-as das bibliotecas poeirentas. E isso dar-lhes-ia o hábito de pensar estrategicamente; dar-lhes-ia, adicionalmente, uma formação desejada por qualquer instituição ou empresa moderna; dar-lhes-ia, finalmente, um emprego. Esta é a razão pela qual qualquer curso de uma boa universidade europeia ou americana exige e proporciona aos seus alunos o domínio de certos instrumentos lógicos, formais e informais — para que saibam pensar. E pensar rigorosamente é tudo o que é preciso. Mas, entre nós isto é visto como uma presunção, uma rebeldia desviante, uma irreverência de juventude. E assim se fabricam licenciados amorfos, tacanhos, acríticos, tristes. A falência da tradição dita "continental", exegética e pós-modernista, até agora dominante na academia portuguesa, está à vista. Não gera filósofos nem gera empregos. Isto é um argumento factual suficiente para que tal tradição fosse pura e simplesmente banida das faculdades e liceus. À tradição crítica é devido, no mínimo, o benefício da dúvida, estando à vista os resultados animadores que tal tradição tem nos níveis de empregabilidade dos licenciados em Filosofia americanos e ingleses.

A empregabilidade dos licenciados em Filosofia, em Portugal, deve ser tornada um objectivo central dos cursos de Filosofia e é em função dela que tais cursos se devem organizar a nível de currículos e a nível de métodos. Urge mudar o que se estuda e como se estuda em função da utilidade do que se estuda, e esta utilidade é definida em termos de empregabilidade. Perguntemo-nos, por exemplo, onde está a reflexão filosófica nacional sobre o fenómeno das novas tecnologias, omnipresentes na sociedade portuguesa. Que formação têm os licenciados em Filosofia para manipular basicamente um computador? E onde encontrar uma formação consistente em teoria da decisão, cujo saber é crucial no mundo económico moderno? Que sabemos para poder discutir ética empresarial? Onde adquirir as competências argumentativas indispensáveis para qualquer cargo público, para a investigação, para os tribunais, para a política, para os media? Onde aprender a debater os mais prementes problemas éticos que as biotecnologias fazem emergir? Poderá dizer-se que as universidades e os liceus, no que à Filosofia respeita, estão a preparar cidadãos informados, críticos e intervenientes, como se pode ler em qualquer carta de intenções do sistema educativo? Estarão os currículos liceais e universitários a acompanhar o que acontece? Estarão estes (e outros) problemas a ser discutidos consequentemente nas nossas salas de aula? Estarão os professores e, em geral, os licenciados em Filosofia portugueses aptos a liderar o debate destes problemas? A resposta é tragicamente negativa. Não fomos preparados e não nos preparámos para tal. Hesitamos ser "politicamente incorrectos", como Sócrates, e morrer com a cicuta. Não sabemos, sequer, o que fazer para sacudir o torpor e a "apatia terminal", o que ler, o que escrever, onde e como publicar, a quem nos associarmos, o que temos a dizer. Estamos mortos. E aos mortos ninguém dá emprego.

Suponho que alguns verão a tese pragmática que associa os currículos e os métodos à empregabilidade com desconsolo e desconfiança. Muitos insistirão na questão de saber se cabe às escolas e universidades cultivar um ensino profissionalizante. Insisto: ele não está implicado no modelo de qualidade que aqui defendo. E é importante não misturar a universidade com o liceu — neste, quanto menor for o grau de escolaridade, maior deverá ser a generalidade dos currículos, que deverão conciliar a formação humanística e artística com a preparação técnica e científica; naquela, defendo que os currículos e métodos se deverão orientar prioritariamente para a qualidade, avaliada pela bitola da empregabilidade (a par com outros critérios relevantes). As razões pelas quais defendo isto são as seguintes: a formação universitária actual prepara mal os licenciados para o mercado de trabalho, mas também não se vê para o que esteja ela a preparar. Ao assumir sem complexos o ónus de tornar empregáveis boa parte dos seus licenciados, a universidade tomaria um rumo definido e objectivamente avaliável. À espera de dinheiros públicos para que a investigação avance, o cérebro nacional definha, as instalações degradam-se, a funcionalização emerge, o clientelismo alastra. Mas caso o saber que aí se cultivasse e os recursos humanos existentes tivessem outra qualidade e produzissem algo que fosse atractivo para os agentes sociais e económicos, estes tornar-se-iam investidores nessas universidades e na sua massa humana. Numa palavra, a universidade seria tão bom investimento a prazo quanto a especulação bolsista o parece ser a curto prazo. E isto é ilustrado, uma vez mais, pelas simbioses existentes entre as melhores universidades do mundo e os agentes económicos que nelas apostam, beneficiando ambos, e também os países que as albergam. Pelo contrário, as universidades portuguesas continuam a acreditar que se pode investigar e ensinar independentemente do que se passa neste mundo, nem mudando elas, nem sendo capazes de modificar tal mundo. Agarradas ao velho preconceito da (pretensa) independência e da autonomia, continuam a perpetuar uma tradição contemplativa e subsídio-dependente. Os intelectuais invectivam a decadência, talvez real, dos costumes e lamentam a redução do social e do cultural ao económico, dizendo-se mal compreendidos no que andam a fazer, tão mesquinha que é a classe dirigente e tão ignorante que é povo. Pois. Possivelmente, têm alguma razão. Mas a classe dirigente é quem decide, e é eleita pelo povo alegadamente inculto, que é, também, contribuinte. Temos de enfrentar o desafio de produzir saber e recursos humanos que, mais do que lamentar-se, estejam capacitados para intervir e demonstrar que o país não pode viver à sua margem. Temos de tornar-nos úteis a esse país amesquinhado e culturalmente atrasado, para simultaneamente nele podermos intervir. Temos de dar, para que possamos modificar e, então, exigir. E para isso, deveremos preparar-nos convenientemente, o que não tem sido o caso. O divórcio tradicional entre as vacuamente altivas universidades e o mundo de gente materialista e arrogante que, quer se queira quer não, se agarrou à ilusão do consumo, já provou ser desastroso para aquelas e para esta (que parece viver bem com isso). A questão do financiamento do ensino superior é apenas mais uma faceta desse divórcio; o problema da empregabilidade, que aqui importa, é mais outra.

O quadro que tracei não é um exclusivo da Filosofia, ou dos graduados em Filosofia. Mas não encontro consolação em saber disto. A fortiori se exige que tenhamos ideias inovadoras, estratégia, utopia e força de vontade. Sejamos exigentes connosco, com os professores, com os currículos e métodos, e com aqueles que, arrogante e ignorantemente, desprezam a Filosofia. Pensemos sobre o que sabemos fazer bem e como colocar esse saber — filosófico que seja, evidentemente — ao serviço do colectivo. Consequentemente, ao nosso próprio serviço. Abandonemos a esperança em obter, no fim do curso, um emprego pela tradicional "cunha". Envergonhemo-nos da esmola familiar que parece perpetuar-se. Sejamos "empresários filosóficos" (ou filósofos empreendedores) sem complexos, sem preconceitos, sem anátemas, em vez de meros desempregados ou funcionários resmungões e conformados. Estudemos muito e preparemo-nos melhor. Comparemos o que somos com os melhores exemplos estrangeiros, se necessário, para avaliarmos o que nos falta fazer e aprender. Para uma tal comparação, termino com uma sugestão de consulta aos sites abaixo listados, que darão ao leitor uma ideia daquilo que não se passa com a Filosofia em Portugal. Não suponho, é claro, que a vida dos filósofos estrangeiros seja um mar de rosas; mas, se a obtenção de um emprego é um objectivo que depende do mundo, acredito que depende ainda mais de nós próprios.

António Paulo Costa

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Extraído de Criticanarede



terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Nelson Werneck Sodré: cem anos


Nelson Werneck Sodré, os cem anos do historiador marxista


09/01/2011 - Por José Carlos Ruy

É formada em Itu (SP) uma comissão de historiadores, intelectuais e familiares do general e historiador marxista para comemorar seus cem anos, que se completam em 2011.


O decano dos historiadores marxistas brasileiros, Nelson Werneck Sodré, completaria cem anos de idade em 2011. E , para comemorar a data, um grupo de historiadores e intelectuais, juntamente com a filha do historiador, Olga Sodré, começaram um movimento sediado, simbolicamente, na cidade de Itu (SP).

A escolha do local tem sentido pois Nelson Werneck Sodré teve fortes ligações com a cidade, onde está inclusive sepultado. Foi no quartel do Regimento de Artilharia (o Regimento Deodoro) sediado em Itu, para onde veio no início da década de 1930 como aspirante a oficial, que teve seus primeiros postos. Foi também em Itu que conheceu uma moça chamada Yolanda Frugoli, com quem viria a se casar.

Destacou-se como um militar nacionalista, ligado depois ao Partido Comunista Brasileiro. Como intelectual e historiador, foi um dos fundadores na década de1950 do influente Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB), instrutor de história militar da Escola de Comando e Estado Maior do Exército, da qual foi desligado devido às suas posições políticas nacionalistas e à participação na campanha O Petróleo é Nosso e à publicação de um artigo, sob pseudônimo, onde defendia as posições comunistas contrárias à participação do Brasil na Guerra da Coréia. Seu último posto militar, na ativa, foi a promoção a coronel (1961). Assim, passou para a reserva no posto de general de brigada.

Livros clássicos

Nelson Werneck Sodré foi um dos pioneiros da historiografia marxista no Brasil, juntamente com Caio Prado Jr. Sua extensa obra começou a ser publicada na década de 1930, inaugurada em 1938 com o clássico Historia da Literatura Brasileira. Em 1939, outro clássico da historiografia imperial, o Panorama do Segundo Império. Aprofundou a visão marxista do passado brasileiro em 1944, com Formação da Sociedade Brasileira. No ano seguinte surgiu também a primeira edição de um guia fundamental para o estudo de nosso passado, o livro O Que Se Deve Ler Para Conhecer o Brasil, que mereceu sucessivas reedições.

Nos anos seguintes, publicou alguns clássicos, como As Coasses Solciais no Brasil (1954), A ideologia do Colonialismo (1961), Formação Histórica do Brasil (1962) e, na primeira metade da década de 1964, a prestigiadíssima e perseguidíssima História Nova do Brasil, uma sistematização didática de nosso passado elaborada, por uma equipe de historiadores dirigida por Nelson Werneck Sodré, com base no materialismo histórico. Depois do golpe militar de 1964, a obra foi apreendida e destruída pelos militares e seus autores presos.

Nos anos seguintes vieram As razões da Independência, História Militar do Brasil, História da Burguesia Brasileira, História Militar do Brasil, História da Imprensa no Brasil, antologias do pensamento marxista como Fundamentos da Economia Marxista, Fundamentos da Estética Marxista, Fundamentos do Materialismo Histórico e Fundamentos do Materialismo Dialético que, entre outros títulos (Werneck publicou até às vésperas de sua morte, em 1999), compõem um impressionante conjunto de obras dedicadas a esquadrinhar o passado brasileiro a partir do pensamento marxista e a difundir entre nós o pensamento avançado e progressista.

No debate sobre o desenvolvimento nacional, nas décadas de 1950 e 1960, Nelson Werneck posicionou-se claramente ao lado dos setores nacionalistas e democráticos que preconizavam a superação das oligarquias latifundiárias e financeiras cujo domínio ainda infelicitava o país. Foi um lutador incansável contra o imperialismo e contra seus aliados internos e depositou uma confiança muito grande na capacidade de uma aliança entre o proletariado e a chamada burguesia nacional superar aquelas contradições, assegurar a democracia e a soberania nacional e alcançar o bem estar para todos os brasileiros.

Nacional desenvolvimentismo

Foi, nestas condições, um dos principais – senão o principal – teórico do nacional desenvolvimentismo que reunia todos os setores avançados e progressistas (dos comunistas aos democratas e patriotas) que prevaleceu naquela época e opôs-se duramente, durante os governos de Getúlio Vargas, Juscelino Kubitscheck e João Goulart, à direita retrógrada, anti democrática e anti nacional que, em 1964, terminou por colocar um fim, pelo golpe militar, à limitada experiência democrática iniciada em 1946. Nelson Werneck esteve entre os perseguidos políticos, tendo seus direitos políticos cassados e sendo proibido de lecionar.

A aposta na capacidade da burguesia brasileira de enfrentar o imperialismo, o latifúndio e seus aliados, talvez tenha sido principal limitação do nacional desenvolvimentismo e, assim, do próprio pensamento de Nelson Werneck Sodré. A violência do golpe militar e a quase unânime adesão da classe dominante brasileira a ele (inclusive setores decisivos da “burguesia nacional”) foi um cruel desmentido daquela esperança. O que veio depois e que, durante vinte anos, impôs as trevas da repressão e do arbítrio, foi exatamente o contrário do que o nacional desenvolvimentismo esperava. Ao invés de se aliar ao proletariado, a burguesia e a classe média aliaram-se ao latifúndio, ao imperialismo e à alta finança, inaugurando um período em que a democracia foi tratada a ponta-pés e a soberania do país reduzida à incorporação subordinada aos interesses da geopolítica norte-americana.

O general historiador foi um gigante, e a crítica às suas teses só é possível, hoje, pois sua obra abriu os caminhos para o aprofundamento do conhecimento histórico. Aquela contradição que apontou, e que opõe os aliados do imperialismo (que, hoje, chamamos de neoliberais) aos setores patrióticos, democráticos e progressistas continua atual e suas ideias ajudam a entender o caráter da luta política em curso no país e a necessidade de enfrentar aqueles setores retrógrados e de direita para que o país continue a avançar. Esta é a atualidade de seu pensamento.

Ano comemorativo

Daí a relevância da comemoração de seu centenário. A comissão formada na última quinta-feira (6), em Itu, em uma reunião realizada no Centro de Estudos do Museu Republicano e composta por sua filha Olga, pelos professores Jonas Soares de Souza, Maria de Lourdes Figueiredo Sioli, Luis Roberto de Francisco, pelos intelectuais Maria Cristina Monteiro Tasca e Alan Dubner e pelo jornalista Salathiel de Souza, tem um programa ambicioso. Ela pretende fomentar iniciativas locais e nacionais para comemorar a data, transformando 2011 no Ano Nelson Werneck Sodré. O objetivo é envolver entidades como a Academia Brasileira de Letras, a Biblioteca Nacional, o Instituto Histórico e Geográfico do Brasil, departamentos de história das universidades brasileiras; foi anunciado também o breve lançamento de uma página eletrônica com informações sobre o historiador e sua obra. “Não é apenas por ser meu pai”, diz Olga. “A intenção é testemunhar sobre a contribuição de Nelson Werneck Sodré para a cultura brasileira”.

Extraído de Vermelho
Para um pouco mais:


sábado, 22 de janeiro de 2011

Filosofia e Meio Ambiente

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Conferência "Filosofia e Meio Ambiente",
com Raimundo Nonato Damasceno,
no XIV Encontro Estadual de Professores/as de Filosofia,
promovido pela SEAF.


Este XIV Encontro Estadual de Professores/as de Filosofia
SEAF 2010 teve o patrocínio de

Gravado em 23 de setembro de 2010, na UERJ.





  • Raimundo Nonato Damasceno é Doutor em Química pela PUC-RJ; Coordenador do Núcleo de Estudos em Biomassa e Gerenciamento de Águas da Universidade Federal Fluminense (NAB/UFF)
  • Gravação e edição - pela gentileza e compromisso com o conhecimento - de Diego Felipe de Souza Queiroz; Professor de Filosofia na Rede Estadual de Ensino - RJ e parceiro da SEAF; a quem muito agradecemos. Partes de 1 a 5.
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quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Mulheres são maioria entre universitários

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Mulheres são maioria entre os universitários, revela o Censo

As mulheres são maioria no ensino superior. Na graduação presencial, elas representam 55,1% do total de matrículas e 58,8% do total de formadas. Na modalidade educação a distância, 69,2% das matrículas e 76,2% dos concluintes são do sexo feminino. Esses dados constam do Censo da Educação Superior de 2009, divulgado nesta quinta-feira (13 de janeiro de 2011).

O censo realizado este ano teve como inovação a coleta individualizada das informações dos alunos, o que permitiu identificá-los individualmente, independentemente dos cursos ou instituições a que estão vinculados.
A média de idade dos universitários é de 21 anos. Eles ingressam por meio de vestibular, aos 19 anos, em cursos de bacharelado em instituições particulares. A idade mais frequente de conclusão do curso é de 23 anos.

A pesquisa mostra, também, que os alunos da educação a distância ingressam no ensino superior mais tarde em relação aos da graduação presencial. Em média, a conclusão do curso a distância ocorre aos 36 anos, enquanto a média presencial é de 28 anos.

De acordo com o censo, 710 instituições tiveram alunos que ingressaram por meio dos resultados obtidos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Dessas, 541 adotaram o Enem como forma de seleção para mais da metade das vagas de ingresso.

De cada dez alunos matriculados em instituições particulares, três obtiveram bolsa de estudos de programas como o Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies) ou o Programa Universidade para Todos (ProUni).

Na graduação presencial das instituições públicas, 36.294 ingressos ocorreram por meio de reserva de vagas, principalmente para alunos que estudaram em escolas públicas. Além disso, em 2009 foram registradas 20.019 matrículas de estudantes com algum tipo de deficiência. Dentre eles, 30% apresentavam baixa visão, 22%, deficiência auditiva e 21%, deficiência física.

Fonte: Ministério da Educação

Extraído de IRDEB

Brasil aumenta o número de mestres e doutores

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Brasil apresenta aumento no número de mestres e doutores

O número de mestres e doutores titulados no Brasil dobrou nos últimos dez anos. De 2001 a 2010, a quantidade de pesquisadores formados por ano no país passou de 26 mil para cerca de 53 mil, segundo a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

De acordo com o órgão, só em 2010, 12 mil receberam o título de doutor e 41 mil o de mestre. Esses dados constam do balanço final do Plano de Ação em Ciência, Tecnologia e Inovação divulgado pelo governo federal no fim do ano passado.

Os dados, na avaliação da deputada Fátima Bezerra (PT-RN), refletem o empenho do governo do ex-presidente Lula na expansão do ensino superior no Brasil. O aumento de recursos para o setor, na avaliação da petista, também foi fundamental para a expansão. "Em 2002, os recursos para a educação superior no país eram da ordem de R$ 19 bilhões. Em 2010, este montante saltou para cerca de R$ 60 bilhões, ou seja, três vezes mais do que recebemos. Sem isso, não seria possível formar tantos mestres e doutores", explicou.

O desafio agora, segundo Fátima Bezerra, é dar continuidade a essa política de expansão. A petista espera que o tema seja amplamente debatido durante a apreciação do novo Plano Nacional de Educação (PNE), em análise no Congresso Nacional. "Esse debate é estratégico para a qualidade da educação brasileira, pois representa passos significativos na formação do magistério brasileiro. Temos que aproveitar a discussão do PNE, que prevê metas para a educação superior, para ousarmos mais nesta área", disse Fátima, que será relatora do PNE na Comissão de Educação da Câmara.

Dados - O documento compila informações de vários órgãos ligados à pesquisa no país e avalia o resultado de um plano de investimento lançado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia em 2007. Segundo o documento, só em 2009, 161 mil estudantes estavam matriculados em programas de mestrado e doutorado de universidades brasileiras. O número equivale a 90% da soma dos mestres e doutores titulados no país de 2003 até 2009.

Fonte: Informes PT nº 4641

domingo, 9 de janeiro de 2011

Há 130 mil anos humanidade já navegava, por Creta


Arqueólogos encontram indícios de que o homem navegava há 130 mil anos


04 / 01 / 2011

Arqueólogos gregos e americanos descobriram na ilha grega de Creta indícios de que o homem já cruzava os mares há 130 mil anos, muito antes do estimado até agora, informou nesta segunda-feira (3 de janeiro) o Ministério de Cultura da Grécia.

Os cientistas encontraram perto das localidades de Plakias e Preveli, no sudeste da ilha, ferramentas da Idade de Pedra.

Trata-se de machados no estilo “Acheulean”, relacionado ao “Homo heidelbergensis” e ao “Homo erectus“, dois “antepassados” do atual ser humano.

Estas ferramentas têm, pelo menos, 130 mil anos, mas também poderiam chegar aos 700 mil anos, garante o Ministério grego em comunicado.

Apesar da contínua pesquisa da pré-história em Creta, berço da civilização minoica, até pouco tempo não havia nem sequer provas de que tinha sido habitada antes do período neolítico (7000-3000 a.C.).

Segundo o Ministério, as descobertas são “o indício mais antigo da navegação marítima”.

“Os resultados não só demonstram a existência de viagens por mar no Mediterrâneo milhares de anos antes do que sabíamos até hoje, mas também alteram a avaliação das habilidades do homem”, acrescenta o Ministério. (Fonte: Yahoo!)

Extraído de Ambientebrasil